Investimentos – Maior distribuidora de produtos químicos do País, a Ipiranga Comercial Química investe R$ 22 milhões para montar seu novo centro de distribuição, ocupando terreno de 104 mil m² no km 227 da Rodovia Presidente Dutra, em Guarulhos-SP. O local, antes usado por uma indústria de eletrodomésticos, abriga um moderno galpão de 10 mil m² com 9 m de pé-direito. Falta instalar 55 tanques de armazenamento e transferir os quatro laboratórios de controle de qualidade e aplicações, além de preparar um prédio para abrigar a área administrativa da ICQ, onde haverá espaço para exposições, cursos e treinamentos.

Com previsão de inauguração para agosto de 2003, o centro de distribuição substituirá a base operacional de Osasco-SP. “Estamos nos preparando para as necessidades futuras da companhia e dos clientes”, explicou Fernando Rafael Abrantes, diretor-superintendente da ICQ. O planejamento da companhia aponta para a duplicação do faturamento nos próximos anos. “Há muito espaço para a distribuição de produtos químicos no Brasil; o setor pode dobrar sua participação em pouco tempo”, afirmou. Ele alega existir uma lógica subjacente à atividade, que justifica assumir a operação em parte realizada diretamente pelas indústrias, e recomenda às distribuidoras que se especializem e alcancem níveis exemplares de qualidade.

Nos planos da ICQ, o CD de Guarulhos será o grande pulmão logístico, secundado pelos CDs de Canoas-RS e Rio de Janeiro, com atuação nacional complementada pelas bases regionais de Araucária-PR, Camaçari-BA, na qual está sendo investido R$ 1 milhão para entamborar líquidos, e Recife-PE, esta com operação terceirizada. A companhia também aluga tanques nos portos de Rio Grande-RS, Santos-SP, Suape-PE e Aratu-BA. “Já atuamos no Nordeste há 20 anos e verificamos o crescimento da demanda em novos clientes de Recife e Fortaleza, atendendo também Belém e Manaus”, afirmou o gerente nacional de vendas João Miguel Chamma. A região Centro-Oeste desponta com elevado potencial de consumo de produtos químicos. Segundo os diretores, todas as bases receberam investimentos contínuos nos últimos cinco anos, de modo a atender os requisitos de segurança e qualidade da ICQ.

Com mais de 350 itens em catálogo, em 2001 a distribuidora faturou R$ 305,2 milhões, 16% acima dos R$ 262 milhões registrados em 2000. Apesar da desvalorização do real, as vendas em dólar apresentaram ligeiro aumento, passando de US$ 129 milhões para US$ 130 milhões. “Mais importante que isso, a margem bruta cresceu 19% e o resultado líquido foi 6% melhor”, comentou Abrantes. Isso reflete o planejamento iniciado em 1996, quando a companhia passou a acompanhar mais de perto a margem sobre custos variáveis e o fluxo de caixa da atividade.

Entre 1997 e 2002, o faturamento cresceu 185%, com margem bruta 253% mais elevada, com incremento de apenas 50% nos custos fixos. A produtividade de vendas, aferida em faturamento anual por funcionário, foi ampliada em 180%.

As perspectivas para 2002 não são animadoras. “Estamos jogando pelo regulamento, tentando empatar e aproveitar alguma oportunidade de negócio que apareça”, afirmou o superintendente. A conjugação das expectativas eleitorais com a crise argentina e a perplexidade da economia americana provocam uma retração de negócios. Desde o ano passado, continuando neste, três grandes mercados atendidos pela companhia apresentaram resultados frustrantes. “O setor de tintas passou por uma fase de regionalização da produção, com pulverização de produtores, porém houve uma concentração nas linhas de menor valor, inibindo a venda de especialidades”, afirmou Chamma. Na área de borrachas, a demanda ficou frouxa por causa do mau desempenho da indústria automobilística nacional, enquanto a transformação de termoplásticos registrou consumo menor de resinas. “O Brasil só se livrará dessas instabilidades quando se tornar um exportador de verdade”, disse Abrantes. Já a área de produtos formulados e de cosméticos, novidades na companhia, apresentaram crescimento de negócios.

