FISPAL 2003

Feiras da embalagem e dos processos industriais geram R$ 4,8 bi em negócios


Cerca de 70 mil visitantes lotaram o Anhembi, em São Paulo, para conhecer tecnologias para embalar e produzir alimentos, fármacos, cosméticos e químicos diversos

Renata Pachione

A 19ª Fispal Tecnologia– Feira Internacional de Embalagem e Processos Industriais e a 5ª Techno Plus - Feira Internacional de Fornecedores para as Indústrias Farmacêutica, Cosmética e Química atrairam cerca de 70 mil visitantes. Realizadas no Anhembi, em São Paulo, ocuparam área de 32 mil m² (Fispal) e de 6 mil m² (Techno Plus). No local foram apresentadas novidades tecnológicas em processos para embalar e produzir alimentos, além de insumos e equipamentos para análise laboratorial. De acordo com o presidente do Grupo Brasil Rio, responsável pela promoção dos eventos, Ricardo Santos Neto, as feiras geraram negócios da ordem de R$ 4,8 bilhões. “Através de pesquisa com os expositores, durante as renovações contratuais, conseguimos chegar a este resultado”, explicou.

Esta edição da Fispal Tecnologia contou com uma inovação: a setorização. Empresas fornecedoras de equipamentos para embalar ficaram locadas no Setor Fispack, enquanto as de maquinário e insumos para processar, no Setor Processa. Essa novidade se deu por conta do potencial desses mercados. Para se ter uma idéia, com crescimento superior a 10% ao ano, a indústria de embalagens, segundo projeções da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), deve avançar dois pontos percentuais neste ano, o que, segundo especialistas da associação, se refletirá no desempenho da indústria alimentícia, pois esta é responsável por cerca de 60% do consumo brasileiro de embalagem. 

Durante sua participação na feira, a Abre apresentou uma amostra da representatividade do setor. Levou para a Fispack seu Comitê de Exportação, por meio do qual tentou motivar o industrial a levar a produção brasileira para além das fronteiras. “As embalagens nacionais são competitivas em relação a qualidade e preço”, afirmou o presidente da Abre Fábio Mestriner. E completou a diretora executiva da associação Luciana Pellegrino:  Cuca Jorge
Luciana elogia embalagem nacional

“Por isso, queremos criar a cultura de exportação dentro dessa cadeia produtiva”. Hoje a indústria de embalagens destina ao mercado externo 7% da produção, o que representa 10% do faturamento do setor. De acordo com dados da associação, essa indústria faturou cerca de R$ 20 bilhões em 2002. A expectativa é fechar este ano com a marca de R$ 23 bilhões.

Cuca Jorge Para chegar a esse patamar, além do aumento das exportações e da exposição gerada por uma feira como a Fispal, a Abre aposta na aproximação do consumidor com os profissionais do setor. Por isso, montou em seu estande uma seção de votação popular para o Prêmio Abre de Design de Embalagem. O visitante pôde escolher entre os trabalhos incritos na associação e opinar sobre quais atributos lhe é relevante em uma embalagem. 
Laboratório em tamanho real foi exposto na feira

Para Luciana, essa iniciativa ofereceu ao industrial a oportunidade de conhecer melhor as preferências e necessidades do consumidor. Segundo estimativa de Luciana, cerca de 3 mil pessoas votaram durante a Fispal. 

Controle de qualidade - O destaque no setor Processa ficou por conta do Laboratório Fispal de Controle de Qualidade. Em uma área de 250 m², empresas convidadas pelos Grupos Vidy e Brasil Rio reproduziram um laboratório, na escala de um para um, equipado com instrumentos voltados para as indústrias química, farmacêutica, cosmética e alimentícia. Para o presidente do Grupo Vidy Sérgio Henri Stauffenegger, o objetivo foi conscientizar as empresas brasileiras sobre a importância do controle de qualidade nas suas linhas de produção, sobretudo, de alimentos e de bebidas, principal foco da Fispal. Pelos cálculos de Stauffenegger, 60% dessas indústrias não dispõem de nenhum tipo de controle durante o processo de fabricação de seus produtos. “A idéia é oferecer ao visitante informações sobre projetos, construção, manutenção e modernização das instalações, de acordo com as exigências da Vigilância Sanitária e organizações certificadoras de qualidade”, comentou. 

Na ocasião, o Grupo Vidy apostou no conceito de laboratório modulado, com ênfase às soluções ergonômicas. Por conta dessa iniciativa, a linha Vidy-Flex foi o principal destaque da marca. Trata-se de mobiliário com mecanismos de regulagem capazes de tornar as peças adaptáveis ao biotipo do usuário e ao design dos equipamentos. “A linha se adequa ao profissional e não o contrário, como se vê habitualmente no mercado”, explicou o representante técnico do grupo Joilson Calasans. Com a proposta de aumentar a segurança dentro do laboratório, o grupo mostrou também um refrigerador para armazenamento de produtos inflamáveis. Em substituição às tradicionais geladeiras, o equipamento é em aço inoxidável e possui controle eletrônico de temperatura e sensor mergulhado em cápsula blindada, porém a principal vantagem fica por conta do isolamento da rede elétrica, localizada na parte externa da peça. “Não há risco de corrosão nem de acidentes por explosões”, disse Calasans. Partindo do mesmo princípio de oferecer soluções diferenciadas e funcionais, o grupo levou ainda um modelo de capela, equipado com sistema de exaustão, independente do cabinete superior, e dotado de monitoramento, facilitando assim a avaliação da performance do equipamento regularmente. 

A Gehaka participou do projeto com o ultrapurificador de água Master System. Equipamento para obtenção de água tipo I, é microprocessado e capaz de, em tempo real, informar as condições dos filtros utilizados e a qualidade e temperatura da água servida. Apresenta vazão de serviço de 60 litros por hora e conta com sistema de recirculação permanente, evitando a formação de “biofilmes” e a contaminação por carbono orgânico.  Cuca Jorge
Ultrapurificador de água microprocessado

“Dispensa qualquer tipo de pré-filtragem, podendo ser ligado diretamente na rede”, comentou o gerente de vendas Fernando Engelbrecht. Apesar do sistema ter sido lançado na FCE Pharma, para Engelbrecht, a apresentação na Fispal reforça sua capacidade de atender a aplicações exigentes, como a cromatografia, biologia celular e molecular e absorção atômica. A empresa também levou balanças analíticas e semi-analíticas, além de linha de Testes de Diagnósticos para Segurança Alimentícia, desenvolvida para análises de micotoxinas e identificação de transgênicos. 


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