FCE PHARMA

Novos ativos reforçam pesquisa e terapêutica

Sem a presença tradicional das empresas do Oriente, evento mantém tradição de lançamento de novas tecnologias


Rose de Moraes

As mais recentes contribuições tecnológicas à produção de fármacos foram conferidas durante a 8ª FCE Pharma. Realizada no Transamérica Expo Center, em São Paulo, de 13 a 15 de maio último, sob a promoção da VNU Business Media, a feira recebeu mais de 16 mil visitantes, reunindo duas centenas de fornecedores de matérias-primas, máquinas, equipamentos, embalagens e serviços. Cuca Jorge
Aymard: boas práticas tranqüilizam clientes

Como de praxe, a exposição foi palco de vários lançamentos, acrescentando boas novidades à gama de matérias-primas já empregadas na região. Nesta edição, porém, evidenciou-se maior compromisso dos fornecedores no campo das pesquisas e terapêuticas farmacológicas, observado pela oferta de ativos mais eficazes tanto ao tratamento, como à promoção da saúde.

A Rhodia Pharma Solutions, maior produtora mundial de ácido acetilsalicílico, promoveu três novas versões para o AAS, tradicional analgésico e antitérmico de largo emprego industrial.

Já adotadas em laboratórios da Europa e dos Estados Unidos, como Wyeth, GSK e Sanofi, as novas tecnologias de AAS, desenvolvidas nos centros de pesquisa dos Estados Unidos, Europa e Ásia, facilitam o processamento, realizado sob compressão direta ou a seco.

Assim, duas novas composições de AAS estão trazendo a substância acrescida de amido (Rhodine 2371) e também pigmentada (Rhodine 1416 P), suprimindo as etapas de molhagem, secagem e granulação que demandam tempo e dinheiro, gerando maior ganho em produtividade e economia de custos.
Além de conferir efeito visual mais atrativo aos medicamentos, aspecto bastante apreciado em medicamentos O.T.C (Over The Count), de venda livre ao consumidor, a versão pigmentada de AAS pode incrementar a manufatura de comprimidos fabricados em multicamadas coloridas.

Outra inovação foi representada pelo AAS microencapsulado e revestido com etilcelulose. Seus maiores benefícios à saúde são prolongar os efeitos analgésico e antitérmico, bem como oferecer proteção gástrica em face da ingestão do medicamento.

Como segundo maior fabricante de paracetamol (N-acetil-p-aminofenol), a Rhodia Pharma Solutions também dedicou estudos recentes ao desenvolvimento de APAP na forma microencapsulada, visando oferecer proteção gástrica aos pacientes e facilitar a ingestão do medicamento pelo mascaramento do sabor pouco agradável da substância.

Para Daniel Aymard, gerente de negócios na área de ingredientes farmacêuticos da Rhodia Pharma Solutions para a América Latina, a importância de se manter boas práticas de fabricação em todas as etapas de produção tanto de matérias-primas farmacêuticas, como de intermediários de síntese, é preservada pela empresa, oferecendo tranquilidade para as indústrias usuárias.

“Somos a única empresa no mundo a respeitar e adotar as normas da OMS – Organização Mundial de Saúde – relativas à adoção das Good Manufacturing Practices em processos de fabricação de ingredientes farmacêuticos, preocupando-nos em atender às necessidades dos nossos clientes na área de desenvolvimento de novos medicamentos”, informou.

Na qualidade de líder mundial na fabricação de fosfatos de cálcio, desenvolvidos para emprego em complementos nutricionais, medicamentos e alimentos, a Rhodia também evidenciou sua política de contribuir para implementar e difundir estudos que resultem em medicamentos mais eficazes, ao comunicar as conclusões de duas pesquisas sobre novas composições em fármacos.

