|
serviços
Cresce demanda por unidades móveis e operações terceirizadas
A onda mundial que leva muitos grupos produtores a migrarem para a área de serviços é levada mais ao pé da letra por algumas empresas do mercado da desmineralização de água. Para estas, não basta mudar o escopo de marketing, como está fazendo a Rohm and Haas ou como já fez a Purolite, ambas fornecedoras de resinas de troca iônica. As mais radicais na nova onda precisaram criar novas unidades de negócios ou até conceber suas atividades iniciais para satisfazer o apetite pela “nova” oportunidade chamada prestação de serviços.
|

|
|

|
Planta de regeneração da
Veolia em Cotia-SP: 250 cilindros em cerca de 50 clientes |
Como nova unidade de negócios criada para atender a demanda por serviços, um exemplo marcante é a criação da SDI, da francesa Veolia Water Systems, situada em Cotia-SP. Inaugurada em abril de 2002, trata-se de uma unidade de regeneração de colunas de troca iônica que se responsabiliza por cerca de 50 clientes da região, que se utilizam de cilindros da própria Veolia em formatos de 15, 30, 60 e 100 litros. Semanalmente, ou conforme a necessidade, um caminhão da SDI Veolia passa pelos clientes para levar os cilindros saturados e deixar outros já regenerados.
 |
A forma de contratação é por aluguel mensal dos equipamentos e por cobrança das regenerações à parte. “Isso depende da vazão do cliente, temos alguns que precisam de duas regenerações semanais e outros que precisam uma vez por mês”, explica o gerente de vendas da SDI, Francisco Faus. Além das regenerações alcalinas (vasos aniônicos) e ácidas (catiônicas), a SDI ainda instala e se responsabiliza pelos vasos de carvão ativado, os quais a cada três meses são retrolavados no cliente com água desmineralizada produzida pela própria Veolia em seu site em Cotia-SP.
De acordo com o gerente da SDI, a prestação de serviço começa com o dimensionamento e a instalação do sistema de desmi no cliente. Essa etapa inclui a colocação de um pré-filtro com indicador de vazão e os cilindros catiônicos, aniônicos e de dois leitos mistos para polimento. Além disso, há clientes que usam pós-filtragem ou ultravioleta quando há demanda por água ultrapura. |
| Faus: clientes não precisam investir |
Todas as unidades usam dois cilindros de polimento porque a estação se utiliza de um sistema de controle por sensor que avisa, com o acendimento de uma luz, quando o primeiro leito está saturado e precisa ser reposto. Em virtude do segundo demorar mais para se esgotar, porque por ele passa uma água praticamente desmineralizada, cria-se uma grade de tempo suficiente para manter a unidade operando até o caminhão da Veolia trazer outros cilindros.
O diferencial da SDI do grupo francês é sua concepção. Trata-se de unidade automatizada, onde há grandes colunas de regeneração, cada uma para um tipo de resina (catiônica, aniônica e leito misto), interligadas por tubulações e onde mangueiras de borracha conectadas recarregam os cilindros com resina tratada. Ainda faz parte uma unidade de osmose reversa para 8m3/hora, utilizada para fornecer água desmi para lavagem da regeneração e também para venda a terceiros.
A unidade toda tem capacidade para regenerar 54 mil litros de resina por mês, em um turno, e trata cerca de 400 cilindros. Hoje a empresa, atendendo clientes da indústria farmacêutica, cosméticos, química e laboratórios de análise, está com ocupação de 40%, regenerando 250 cilindros instalados e 150 mantidos para reposição na SDI. A clientela, com demandas de tratamento para caldeiras pequenas e água de processo, vai de uma vazão de 20 litros por hora até 3 m3/h. Segundo Faus, trata-se de um perfil de empresa pequena, a maior parte no estado de São Paulo em um raio de 200 km de Cotia, com exceção de algumas em lugares mais distantes, como São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e até em Goiânia-GO.
Esse tipo de serviço prestado pela Veolia é cópia de outros modelos bem-sucedidos do grupo internacional. Apenas nos Estados Unidos, há dez dessas unidades de desmineralização, sete na Europa, uma no México e duas na Ásia. A do Brasil, segundo Francisco Faus, tem mostrado o mesmo desempenho das estrangeiras. “A aceitação é muito boa, porque o cliente não precisa manipular ácido e soda e porque, principalmente, não precisa investir em uma unidade própria”, diz. A empolgação do gerente também tem caráter estatístico: em 2003 a empresa deve triplicar o faturamento e a projeção para 2004 é crescer 30%. Ajudará nessa meta outros serviços prestados pela SDI: limpeza química de membranas e manutenção de equipamentos fornecidos pela Veolia Water Systems, fornecedora de sistemas de água do grupo.
