Resumidamente, as composições das três argilas claras são assim apresentadas pela CBPM: 

1) O caulim básico (G1), apesar da desvantagem de ser “muito pouco plástico”, e até considerado semi-plástico, em qualquer circunstância proporciona a cor clara na tonalidade mais desejável, a branca ou mesmo alva. Parte da necessária plasticidade pode ser obtida mediante adição de caulinita de várzea, a argila classificada de (G3), desde que apresente teor de Fe2O3 abaixo de 8,7%, ou de argilas cerâmicas do tipo ball clay. O caulim básico é encontrado principalmente no município de Sauípe, na borda leste da Bacia do Recôncavo;

2) A caulinita formacional (G2), graças à presença de sílica livre e de grãos mais finos de quartzo (entre 1% e 36%) tem a vantagem de ser mais plástica do que o caulim básico. Mas é apenas “predominantemente clara”, pois, em determinados bolsões, apresenta listras vermelhas, sinais de hidróxido de ferro. “Os tipos mais claros possibilitam aplicações idênticas às da argila do grupo G1”. É encontrada principalmente nos municípios de Camaçari e Itanagra;

3) A caulinita plástica de várzea (G3) depois de queimada apresenta, predominantemente, tonalidades entre bege e amarelo claro. “Torna-se avermelhada nas poucas vezes que o teor de Fe2O3 chega a 8,7%”. A plasticidade é considerada alta para uma caulinita, característica proporcionada pela granulometria abaixo do esperado. Contém, a depender do depósito, 6% a 38% de areia fina de quartzo. É encontrada nas várzeas de numerosos rios.
A caulinita formacional e a caulinita plástica de várzea são também matéria-prima de telhas claras, produto da moda que a Bahia importa principalmente de Santa Catarina e de Estados do Nordeste, ressalta a CBPM. A plasticidade mais elevada que estas duas argilas apresentam em relação ao caulim básico possibilita tal aplicação. 

Revestimentos grés também podem ser parcialmente feitos com massa vermelha, hipótese que eleva as outras três argilas do Recôncavo – G4, G5 e G6 – à condição de matéria-prima complementar para peças claras. A possibilidade do uso controlado de certas argilas vermelhas, na condição de fundentes leves e de insumo que eleva a plasticidade da argila clara, também é apontada pela CBPM. Com tal propósito, a Céramus Bahia põe, na formulação do revestimento grés, 30% da argila G4 (illita formacional fundente) cuja cor varia do verde ao avermelhado claro. Traz tal argila do município de Alagoinhas, a cerca de 50 quilômetros da fábrica de Camaçari. 

A característica fundente da G4 deve-se à presença média de 60% de illita, mineral que além de plastificante reduz a porosidade e assim assegura baixa absorção de água.
As outras três argilas, G4, G5 e G6, são, também resumidamente, assim apresentadas: 

4) A illita formacional fundente (G4), com acentuada característica fundente e plasticidade relativamente alta, apresenta, depois da queima, cores desde vermelha até marrom escura (média de 5,5% de Fe2O3). A presença média de 60% de illita responde pela propriedade fundente. Apresenta também boa conformação, boa resistência mecânica a seco, retração relativamente baixa e acentuada vitrificação “após queima a 1.200 oC”. É utilizada, como argila fundente plástica, em produtos cerâmicos de queima avermelhada, a exemplo de revestimentos semiporosos, telhas e blocos. Em proporções controladas, pode ser utilizada na fabricação de revestimentos do tipo grés. É de ampla distribuição na Bacia do Recôncavo;

5) A illita-esmectita formacional plástica (G5) é também fundente, apresenta os mesmos 60% de illita da G4 mas distingue-se devido à presença de esmectita, que impõe elevada plasticidade. É de ótima moldagem, boa resistência mecânica a seco e alguma retração à secagem. Mas a CBPM reconhece: “mesmo com boas características fundentes e plásticas, tem o uso limitado em massas cerâmicas devido aos altos teores de MgO, responsáveis pelo fenômeno da eflorescência”. Pode ser usada como plastificante na composição de produtos avermelhados. Ocorre em camadas em vários pontos do Recôncavo.

6) A argila mista de várzea (G6) é uma “argila misturada” (cerca de 40% de caulinita e 40% de illita) e teor médio de 8% de Fe2O3. É plásticia e fundente “o suficiente para ser utilizada com freqüência, sem outras misturas, na fabricação de blocos, telhas e outras peças de queima avermelhada”. Pode ser usada também na composição de massas de revestimento semiporosos e alguns do tipo grés, “menos restritivos à queima vermelha. Além da cor, apresenta outra restrição: a relativamente alta retração à secagem após queima. É encontrada em abundância, principalmente nas várzeas dos rios Joanes, Pojuca e afluentes.

O presidente do Sindicato da Indústria Cerâmica (Sindcer), Jamilton Nunes da Silva, acredita que há viabilidade, no Pólo Cerâmico do Recôncavo para um dos ramos da chamada cerâmica estrutural, “o que produz coisas de valor agregado razoavelmente alto”. Cita, como exemplo, a telha esmaltada, que exige a bi-queima, e o “elemento furado”, como chama o bloco cujos furos formam cavidades verticais dentro da parede, bloco este que permite construir prédios de até quatro pavimentos sem necessidade da estrutura armada de ferro e cimento. “Seriam bem colocados no mercado externo”. A oferta de gás natural impulsionará tal ramo, acredita. Jamilton é dono de uma cerâmica de blocos e telhas: a Limoeiro. 