Uma delas, promovida pela Universidade de Creighton, em Nebraska, nos Estados Unidos, revelou a co-dependência existente entre o cálcio e o fósforo no crescimento e desenvolvimento ósseo, destacando a importância de se associar esses elementos para prevenir e tratar a osteoporose.

Outro estudo de controle, envolvendo 14.275 mulheres com idade entre 31 anos e 70 anos, realizado pelo Grupo da Saúde da Mulher da Universidade de Nova York, destacou o papel do AAS na redução do risco de desenvolvimento de câncer de ovário epitelial.

Exportando para o mundo – Com foco centrado em pesquisa e desenvolvimento, e que resulta na produção de três a cinco novas moléculas ao ano com emprego assegurado em indústrias farmacêuticas da América Latina, Europa e Estados Unidos, a Nortec Química teve participação de destaque nessa FCE Pharma, integrando o seleto grupo de empresas farmoquímicas brasileiras certificado com G.M.P., pela Anvisa. 

Entre os novos princípios ativos incorporados neste ano à sua produção estão a efedrina cloridrato, a pseudoefedrina cloridrato e a pseudoefedrina sulfato, para emprego em broncodilatores e descongestionantes. Outro lançamento apresentado na exposição pertence à categoria dos benzodiazepínicos. Trata-se do midazolam, utilizado como pré-anestésico em cirurgias.

Ao lado das novas matérias-primas, também chamaram a atenção princípios ativos tradicionais, como o anti-retroviral lamivudina, droga que integra o coquetel anti-AIDS, além de ativos específicos para terapêuticas cardiovasculares, como a espironolactona e anti-histamínicos, como o citrato de orfenadrina, que motivam inúmeras encomendas no exterior.

Cuca Jorge Destacados como os princípios ativos mais demandados pelas exportações estão, segundo Flávio Valente, diretor comercial da empresa, os cloridratos de bupivacaina, lidocaina e mepivacaina, além da prilocaina e seu cloridrato, utilizados como anestésicos locais. Nesse rol também se destacam os agentes anti-envenamento, como o benzoato de denatonio e ativos de efeito analgésico e anti-inflamatório, como o diclofenaco, o diclofenaco dietilamonio e o diclofenaco resinato, que geram grande interesse no mercado externo.
Valente: anestésicos são as vedetes de exportação

Novos fitonutrientes também tiveram sucesso nessa exposição. Na categoria, uma das principais novidades em lançamento foi apresentada pela SP Farma, importadora e distribuidora de matérias-primas para manipulação e produção de fármacos, cosméticos e fitoterápicos. Trata-se de isoflavonas a 40%. 
Considerada a classe mais potente dos fitoestrogênicos, esse ativo, com atividade estrogênica e antioxidante, consiste em composto difenólico de origem vegetal, com estrutura similar à dos estrogênios sintéticos, promovendo a formação óssea, com efeito cardioprotetor, além de diminuir o colesterol, sendo indicado em terapêuticas hormonais e para atenuar os sintomas da menopausa.

Outra novidade, segundo apontou o consultor Germano Hansen Junior, foi representada pelo magnésio glicil-glutamina quelato. Fabricado pela Albion, esse ativo é indicado para quadros de baixa resistência imunológica, em pacientes pós-cirúrgicos ou sob tratamentos quimioterápicos e de queimaduras, sendo também recomendado para terapias antioxidantes e estados de estresse físico e mental por oferecer nutrientes para uma adequada resposta imunológica.
Desenvolvido na França, pelo laboratório Oligocaps, outra inovação levada ao público pela SP Farma já vem sendo aplicada como auxiliar em processos digestivos e em regimes de emagrecimento. Trata-se de “kinospherine”, um biopolímero marinho e ativado, da família das glicosaminas, enriquecido com catecolaminas, capaz de neutralizar a maior parte das gorduras encontradas nos alimentos, podendo integrar prescrições de alimentos, compostos nutricionais e medicamentos para tratamento cardiovascular.

