ACHEMA

Versatilidade e eficiência marcam novos produtos

Lançamentos revelam a incorporação de novas habilidades, sem perder de vista a necessidade de redução de custos e do tempo gasto com a manutenção das máquinas

Texto e fotos do enviado especial Engo Márcio A. Coelho 

A primeira impressão que a 27a Achema, Internationaler Ausstellungskongreß für Chemische Technik, Umweltschutz und Biotechnologie (Congresso-Exibição Internacional de Engenharia Química, Proteção Ambiental e Biotecnologia), causa em seus visitantes é a de que seis dias são apenas parte do tempo necessário para percorrer os doze edifícios que integram o moderno centro de convenções da Messe Frankfurt. Próximos às margens do Rio Meno em Frankfurt am Main, na Alemanha, dez prédios ou Halls subdividos em outros tantos andares abrigaram 3.819 expositores de 48 países entre os dias 19 e 24 de maio, reunindo o estado da arte mundial em tecnologia de processos químicos.  Engenheiro Márcio A. Coelho

Um centro de palestras e um entremeado de corredores com esteiras rolantes – a Via Mobile/Galerie – completavam o imenso complexo de mais de 140.000 m2, onde a cada três anos se realiza a principal feira comercial de processos da indústria química. A profusão de nacionalidades e idiomas em qualquer local por onde se circulasse na Messe reforçava o caráter global do encontro, prestigiado por cerca de 192.000 visitantes de mais de cem países. 

Mesmo assim, a Achema 2003 ainda teve forte predomínio do sotaque alemão. 
Precisamente 2.269 participantes eram empresas de origem alemã; Itália (245), Inglaterra (205), Suíça (174), Estados Unidos (150) e França (129) foram os outro cinco países com o maior número de empresas estrangeiras entre os expositores. A participação brasileira restringiu-se a dois representantes: a Divisa Engenharia, de São José dos Campos-SP (especializada em instalações de sala limpa) e o IMA (Instituto de Macromoléculas) da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A presença deveras modesta emite um sinal de alerta para a indústria tupiniquim se observarmos que a Argentina, em profunda crise econômica, enviou três representantes à Frankfurt; a Colômbia, com sérias ameaças à ordem institucional nacional, teve dois expositores, e o México, parceiro prioritário dos norte-americanos, compareceu com mais de 60 representantes.

O périplo da reportagem de Química e Derivados na Alemanha iniciou-se pelo Hall 6. Estabelecida desde 1934 em Londres, Inglaterra, a Russel Finex expôs o Vibrasonic Spiroscreen, sistema de desobstrução de peneiras à base de ultra-som próprio para pós-metálicos, pós para pintura eletrostática, produtos farmacêuticos, cerâmicos e alimentícios, por exemplo. A empresa introduziu o uso da tecnologia em 1973, segundo informações do gerente geral da unidade belga Luc Serneels: “O Vibrasonic facilita o movimento das partículas pelas peneiras, possibilitando o fracionamento com definição de até 20 mícra (635 mesh)”, disse. Um transdutor desenvolvido acusticamente gera uma distribuição de frequências ultra-sônica em forma de espiral, aplicada diretamente às telas das peneiras por um prato de transferência de velocidade. 
Serneels: fracionamento de até 20m com Vibrasonic 

O sistema rompe as forças de Van der Waals (forças de atração de natureza elétrica entre partículas) e elimina a tensão superficial do material, assegurando o controle do tamanho de grão com precisão inédita e eliminando a obstrução das peneiras. Conseqüentemente, não há necessidade de paradas para a limpeza das peneiras, resultando em menores custos para o processo. Além disso, o controle do movimento dos grãos garante o uso de toda a superfície útil das telas das peneiras. “A principal característica dessa máquina é a combinação do aumento de capacidade do sistema de peneiração aliado ao aumento da eficiência do corte”, completa Serneels.

A centenária Pallmann, com unidades na Alemanha, nos Estados Unidos e uma subsidiária no Brasil, exibiu sua linha de pulverizadores, com destaque para a família Turbofiner, máquinas de alta capacidade para a produção de pós de alta qualidade a partir de materiais moles ou de dureza média. O princípio de funcionamento desses pulverizadores baseia-se na redução de tamanho por micro vórtices em fluxo turbulento de ar. 
Trier: produção no Brasil diminui custos de clientes

A matéria-prima é pré-dispersada em uma corrente de ar e transportada por diversas zonas de turbulência, com intensidade crescente dos vórtices. A redução de tamanho ocorre pelo impacto das partículas nas pás do rotor operando em alta velocidade, e também pelos choques das partículas entre si. Conforme explicou o gerente de exportações Herbert Trier, os equipamentos são produto do aperfeiçoamento do desenho das carcaças sob medida para algumas indústrias, particularmente os produtores de masterbatches (concentrados). “São máquinas de maior tamanho, com maior facilidade de manutenção e troca de carga”, disse. O interior desses pulverizadores é dotado de superfície com menor rugosidade que facilita a limpeza do equipamento. Próprios para a redução do tamanho de partículas nas indústrias de plástico, madeireira, química e alimentícia, as carcaças das máquinas da linha Turbofiner são manufaturadas em uma única placa, acarretando economia nos custos de fabricação. A empresa também destacou sua linha de pulverizadores equipados com moinhos de disco, que dispensam nitrogênio líquido e também se destinam aos produtores de masterbatches. 
Resinas sensíveis ao calor, como PS, PC e PA podem ser processados à temperatura ambiente nestas máquinas. A unidade brasileira da Pallmann providencia a construção de instalações industriais no País, segundo Trier. “Fomos para o Brasil para baratear custos, pois saía muito caro importar os equipamentos devido a problemas como a inflação e a instabilidade interna”, revelou.

Popularização – A alemã Netzch compareceu à Achema 2003 com o objetivo, entre outros, de tornar os filtros tipo prensa da Ishigaki Company tão conhecidos no Ocidente quanto na Ásia. Fabricados em parceria há cerca de cinco anos, os filtros da marca Lasta nunca foram comercializados apropriadamente no hemisfério ocidental, afirmou o gerente regional Robert Hughes. Existem mais de cem máquinas do tipo funcionando ao redor do mundo, a maior parte em solo japonês.
Filtro tem ciclo de cerca de dois minutos diz Hughes

Uma das principais dificuldades da filtração é a retirada do filtrado, comumente denominado bolo na indústria química. De acordo com Hughes, os filtros, adequados para a operação nas indústrias química, farmacêutica e de tratamento de água e de rejeitos, possuem operação totalmente automática, realizando as operações de abertura, lavagem, descarga e fechamento tipicamente em dois minutos. A redução dos tempos de ciclo é possível devido ao sistema único de pratos móveis, que permite a retirada automática do bolo acumulado em cada prato em um único passo, e a lavagem das telas também em uma única operação. Além disso, o equipamento compete com similar vertical, cuja fabricação é mais cara. Com uma subsidiária em Pomerode-SC, a Netzch sugere que o filtro pode vir a ser fabricado no Brasil, mas, por enquanto, não confirma a possibilidade. 

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