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Tecnologia para exportar – A modernização envolveu todos os elos da cadeia têxtil, a partir das melhorias genéticas introduzidas nas sementes do algodão, agora mais resistentes às pragas. A colheita, antes manual, tornou-se mecânica. Aperfeiçoaram-se os descaroçadores e as fibras. Encurtou o processo produtivo. Melhoraram as linhas de produção nas fiações. Nas tecelagens, foram substituídos os velhos teares de lançadeiras por equipamentos eletromecânicos, informatizados, à base de jato de ar, projétil e pinça.
A química não ficou de fora da onda modernizante. A tecnologia avançou no acabamento das malharias com a
aplicação de corantes, processos de acabamento econômicos, modernos,
diferenciados. Buscou-se compatibilizar as fibras químicas com as naturais em produtos inovadores. Os tecidos made in Brazil nada mais ficam a dever aos melhores do mundo, nossos produtos desfrutam de ampla aceitação no
mercado externo.
“A tendência natural é a exportação. Para isso, nos adequamos às normas internacionais”, diz Napoli. Para ele, a parte mais intensa das transformações passou. O trabalho penoso e difícil, a mudança da visão empresarial e
governamental, em busca de produtividade, produtos mais baratos e tecnologia, foi uma etapa ultrapassada.
Segundo Ivan Bonomi, gerente da Unidade de Negócios Têxtil da Basf, fabricante de dispersão pigmentárias para a estamparia têxtil, houve um esforço de diferenciação por meio da oferta de produtos de tecnologia
avançada. Isso ocorreu muito nos agentes de pré-tratamento, a base de todas as etapas do processo de acabamento têxtil. A Basf produz uma linha de 23 produtos e processos para pré-tratamento, em desengomagem, esfrega, alvejamento e merceirização. Os agentes de
engomagem e graxas têxteis aplicados ao fio evitam rupturas na tecelagem, ganhando altíssimo padrão de qualidade. A Basf fabrica oito produtos nesta linha.
Em químicos de performance (24 produtos), a Basf destaca o uso dos auxiliares de tinturaria e agentes
redutores, que “aumentam a segurança oferecendo melhor reprodutibilidade e
eficiência na produção contínua”. O objetivo: fazer “correto na primeira vez”, evitando os lotes estragados. O portfólio de estamparia têxtil da Basf oferece toda a linha (13 produtos) de auxiliares básicos. “Nossos produtos garantem alta qualidade de estampagem têxtil e alto grau de segurança do produto. Além disso, pode-se adquirir efeitos especiais de
estampagem usando-se nossos auxiliares”, afirma. As preparações
pigmentárias completam a linha de produtos da Basf.
Segundo Bonomi, a demanda por químicos no Brasil tem crescido muito nos últimos anos. As exportações se mantiveram estáveis enquanto as
importações cresceram. A indústria têxtil brasileira, cuja produção era mais voltada para o mercado interno, tem procurado o mercado externo.
Recentemente, esclarece o gerente da Basf, o governo federal, a Abit e a CEE firmaram um acordo
autorizando a eliminação das cotas de exportação, o que abre as portas para maior atuação da indústria brasileira. “O significativo avanço na qualidade dos produtos têxteis também
contribuirá para o crescimento”.
A Abiquim reafirma: a realidade vem proporcionando às indústrias nacionais, com boa tecnologia e competência, a conquista de novas fatias de mercado, no Brasil e na América Latina. As indústrias nacionais envolvidas no processo são a Chimical S/A (corantes), Bann Química
(corantes), Cleomar (pigmentos), Enia (corantes e alvejantes óticos), Inpal
(pigmentos) e Multicel (pigmentos).
Vanguarda tecnológica – O desempenho de algumas indústrias químicas comprovam o sucesso do setor têxtil. A Inpal S.A. Indústrias Químicas
comemorou 42 anos de vida em dezembro como uma das principais empresas voltadas às especialidades químicas, principalmente em têxteis. A produção integrada de produtos químicos
auxiliares no processamento têxtil, da matéria-prima ao produto acabado, se baseia em forte serviço técnico e
desenvolvimento contínuo de produtos e processos nas linhas de engomagem, preparação,
acabamento e estamparia de tecidos.
Segundo Manoel Moysés Zauberman, diretor-presidente da Inpal, as metas de
crescimento da empresa foram estrategicamente planejadas. O balanço de 2002 mostra crescimento de 15% em relação a 2001. Para 2003, a perspectiva é de que o crescimento seja maior, 20% a mais que neste exercício. Os números: 25 mil toneladas de produção com faturamento na casa dos US$ 20 milhões.