Farmacotécnica – Outro expositor que marcou presença na FCE Pharma foi a Galena, ao evidenciar os desenvolvimentos realizados pela unidade de tecnologia avançada, criada em 2002, para pesquisar dificuldades e novas oportunidades para a atuação das indústrias farmacêuticas.

Entre as principais novidades, a tecnologia de revestimento Dragix foi desenvolvida para que fármacos, como a sulfasalazina e a mesalazina, empregados em terapias intestinais inflamatórias, possam ser liberados exatamente no local programado de ação, evitando, assim, uma série de transtornos à saúde dos pacientes, como irritações para a mucosa gástrica, náuseas, vômitos e sangramentos gastrointestinais.

Para otimizar terapêuticas em estreita associação com os fundamentos médicos de cura, a Galena também desenvolveu e lançou nesta FCE Pharma a tecnologia microgranulosix.

Formada por microgrânulos (partículas desde 1 micron até 1.000 micra), essa tecnologia consiste em núcleo envolvido por membrana especial que protege o ativo dos efeitos da radiação UV, umidade ou do contato com o oxigênio, permitindo a liberação gradativa do ativo.

Com microgranulosix já são oferecidos pela empresa o ácido ascórbico (vitamina C) e o diclofenaco sódico, compostos com propriedades anti-reumática, antiinflamatória, analgésica e antipirética. Nos dois casos, além da liberação gradual dos ativos, são afastadas as possibilidades de ocorrer irritações gástricas, entre outros efeitos prejudiciais à mucosa estomacal dos pacientes.

Outra substância protegida por microgranulosix e que vem obtendo grande aceitação na área médica é diltiazem, ativo empregado em tratamentos de hipertensão arterial sistêmica com ação antianginosa e antiarrítmica.
Segundo lembrou Sílvia de Castro Andrade, gerente de marketing da Galena, a empresa também oferece uma nova linha de bases, a Polvix 200, constituída por formulações prontas em pó, que facilitam a preparação de suspensões estáveis. 

Na linha de excipientes funcionais, que atuam na adsorção e diluição de cápsulas e comprimidos, a Galena ainda apresentou o Celulosix FF. Além de conferir homogeneidade no enchimento de cápsulas, essa linha é compatível com ampla gama de princípios ativos e pode incrementar a dissolução de drogas de difícil solubilidade.

Contribuindo para ampliar a oferta de novos excipientes ao mercado, a Forlab Chitec, importadora e distribuidora de especialidades químicas da Basf, Noviant, Astaris, Cabot, Biochemie, Asta Médica etc., com quase 50 anos de atuação no mercado, lançou nessa FCE Pharma a linha Starlac. Composta de lactose e amido pré-gelatinizado, essa linha, produzida na Alemanha, pelos laboratórios Meggle, irá favorecer o enchimento de cápsulas. 

Outra novidade em introdução no mercado pela Forlab é a hidroxipropilmetilcelulose. Fabricada pela alemã J.R.S – J.Rettenmaier & Söhne, esse composto, segundo lembrou Sylvia Loloma Hacker Poetscher, gerente de marketing, é produzido em diferentes viscosidades, permitindo tanto o uso em revestimentos, como também podendo atuar como agente suspensor. Cuca Jorge
Nova linha de bases beneficia suspensões, diz Sílvia

Novos ativos de uso farmacêutico também foram conhecidos durante a exposição da Barrera, representante de várias empresas internacionais, como Lipotec, Formosa e Exquim. Da Lipotec, da Espanha, já estão sendo importados a calcitonina de salmão, ativo indicado para medicamentos de combate à osteoporose, além de leuprolide, polipeptídeo de emprego oncológico. Da Formosa, sediada em Taiwan, estão chegando ao Brasil o calcitriol, que também atua no combate à osteoporose, além de dois imunosupressores, como o micofenolato mofetil e tacrolimus, empregados para reduzir riscos de rejeição em transplantes.


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