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Clientes querem ganhar eficiênciab para cortar custos
MARCELO FAIRBANKS
Preço elevado dos combustíveis fósseis faz a demanda pela queima de biomassa aumentar, e também torna os clientes
mais atentos à eficiência dos equipamentos térmicos, nos quais pequenos ganhos
se traduzem em grande economia a longo prazo.
Os compradores de equipamentos térmicos tentam conciliar economia a longo prazo, pela redução do consumo de combustíveis, com a economia imediata no custo de aquisição. Fiéis ao aforismo de John M. Keynes, pelo qual todos estaremos mortos no longo prazo, muitos embasam a escolha do fornecedor pelo peso imediato no caixa da empresa, acrescido dos juros e correção monetária oriundos dos financiamentos bancários. No entanto, ganhos mínimos de eficiência do sistema são capazes de justificar o gasto de alguns milhares de reais a mais no preço de compra, recuperáveis em poucos anos de operação. Isso sem mencionar a necessidade de enquadramento nos limites legais de emissão de particulados e poluentes, como os óxidos de enxofre (SOX) e nitrogênio (NOX).
O preço dos combustíveis segue alto, ainda que o dólar tenha perdido valor frente ao real e a guerra contra o Iraque não mias provoque temores quanto às cotações internacionais do petróleo. Mantida a política de preços internacionais, restou aos consumidores industriais buscar alternativas para redução de custos. No caso das caldeiras, a queima de biomassa (lenha ou resíduos, como o bagaço) tornou-se opção preferencial, onde for disponível o material.
Divulgação

Caldeira de 4 passes tem chaminé na frente
“Quase 80% da demanda atual é representada pelas caldeiras a lenha”, comentou Eder Douglas de Moraes, diretor industrial da Steammaster, fabricante de caldeiras desde 1974 em Varginha-MG. “Quem não tem lenha precisa ter gás natural.” Ele considera a possibilidade de, em poucos anos, o preço da lenha aproximar-se dos combustíveis hidrocarbonetos e já prepara a indústria para fornecer equipamentos voltados para a queima de líquidos e gases. “Porém, nas condições atuais, mesmo que a lenha dobre de preço, o custo de sua utilização para a mesma geração de vapor ainda será um terço da queima de óleo BPF”, calculou.
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“O uso de óleo combustível chega a ser quatro vezes mais caro que o de lenha”, estimou Lourenço J. Andrade, do departamento comercial da Aalborg, empresa que comprou, em 2000, a líder de mercado ATA Combustão Térmica, antes controlada pelo grupo Mitsubishi. A relação histórica entre os combustíveis sempre foi de 2:1, a favor do vegetal. |
Cuca Jorge |
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| Andrade: fusão ampliou acesso à tecnologia |
| Cuca Jorge |
“A lenha precisa ser muito barata para compensar a dificuldade de manuseio e o custo da cadeia logística, que limitam a sua aplicação”, comentou Caio Henrique Eboli, representante comercial da Aalborg e consultor, por meio da Consultherm. Distantes da lenha e das linhas de distribuição de gás natural, consumidores de grande porte procuram consumir óleos mais viscosos para reduzir custos. |
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| Eboli: eficiência térmica chega a 95% |
O panorama de mercado é semelhante nos aquecedores de fluidos térmicos. A demanda por equipamentos que consomem biomassa já supera à de óleo combustível, perdendo apenas para o gás natural. “No nosso caso, os aquecedores a biomassa também podem usar óleo ou gás, sem grandes alterações”, afirmou Joaquim Luiz de Barros, diretor-superintendente da empresa.
A fornalha de biomassa é colocada sob o aquecedor, em cujo topo pode ser alojado um queimador para óleo ou gás. Segundo o superintendente, a venda de equipamentos térmicos ampliou sua participação no faturamento da Konus-Icesa, onde compete com projetos de equipamentos para siderurgia, segmento econômico muito ativo no País há alguns anos. “De julho de 2002 para cá, a área térmica está respondendo por 50% do faturamento”, comentou, ressaltando tratar-se, em ambos os casos, de produtos fabricados sob encomenda, portanto sujeitos a sazonalidades.
