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Terceirização de serviços e tecnologia melhoram perspectivas do mercado
Empresas de gerenciamento de resíduos industriais passam a ofertar serviços globais de
terceirização, os chamados TWMs, ao mesmo tempo em que aumentam as alternativas tecnológicas
de destruição do lixo industrial
MARCELO RIJO FURTADO
Apesar de ainda bem longe do ideal em gerenciamento de resíduos industriais, alguns movimentos de modernização do mercado brasileiro têm conseguido aplacar um pouco as previsões mais críticas e catastróficas. Se ainda 70% das quase 3 milhões de toneladas anuais de resíduos são dispostos inadequadamente em lixões ou em qualquer lugar, pelo menos em termos de oferta de alternativas corretas para destinar e destruir resíduos, e de empresas especializadas em gerenciamento, o País começa a ficar bem servido. Além da boa disponibilidade de unidades de incineração, co-processamento e de aterros especiais para resíduos classe 1 e 2, crescem os pedidos de licenciamento de novas operações e sistemas de tratamento e nota-se uma evolução nos tipos de serviços disponíveis no mercado.
Uma tendência modernizadora em curso nas principais empresas de gerenciamento de resíduos é a oferta dos serviços de TWM (total waste management) ou, em português claro, gerenciamento global de resíduos.
Experiência muito difundida em países desenvolvidos, trata-se da terceirização completa dos serviços de manuseio, acondicionamento, armazenagem, reciclagem e destinação de toda a gama de resíduos, desde os recicláveis de escritório até os mais perigosos, em unidades industriais ou outros estabelecimentos de porte.
Novidade no Brasil, os gerenciadores lentamente começam a fechar contratos importantes de TWM e, de maneira ininterrupta, fazem propostas a todos os tipos de possíveis clientes, nos mais variados setores, entre eles o químico e o petroquímico.
Nessa primeira fase do TWM, as empresas de gerenciamento preparadas são as mais verticalizadas, com estruturas que englobam não só o gerenciamento técnico-comercial, bem como a mão-de-obra de operação e até as tecnologias de destinação, em parcerias, ou mesmo com incineradores, usinas de blendagem de resíduos para co-processamento e aterros próprios. Isso sem falar que, por pertencerem a megagrupos empresariais, também têm condições de financiar obras e oferecer operações do tipo BOT (build, operate and transfer).
Com esse perfil verticalizado, há três grupos impulsionando a tendência do gerenciamento global: Vega, da francesa Suez; Cavo, da empreiteira Camargo Corrêa; e a Resicontrol/Onyx, da também francesa Veolia (que até 30 de maio de 2003 se chamava Vivendi Environnement). Seguindo o movimento, há outras empresas com estratégias de ampliação de oferta de serviços de gerenciamento, como a Tribel, de Belford Roxo-RJ, joint-venture entre a Bayer e a francesa Tredi. Além dos seus serviços tradicionais de incineração e destinação em aterro classe 1, a Tribel passou a operar com co-processamento em fornos de cimento e inicia operações TWM. Há ainda grupos de menor expressão, como a Silcon Ambiental, de São Paulo, que seguem rota semelhante de diversificação. Antes essa empresa atuava apenas com incineração e recentemente anunciou que entrará no mercado de co-processamento.
Filosofia – A filosofia do TWM é a mesma de qualquer serviço de terceirização ou quarteirização (quando um gestor administrativo terceirizado contrata outro prestador de serviço): permitir ao cliente concentrar-se no seu core-business, na produção, deixando as operações marginais de utilidades (água, energia e meio ambiente) nas mãos dos especialistas. As vantagens apontadas também são as mesmas. Em primeiro lugar, o custo com as utilidades tem grande chance de cair, porque as gerenciadoras possuem escala para barganhar compras, fretes e destinações de resíduos, entre outros aspectos considerados. Além disso, em termos tecnológicos, a qualidade do gerenciamento pode melhorar, porque os prestadores de serviços possuem maior rol de contatos e informações ligadas ao meio ambiente industrial.