“Acreditamos que as atividades agroindustriais e de química fina, mais os setores que atendemos em têxteis, papel e petróleo tendem a crescer significativamente em futuro próximo, especialmente nas exportações e na substituição das importações”, diz. Na unidade multipropósito, na sede carioca, em Campo Grande, estão as áreas administrativa e comercial e os
laboratórios de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Trata-se da área de síntese e reações químicas, com capacidade de produzir 500 t./mês de preparação/tinturaria, 400 t./mês de acabamento e 80 t./mês de pigmentos e
estamparia.
Em São Tomé (PR), na unidade de produção de amidos quimicamente modificados, da produção total de 2.500 t./mês, 500 t. são de têxteis. A unidade Indaial-SC produz formulações para indústrias da região sul: 300 t./mês são de produtos auxiliares para beneficiamento,
tinturaria e acabamento.
“A Inpal desenvolve continuamente produtos e processos, contratos de transferência de tecnologia, acordos de cooperação técnica com entidades de inovação tecnológica. nacionais e internacionais”, anuncia o presidente da companhia. Entre outras inovações, cita compounds para engomagem de fibras naturais e sintéticas (1970), acabamentos espumáveis (1980), emulsões de silicone (1969), emulsões de polietileno (1970), carriers para tingir poliéster (1970), carriers ecológicos (1998), amidos eterificados (hidrossolúveis) (1996), carboximetil de mandioca eterificado – goma hidrossolúvel e reciclável,
sistemas de pigmentos sintetizados (1980) e produtos para preparação e tinturaria de alta eficiência, biodegradáveis (2002).
Em São Tomé, onde produz os amidos modificados, as linhas são totalmente integradas, do produtor da raiz da mandioca ao usuário final, a indústria têxtil ou de papel. Segundo Zauberman, a produção da fécula, após o descascamento, desfibração e
desintegração da raiz da mandioca, resulta numa solução concentrada de amido (40%) processados em reatores com até 80.000 litros com reagentes químicos. “O processo resulta em amidos
eterificados, carboxilados, cationizados, anfotéricos, acetilados. São biopolímeros utilizados na engomagem têxtil ou produção papeleira. Os resultados são de alta eficiência e qualidade”, explica. A Unidade de Indaial acaba de ser
reestruturada para oferecer produtos e serviços à altura de indústrias têxteis como a Teka, Karsten, Dohler, Malwee e Budmeyer, entre outras.
O grupo Inpal começa a conquistar o mercado externo. As especialidades têxteis e de papel entram em vários países da América do Sul, África e da Ásia. O empresário estima que as exportações cheguem a 150 t./mês. “O estímulo à produção gera mais empregos e melhora a competitividade. A
conquista de novos mercados é muito encorajadora. Temos os novos acordos comerciais econômicos regionais, como a Alca, que podem incrementar
substancialmente a criação e penetração em novos e atrativos mercados para os têxteis e manufaturados brasileiros’, acredita Zauberman.
Incorporações e fusões – A modernização em fibras e filamentos químicos envolveu incorporações e fusões dos gigantes no ramo. A união da Rodhia com a Hoechst, originou a Unifai, grande fabricante de viscose. Em náilon, há a Fibra-Du Pont, sediada em Americana, vizinha à Polyenka. Todos fabricantes de fibras e filamentos como viscose, poliamidas, poliéster, acrílicos,
elastanos, polipropilenos. A Alpagartas juntou-se à Santista, em processamento têxtil. A Teka adquiriu a Texcolor. A Coteminas incorporou uma série de empresas menores.
| José Augusto Cindio |
O grupo Vicunha, atuante em toda cadeia têxtil, segundo Eduardo
Rabinovich, vice-presidente do conselho de administração, apresentará um
faturamento (R$ 1,4 bilhão) 10% maior no balanço de 2002. O grupo emprega 13 mil pessoas em 14 fábricas localizadas em Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Bahia e nas cidades de Itatiba, Americana, São Manoel e Amparo, no estado de São Paulo. A Vicunha produz desde fibras, filamentos e fios até confecção de tecidos de algodão e sintéticos. |
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| Rabinovich vai faturar 10% a mais |
“Os grandes fatores de diferenciação são o tingimento e o acabamento, com a aplicação de
resinas, até a lavagem. A grande evolução do setor se deu por meio do
acabamento e tingimento, o coração da indústria têxtil”, explica
Rabinovich.
Os químicos experimentaram uma rigorosa dieta operacional. Sobraram cinco dos 18
fabricantes de corantes que existiam no mercado interno. Desapareceram 300 no exterior. Além do
enxugamento do pessoal, com extinção de cargos, funções e profissões, as fábricas brasileiras optaram pela venda de serviços. O ajustamento levou a Enia, de Itupeva, a operar com capital limitado por causa dos aumentos dos custos em dólar.
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