Ainda em zincagem, há a intenção da Anion de comercializar os processos de zinco mecânico, com deposição química (depósito de íons metálicos na forma de seus sais, que por diferença de potencial químico se impregnam em outras superfícies) e voltado para fabricação de parafusos. Trata-se de processo patenteado, com equipamentos especiais e componentes químicos que permitem o revestimento com ligas de zinco e zinco puro sem necessidade da eletrólise. A vantagem aí está na economia de energia.

Cuca Jorge

Peça de caminhão em ABS: nova linha da Anion

Outra frente que a Anion MacDermid pensa atuar com força é na cromação de plástico ABS e outras blendas de plástico. Para tanto, conta com a linha Macuplex, trazida da MacDermid, que atende especificações de montadoras européias e americanas. Os processos incluem desde a preparação do plástico, um pré-tratamento com deposição de metal que confere condutibilidade elétrica ao material, até os revestimentos com banhos de níquel, cobre e, por fim, a cromação com cromo trivalente. Faz parte da linha Macuplex ainda um banho de níquel microporoso, que forma poros na superfície para permitir a melhor aderência e uniformidade na cromação final, aumentando a resistência à corrosão do ABS. Esse tipo de tecnologia, aliás, também é fornecida pela Atotech.

Fábrica nova – Essa busca por maior competitividade no mercado de processos também provocou mudanças em outra empresa do ramo, a Tecnorevest, de Barueri-SP. De capital nacional e com 35 anos de atuação, a Tecnorevest, com várias licenças tecnológicas e representações internacionais, está procurando nacionalizar ao máximo sua produção para diminuir a dependência perigosa de importações. 

Cuca Jorge Em maio, a empresa inaugurou nova fábrica em Cambé-PR, para tentar diminuir seus custos agravados pelo alto grau de importação da empresa, de até 80% do total fornecido ao mercado. 

Na fábrica, a Tecnorevest formulará processos eletrolíticos da linha Shipley, empresa do grupo americano Rohm and Haas, e da inglesa LVH Coatings, além de outras bases orgânicas, sais ácidos e processos de aditivos abrilhantadores. Até o final do ano, segundo afirmou a gerente Maria Silvia Pereira, a empresa pretende intensificar o nível de nacionalização dos processos, reduzindo pela metade a dependência externa. Isso incluirá também novidades para o mercado nacional, onde a Tecnorevest chega a fornecer para cerca de 500 galvanoplastias.

Maria: fábrica diminui dependência

Boa parte dos novos produtos que a empresa quer comercializar no Brasil provém de recente licença tecnológica do grupo francês LC Systeme. 

Cuca Jorge Ganha destaque dessa empresa nova linha de passivadores (cromatizantes), responsáveis pelo tratamento final para melhorar o aspecto visual e a proteção anticorrosiva de peças, isentos de cromo hexavalente, considerado perigoso. 

Também serão lançados, da LC Systeme, selantes que aumentam a resistência à corrosão branca para até mil horas de salt spray (teste em câmara que simula condições extremadas de umidade, névoa salina e temperatura). De acordo com o gerente comercial da Tecnorevest, Carlos Alberto Amaral, as exigências de 700 a mil horas são recentes e provenientes da indústria automobilística. Até há pouco tempo exigia-se resistência apenas de até 180 horas de salt spray.

Amaral: selantes para mil horas de corrosão

Outro processo novo é o Systocopper 2.000, para eletrodeposição de cobre alcalino semibrilhante, para substituir banhos de cobre cianídricos e assim eliminar a presença de cianeto no fim-de-tubo. Além da questão ambiental, tem como vantagem a boa velocidade de deposição, pois permite o uso de altas densidades de corrente (1 a 15 ampéres por decímetro quadrado), diminuindo consideravelmente o tempo necessário do banho eletrolítico, de duas horas e meia (no processo com cianeto) para 35 minutos. Além desse processo, a Tecnorevest vai passar a comercializar desengraxantes líquidos biológicos, da representada Mineral Masters, com bactérias vivas, substituindo desengraxes alcalinos.

“Desterceirização”– De acordo com a Associação Brasileira de Tratamento de Superfície (ABTS), das cerca de 5 mil empresas do setor de tratamento de superfície, por volta de 2.500 são consideradas de grande porte, ou seja, montadoras, fabricantes de autopeças e linha branca com galvanoplastias próprias. O restante se divide entre médio e pequeno porte. Nesse universo, o percentual representado pelas menores, por volta de 300 empresas, tende a diminuir, segundo estimativas dos pesquisadores do mercado. 

“Está havendo uma seleção natural na galvanoplastia brasileira. Vão sobrar apenas as melhores, e as de fundo de quintal, sem condições de suportar o aperto financeiro e ambiental do setor, vão sumir”, lembrou Carlos Alberto Amaral, que além de gerente da Tecnorevest exerce o cargo de vice-presidente da ABTS. A previsão de Amaral pode ser ilustrada com um outro fenômeno recentemente observado no setor: a chamada “desterceirização”. 

Alguns anos atrás, muitas empresas do ramo de autopeças, linha branca e de eletroeletrônicos em geral, motivadas por uma tendência de terceirização iniciada pelo setor automobilístico, passaram a encarregar empresas menores de seus serviços de galvanoplastia. Buscavam redução de custos e de facilitação na gestão dos negócios. A tendência alimentou esperança de crescimento para um sem-fim de pequenas galvanoplastias, que antes viviam de produções pequenas, no mercado de bijuterias e outros artefatos metálicos de menor valor.

Com o tempo, porém, a estratégia não se mostrou das melhores. Justamente por serem pequenas, e de repente encarregadas de pedidos volumosos de banhos de peças, as terceirizadas começaram a colecionar reclamações dos clientes. Tornaram-se comuns perdas de peças, a qualidade dos acabamentos caiu e, lotadas de serviço e sem condições de se estruturar de forma organizada, também começaram a vencer os prazos de entrega. Resultado: os grandes clientes repensaram as terceirizações, cancelando muitos contratos e voltando a ter galvanoplastias próprias, onde controlam melhor o serviço. “Não se pode esquecer também que as terceirizadas sempre são as últimas a receber, o que fragiliza ainda mais a atuação delas”, completou Amaral.

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