Cliente mais maduro gera demanda por produtos e serviços especializados


MARCELO FURTADO

Alguns setores da economia, embora não sejam dos mais importantes em grandeza financeira, servem como ótima referência para demonstrar a evolução tecnológica incorporada pela indústria brasileira na última década. É o que ocorre no mercado de desmineralização de água, constituído por fornecedores de membranas de osmose reversa, resinas de troca iônica e de insumos para pré-tratamento químico e ainda por empresas de engenharia de projetos e de operações terceirizadas. 

Divulgação

Osmose terceirizada

Do início da década de 90 para cá, desde a já longínqua abertura comercial, as mudanças são marcantes nesse setor responsável pela criação de alternativas para purificar a água de sais e prepará-la para usos industriais. Para começo de conversa, foi-se a época em que o mercado era dominado por pouquíssimos fornecedores, que ditavam não só as tendências tecnológicas como os preços. 
O número de empresas especializadas e de novas ofertas de processos e sistemas aumentou de tal maneira que fica difícil não ver o setor hoje mais maduro, com um bom clima de competição para a derrubada dos preços e para facilitar a vida dos consumidores de água desmineralizada.

Divulgação A maturidade aí também se traduz por um cliente crítico e resistente a panacéias, mais preparado para escolher entre as tecnologias e para operar com responsabilidade as unidades de “desmi”. Embora os problemas decorrentes da falta de cuidados com a operação ainda não sejam raros, sobretudo em unidades de osmose reversa, tornou-se quase consenso entre os especialistas que os usuários hoje conhecem um pouco mais do processo. Esse cenário afugenta empresas e representantes aventureiros, que inundam os clientes com propostas de tecnologias e equipamentos de eficiência duvidosa, preservando por seleção natural os competidores mais confiáveis.
Membranas GE

Para demonstrar essa evolução, Química e Derivados preparou nesta edição uma série de reportagens divididas entre os principais sub-setores que formam o mercado: membranas de osmose reversa, resinas de troca iônica, pré-tratamento químico, engenharia de projetos e prestação de serviços.

Cuca Jorge A necessidade de compartimentar o trabalho jornalístico publicado a seguir explica por si só o perfil renovado do setor. Hoje as ofertas e demandas estão mais bem definidas. Os fornecedores sabem quais nichos podem e precisam ser atendidos por eles, assim como os clientes não têm mais muitas dúvidas na hora da escolha da tecnologia. Isso significa, por exemplo, que já não há mais espaço para debates entre os defensores da osmose reversa e os da troca iônica. Mesmo passando por período recessivo, no qual as grandes obras ainda são raras, a economia brasileira tem tamanho e potencial para acolher a todos.
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