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Não é por acaso que os serviços de terceirização em resíduos, pelo menos nessa primeira fase, sejam ofertados mais por grandes empresas. Além do fato de possuírem estrutura verticalizada, podendo atender quase todas as demandas de tratamento de resíduos, pesa muito a favor delas a garantia de responsabilidade ambiental. Afinal de contas, depois de assinado o contrato, o cliente quer ter certeza de que não correrá o risco de entregar a um terceiro um serviço com séria possibilidade de lhe complicar com a Justiça. “Podemos absorver qualquer risco, incluímos cláusulas que nos obrigam pagar até multas e ainda possuímos seguro ambiental para acidentes provocados em nossas operações para clientes”, explicou o diretor comercial da Resicontrol/Onyx, Leon Tondowski. |
Cuca Jorge |
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| Leon: TWM deve incluir seguro ambiental |
Para o diretor, esses detalhes importantes do contrato, que tornam o gerenciador co-responsável pelas operações de TWM, devem ser os principais aspectos levados em conta quando uma indústria resolver optar pela terceirização. Esses cuidados compreendem a escolha certa do tipo de empresa com que se pretende trabalhar. “Não adianta contratar um consultor de gerenciamento, por mais especializado que ele seja, pois ele nunca terá condições estruturais e muito menos financeiras para arcar com um eventual problema”, alertou Tondowski. O alerta do diretor se baseia na constatação de haver um boom no mercado ambiental de oferta de serviços de consultoria e de pequenas empresas de gerenciamento. “Esse negócio é muito arriscado para entregar nas mãos de qualquer um”, conclui.
Rumo ao TWM – A trajetória da Resicontrol/Onyx no Brasil serve como bom exemplo do desenvolvimento dos serviços de TWM. Desde que a unidade de blendagem para resíduos para co-processamento da nacional Resicontrol, de Sorocaba-SP, foi adquirida no final da década de 90 pelos franceses da antiga Vivendi, atual Veolia, a intenção foi criar uma superestrutura para atender todas as necessidades de destino e manipulação. A seguir, houve a compra do Aterro Sasa (ver QD-387, outubro de 2000), de Tremembé-SP, equipado com células para aterro doméstico e industrial (classe 1 e 2), então de propriedade dos americanos da Waste Management International. Na mesma linha de aquisições, a empresa passou a contar com a transportadora Intranscol, especializada em logística interna de resíduos e também em transporte externo.
Além das negociações locais, a empresa ainda conta com outras ramificações anteriores, de empresas pertencentes ao grupo Veolia, e que cooperam com a prestação do serviço TWM. Uma delas é a Veolia Water, com subsidiária atuante no Brasil no fornecimento de sistemas e equipamentos para tratamento de água e efluentes, cujos serviços podem ser úteis para projetos de replanejamento e de obras novas. Há ainda a Dalkia, especializada em energia, infra-estrutura e em serviços de mão-de-obra; também a Tecori, para descontaminação e tratamento de ascarel; e a Proactiva (joint-venture da FCC com a Veolia), proprietária do aterro Formacco, em Florianópolis-SC, que recebe resíduo classe 3, hospitalar e possui depósito temporário de classe 2 e 1.
Apesar do diretor Tondowski afirmar fazer parte dos planos de curto prazo ofertar soluções térmicas diferenciadas para destruição de resíduos, a única tecnologia não disponível dentro do grupo é a de incineração. Mas, para suprir a lacuna, o grupo conta com acordo comercial com a Cetrel, da Bahia, detentora de três incineradores em operação. Essa alternativa visa principalmente a queima de organoclorados e outros resíduos perigosos (ascarel, pesticidas). Por esses fornos não incinerarem resíduos contendo metais pesados, essa demanda é atendida por outro acordo comercial, com a empresa Suzaquim, de Suzano-SP, especializada em recuperação de metais e de solos contaminados.
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