Em princípio, a presença da cerâmica estrutural no Pólo do Recôncavo não foi considerada prioritária devido à circunstância de que tijolos, blocos e telhas na Bahia procedem quase sempre de pequenas olarias que se abastecem em lavras clandestinas, usam processos artesanais e fornos supridos por restos de reflorestamento e resíduos agrícolas, como o bagaço descartado no beneficiamento do dendê. “Esta é a única energia menos dispendiosa do que a do gás natural”, explica o geólogo Valter Mônaco. Mercado local entretanto existe. Na Região Metropolitana de Salvador (RMS), revela a CBPM, a demanda por cerâmica estrutural gira em torno de 600 milhões de peças/ano e a produção não passa de 250 milhões. Cerca de 80% das telhas vendidas na RMS procedem de outros estados, avalia também a CBPM.  Coopercom / Luiz Poy
Mônaco: pequenas olarias queimam bagaço de dendê

Fundentes – Um estudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) feito para o governo da Bahia ressalta que por se tratar de uma das poucas fontes de metais alcalinos não-solúveis em água, os feldspatos (alumino-silicatos) são os fundentes mais empregados em massas cerâmicas brancas ou claras. Em seguida, e principalmente na condição de substitutos, estão o granito e outras rochas granitóides, o pegmatito, o filito e o calcário. “Adicionalmente, outras matérias-primas, como talco e carbonato, podem atuar como fundentes em pequenas proporções”, aponta o IPT.

Ocorrências de feldspato “praticamente puro” para suprir o Pólo do Recôncavo são apontadas nos municípios de Castro Alves, no próprio Recôncavo; Itambé, no Sudeste do Estado; e na Chapada Borborema (RN e PB). E rochas feldspáticas, que podem ser usadas in natura ou beneficiadas, são encontradas em quatro municípios do Sul da Bahia – Camacã, Guaratinga, Medeiros Neto e Mucuri, – além de Lagoa Real, em outra região. Há também ocorrências de areias feldspáticas no Sul do Estado.

O estudo do IPT revela que a Céramus Bahia (Grupo Eliane) usa, como fundentes, filitos e dolomitos trazidos de Sergipe e talco das minas de Brumado, a 700 km de Salvador. O filito, uma rocha predominantemente clara composta de sericita, caulinita e quartzo é encontrado também no Sul da Bahia, em Mascote e São João do Paraíso. O dolomito (carbonato de cálcio e magnésio) e dois outros fundentes (calcita e calcário) são obtidos de rochas carbonáticas, que estão presentes em nove minas: sete na Bahia; uma em Sergipe; e outra em Alagoas. 

BAHIA CONSTRÓI DUTOS PARA USAR MAIS GÁS

São de 56,8 bilhões de m³ as reservas de gás na Bahia, 30 bilhões de m³ dos quais contidas nos históricos depósitos on shore do Recôncavo que, juntamente com a corrente procedente de Sergipe, suprirão inicialmente o gasoduto Candeias–Feira de Santana. O restante do gás está nas reservas marítimas de Camamu Norte (20 bilhões de m³); Camamu/Almada (3 bilhões de m³) e Cumuruxatiba (3,8 bilhões de m³). 


fonte: Cia. Baiana de pesquisa mineral - CBPM

O gás de Camamu Norte deverá ser também conduzido para as estações processadoras da Petrobrás situadas nos municípios de Candeias e Catu, ou para outras que sejam construídas no Recôncavo. Nas estações, a Petrobrás recupera, na forma líquida, as moléculas de propano e butano, que formam o GLP, e os hidrocarbonetos mais pesados. E, cumprindo determinação constitucional, entrega as restantes frações – metano e etano – à Bahiagás, empresa de economia mista criada em 1991 e controlada pelo governo da Bahia que inclui a Petrobrás, através da Gaspetro, como acionista. (A Constituição de 1988 transferiu para os Estados o direito de distribuir o gás canalizado, mediante concessão). 

É a Bahiagás que promete concluir até dezembro a implantação do gasoduto entre Candeias e Feira de Santana, passando pelos municípios de Santo Amaro e Conceição do Jacuípe. As obras físicas estão prestes a ser iniciadas. Promete também, logo depois, construir um gasoduto entre Catu e Alagoinhas. Os dois gasodutos são considerados estratégicos pelo governo da Bahia para atrair para o Recôncavo projetos nas áreas metal-mecânica, metalúrgica, agroindustrial, de papel e celulose, e cerâmica. 

A maior parte das empresas do Centro Industrial de Aratu e de Camaçari já usam gás natural como substituto do óleo combustível, com tarifas cerca de 25% menores do que as do gás que procede da Bolívia, dolarizado. Atualmente, a Bahiagás distribui 3,7 milhões/dia de m³. Para receber o gás e o distribuir às empresas, dispõe de city gates em Aratu e Camaçari. A tarifa é determinada pela agência reguladora. 


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