PÓLO GAÚCHO CONSEGUE REVERTER
OS PREJUÍZOS DO INÍCIO DO ANO


FERNANDO DE CASTRO

A “A RRR deriva das duas reavaliações dos ativos da Copesul, ocorridas nos anos de 1983 e 1989, cujo valor desde então é computado no resultado da empresa”, explica o diretor de relações com o mercado Bruno Piovesan. “Acrescente-se que o resultado de R$ 10 milhões está negativamente influenciado por uma despesa de R$ 31,7 milhões, decorrentes do diferimento por três exercícios da variação cambial de 2001.” 

As operações de hedge” con­duzidas até setembro evitaram perdas de R$ 427,8 milhões. Nos nove meses, a dívida líquida da empresa foi reduzida de R$ 258 milhões, caindo de R$ 1,1 bilhão, ao final de 2001, para os atuais R$ 842 milhões. Até junho, a 
Copesul havia registrado resultado negativo de R$ 11 milhões. O resultado se refere ao prejuízo societário de R$ 23,5 milhões, acrescido da RRR, livre de impostos, de R$ 12,5 milhões. Embora negativo, o resultado do primeiro semestre foi superior ao do mesmo período do ano passado, quando a Copesul apresentou prejuízo de R$ 77,3 milhões (também após a RRR e antes das destinações). 

Mesmo assim, Piovesan adverte que o setor petroquímico brasileiro enfrenta dificuldades. No caso da Copesul, em que 70% dos ganhos provêm dos negócios com propeno e eteno, existem agravantes. Com a paralisação da atividade industrial na Argentina, a empresa gaúcha praticamente suspendeu os negócios com o país vizinho, onde colocava quatro cargas semanais de eteno e propeno, transportadas por seus navios. Para piorar, ganhou a concorrência da unidade da Dow Química em Bahía Blanca, que redirecionou sua produção para o Brasil. 

Como a Copesul mantém acordo de compartilhamento de margem de lucros com seus clientes da segunda geração do Pólo Petroquímico de Triunfo, a concorrência agressiva oferecida pela Dow argentina, certamente prejudicou os resultados da empresa e do conjunto de sua cadeia produtiva. Piovesan diz ainda que a queda sucessiva da renda no Brasil é outro fator que impede um crescimento expressivo do setor petroquímico. “O carro-chefe da indústria de transformação são as embalagens de alimentos, e o brasileiro vem comprando menos comida nos últimos anos”, reclama. Numa situação dessas, torna-se impossível repassar as majorações de custos, advindas da desvalorização cambial, para o preço final dos produtos. “Nós comprávamos a nafta a um dólar por um real. Agora, o produto sai por quase quatro reais por dólar”, informou Piovesan.

Outro problema consiste na amortização dos investimentos realizados no Rio Grande do Sul para a duplicação da cadeia produtiva do pólo petroquímico. A própria Copesul foi ampliada. O endividamento foi todo feito em dólares, por meio de financiamentos internacionais, em um período no qual a moeda brasileira estava até valendo mais do que a norte-americana. Com a desvalorização do real frente ao dólar, essa dívida de longo prazo quadruplicou. “As empresas investiram em dólar porque não havia recursos no Brasil”, explicou. 

De acordo com Piovesan, a Copesul compensou a queda dos negócios de eteno e propeno com as vendas do butadieno, que está faltando no mercado e por isso valorizado. Outros produtos que estão gerando bons ganhos são os aromáticos como o benzeno, o tolueno e os xilenos mistos, empregados na indústria de tintas e solventes. 

Com tudo isso, os sinais de recuperação ocorrem também na produção. No começo do segundo semestre a Copesul voltou a ocupar melhor suas duas unidades. A ocupação média da capacidade instalada de produção no primeiro semestre de 79,5%, contra os 88% verificados no mesmo período de 2001. A queda da média decorreu do baixo nível operacional observado no primeiro trimestre de 2002, ligado à conjuntura de mercado desfavorável. Mas também deveu-se à parada inesperada da Planta 1 durante 15 dias, em abril, causada por problemas técnicos, derrubando o nível operacional da Copesul para modestos 60%. A despeito disso, as primeiras semanas de outubro indicavam crescimento da demanda de eteno e propeno.

O presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, enxerga um cenário de recuperação do setor petroquímico, com ligeiro crescimento no volume de vendas nos últimos três meses. Há o impacto significativo gerado na desvalorização do real com relação ao dólar. “O aspecto positivo é que a cadeia produtiva do plástico voltou a crescer em 10% no terceiro trimestre de 2002”, comemora. No seu entender, há um ciclo de retomada do crescimento no conjunto da cadeia petroquímica e recuperação de preços. 

A previsão de Grubisich é de que em 2005 o setor alcance um pico de demanda histórico. O presidente da Braskem confirmou a decisão de desmobilizar alguns ativos de Camaçari, na Bahia, “que não estiverem alinhados com a estrutura de crescimento da empresa”. 

Carlos A. Silva
Grubisich: cadeia do plástico cresce 10 %

 

 

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