Os fabricantes de queimadores industriais vivem um período de “ressaca” das fortes vendas de equipamentos para gás natural. “A maior disponibilidade do gás oriundo da Bolívia, embora tenha atraído um grande número de novos fornecedores de baixo custo, permitiu que 2001 fosse o melhor ano em mais de três décadas de atuação da empresa no País”, afirmou Carlos Rico, gerente comercial da Weishaupt do Brasil.
| Já os resultados de 2002, pressionados pela ansiedade pré-eleitoral e pela evolução da taxa de câmbio, que encareceu alguns componentes, não foram tão bons. “As vendas de janeiro de 2003 foram boas e a expectativa da guerra do Iraque brecou os negócios em fevereiro, mas o ano deve repetir o desempenho do anterior”, avaliou. Com a protelação dos investimentos, a participação da área de manutenção dos mais de 10 mil queimadores da marca instalados no País nos negócios da empresa torna-se mais significativa. |
Cuca Jorge |
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| Rico: óleo diesel substitui o caro GLP |
Comparando os resultados de 2002 com os de 2001, a Weishaupt registrou venda 52% maior de queimadores de óleo combustível, enquanto a de equipamentos para gás (natural e GLP) apresentou queda de 51%.
| Cuca Jorge |
Nas linhas de óleo, as vendas se distribuíram em 33% para viscosos (pesados) e 57% para o diesel, este muito procurado para substituição do GLP. “Os queimadores de óleo leve (diesel) são eficientes, emitem baixos teores de particulados e de NOX”, explicou Johann Braun, diretor-geral da empresa no Brasil. |
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| Braun: sonda de O2 amplia eficiência |
Nos queimadores a gás, a queda nos produtos a GLP chegou a 57%, contra 38% dos a gás natural. “O GLP está caro demais, e o gás natural ainda não conta com uma política de preços bem definida, com variações regionais significativas, capazes até de inviabilizar seu consumo”, disse Rico.
“Já tivemos encomendas para converter geradores de vapor a bagaço de cana-de-açúcar para usar óleo pesado ou gás natural”, comentou José Roberto da Silva, diretor-técnico da Kei-Tek Equipamentos Industriais. Embora o bagaço seja muito mais econômico, atualmente ele encontra vários usos, como alimentação animal, por exemplo, e pode tornar-se escasso. “Nesse caso, colocamos uma lança retirável, sem modificar o desenho da caldeira, permitindo usar o bagaço, quando disponível.”
Embora ofereça linha ampla de queimadores, desde pequenos monoblocos a partir de 50 mil kcal/h, a Kei-Tek concentra negócios nos equipamentos de grande porte, em especial com óleos mais viscosos que o 3A. “Com gás natural, temos vantagens a partir de um milhão de kcal/h”, informou o diretor, confirmando a tendência de substituição dos óleos combustíveis. “Alguns clientes optaram por modelos bicombustíveis, com linhas de óleo diesel junto com o gás; outros nem deixaram no lugar a linha de alimentação de óleo”, afirmou.
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A Kei-Tek se destaca pela busca de altos índices de nacionalização de seus produtos. “Com o dólar caro, a importação afasta os clientes”, comentou o diretor-superintendente Koitsi Tokunaga. A empresa conta com contratos de licenciamento tecnológico com empresas internacionais como a Bloom (para siderurgia), Cuenot (queimadores monobloco) e Rotam (bombas de deslocamento positivo), mantendo a importação de alguns itens mais competitivos. “É importante contar com parceiros nos bons e maus momentos”, afirmou.
Além disso, a empresa conta com o apoio de um consultor internacional, com grande experiência profissional junto a grandes fabricantes mundiais de equipamentos. |
Cuca Jorge |
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| Tokunaga: dólar caro anima produção local |
“Há consultores no Brasil de alto gabarito, mas o mercado muitas vezes prefere um nome estrangeiro”, afirmou. Com o apoio desse especialista, a Kei-Tek – nascida Ipem/Bühler-Miag, na década de 1960, passou ao controle da alemã Kloeckner, em 1977, e depois da norte-americana Tek, em 1996, voltando a contar com sócios nacionais a partir de 1998 – conseguiu desenvolver queimadores a gás para exportação, operando com níveis de emissão abaixo do limite estabelecido pelas normas dos EUA. “Temos certificação ISO 9000, Petrobrás e INPI”, disse. “É um custo a absorver, porque o nosso perfil de clientes exige essas qualificações.”
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