É bom ressaltar que o conceito da unidade de regeneração terceirizada não é novo no Brasil. Há outras empresas menores que realizam a regeneração, mas em processos quase manuais e com estrutura familiar. O diferente na iniciativa da Veolia é o aspecto construtivo da planta industrial, concebida como uma fábrica, e ainda a logística e as tecnologias utilizadas, desde os cilindros em polietileno com fibra de vidro da inglesa Elga (do grupo Veolia) até os sensores por condutivímetro. Similar a esta unidade, existe apenas uma em Curitiba-PR, a Permution.
Já as empresas menores normalmente contam com pequenos tanques de ativação para regenerar e separadores acrílicos para retrolavar os leitos mistos. Dentre essas empresas, um exemplo é a Stella Resinas, de Taboão da Serra-SP. Há sete anos no mercado, a empresa conta com clientes da área farmacêutica, como a Fundação para o Remédio Popular (Furp), da qual recebe semanalmente cilindros de 50 litros para regenerar, e outros como a Transition, fabricante de lentes de contato, para a qual regenera colunas de 175 litros. São serviços de pequena dimensão mas adequados às necessidades do mercado.
|
“Para empresas pequenas compensa terceirizar a regeneração, porque elas não precisam tirar as licenças estaduais e municipais de manipulação de ácido e soda que nós temos de ter”, explica a diretora da Stella Resinas, Angélica Medeiros. Além da regeneração, a Stella também fornece pequenas quantidades de água desmineralizada produzida por troca iônica própria e conta ainda com departamento de engenharia para projetar colunas. Outra forma de terceirização realizada é a regeneração no cliente, modalidade de serviço que a Stella Resinas faz para clínicas de hemodiálise e também para indústrias. |
 |
| Angélica: opção de pequenas regenerações |
BOOM deu certo – Prova da boa aceitação das ofertas de terceirização é um tipo de serviço recentemente introduzido no Brasil ter demonstrado evolução. Desde que inaugurou, no final de 1998, escritório em São Bernardo do Campo-SP, a norte-americana Ecolochem (ver QD-379, pág. 25) tem conseguido manter um ritmo aceitável de contratações terceirizadas para produção de água desmineralizada do tipo BOOM (build own operate and maintenance). Utilizando seus próprios equipamentos, sejam unidades de osmose reversa ou de troca iônica vindas dos EUA, a Ecolochem segue fechando contratos de serviços, sob pagamentos fixos mensais, para curta ou longa duração.
 |
“Estamos ampliando o estoque e procurando manter o portfólio completo de nossos equipamentos, não só skids e sistemas montados em contêineres, mas até abrandadores e outros filtros”, diz o diretor da Ecolochem, Rolando Piaia Jr. Segundo ele, essa demanda tem sido incentivada por empresas de vários setores, não apenas termoelétricas como foi no início da implantação da empresa no Brasil. Há muitos casos de indústrias que passam por paradas de manutenção e precisam também desligar as unidades de desmi. Nesses casos de curta duração, a Ecolochem instala seus sistemas para manter o fornecimento. |
| Piaia amplia estoque de unidades de aluguel |
E há exemplos de contratos de médio e longo prazo. Um destacado pela Ecolochem engloba fornecimento de sistema para tratar água do Rio Tietê da região metropolitana de São Paulo para uma indústria alimentar caldeiras e usar água de processo. Embora não dê maiores detalhes, Piaia considera um caso de sucesso em razão das dificuldades técnicas. “O DBO e DQO eram próximos do esgoto doméstico, o flúor era de 2 ppm e a condutividade de 1.100 µS”, ressalta. Há um ano em operação, a unidade de osmose utilizada foi adaptada à clarificação e filtração existentes. “A empresa deve renovar o contrato”, diz.
Outro indicativo do progresso nos negócios é a empresa estar operando em algumas ofertas com a Ondeo Nalco, líder em tratamento de água industrial e efluentes. “Estamos trabalhando juntos em projetos de curta e média duração”, ressalta o diretor. Com a parceria, a competitividade do grupo se fortalece, sobretudo por se tratar de grupo com condição de também arcar com investimentos iniciais para fechar contratos de terceirização.
|
|