A venda de solventes respondeu por 53% do faturamento de 2001, seguida pela área de polímeros, com 25%. No total vendido pela companhia, 25% são parcela referente a itens importados. “Com a entrada em cosméticos esse porcentual deve crescer”, prevê o superintendente. Dada a instabilidade cambial, a ICQ reduziu o prazo de financiamento das suas importações, de modo a minorar a exposição em moeda forte. Como novidades de linha, podem ser citados os pigmentos inorgânicos com base em chumbo, da Color Corporation, e os pigmentos para masterbatch fabricados pela Dominion Colour Group, do Canadá; a nova linha ADDID de silicones da Wacker para uso funcional em tintas; os desmoldantes da CCCustom para a fabricação de mangueiras e correias de borracha; os aditivos Enhace, da Schüman Sasol, formados por ceras auxiliares de fluxo usadas na produção de filmes e injetados de polipropileno e polietileno de alta densidade, de modo a reduzir o consumo de energia e melhorar a aparência do produto final, mesmo com reciclados. A linha de produtos para cosméticos, a ser apresentada durante a feira HBA, contará com pelo menos 16 novos fornecedores internacionais.

As dificuldades conjunturais não invalidam o plano de investir no centro de distribuição. “Distribuição química é um jogo de médio a longo prazo”, comentou. O novo CD conta com área de 41 mil m² para expansão. Nessa área, dotada de entrada independente, a idéia da companhia é desenvolver operações relativamente simples, como emulsões, em parceria com outras empresas, ou sob contrato.

Tradição reorientada – Nome tradicional no comércio de produtos químicos, com mais de quatro décadas de atuação, a Brazmo foi vendida pelo seu fundador Remo Mormillo para o Grupo Formitex, em dezembro de 1998, assumindo o leme dos negócios em janeiro de 1999. Em um ano e meio de atuação, já foram abertas quatro filiais: em Porto Alegre-RS, Joinville-SC, Anápolis-GO e Rio de Janeiro, além dos escritórios de vendas em Campinas, Ribeirão Preto e Belo Horizonte. A sede paulistana foi transferida do bairro da Freguesia do Ó para a Barra Funda, em prédio moderno, com área total de 16 mil m², sendo 10 mil m² usados como depósito, certificado com ISO 9002. “É preciso estar próximo dos clientes para atuar no Brasil”, afirmou o gerente comercial da Brazmo, Jorge Yoriyasu. A empresa também possui depósito e tancagem (3,6 milhões de litros) em Suzano-SP. 

Cuca Jorge Engenheiro químico com vivência comercial acumulada dentro do grupo empresarial de capital nacional, Yoriyasu revela satisfação em atuar no setor. “O cenário muda tanto que mantém o nível de adrenalina alto”, brincou. 

Yoriyasu: mix equilibrado manteve a evolução de negócios

Ele rebate os comentários de atuação oportunista no setor, ressaltando a experiência do grupo com a venda de produtos químicos há quarenta anos, incluindo as atividades da companhia Denver, cuja carboximetilcelulose integra o portfólio da Brazmo. “Os investimentos feitos nas filiais, cada uma com pelo menos 1,5 mil m², além dos 85 funcionários mantidos apenas na área de vendas, também atestam que entramos nesse negócio para valer”, explicou.

O diferencial de atuação da companhia reside na estrutura ágil e enxuta, com ampla experiência em operações de comércio internacional. Segundo o gerente, quase 60% dos mais de 360 itens comercializados têm origem no exterior. “A greve da aduana bloqueou contêineres nossos no porto, mas o câmbio continuou correndo”, lamentou. “Tivemos algum prejuízo com isso, embora administrável.”

As atividades da Brazmo estão divididas em seis segmentos: alimentos e ingredientes farmacêuticos; cosméticos, detergentes e domissanitários; papel e têxtil; tintas e vernizes; galvanoplastia; e poliuretanos. Em faturamento, o maior deles é o de tintas e vernizes, responsável por 40% do total. “O advento dos medicamentos genéricos impulsionou as linhas de ingredientes farmacêuticos, que tem bom potencial”, avaliou Yoriyasu. 

A nova administração manteve contratos antigos de distribuição com a Cia. Nacional de Álcalis (barrilha) e Carbocloro (soda), agregando dióxido de titânio da DuPont; poliol, TDI e PU-copolímero, além do glutaraldeído, da Basf; plastificantes Petrom; isopropanol da Exxon; solventes aromáticos da BR, entre outros. Contratos de distribuição respondem por 80% dos negócios da empresa, dona de mix de vendas com 70% de commodities. “Operamos de modo a ganhar dinheiro com elas, não apenas usá-las para abrir mercado”, afirmou. Para ele, a composição do mix ideal, no cenário atual, contemplaria maior participação de especialidades, que poderiam passar a um terço dos negócios.

A Brazmo mantém as vendas de produtos no varejo, principalmente de produtos para tratamento de piscinas, além da fabricação de detergentes e amaciantes de roupas para consumidores institucionais, conservando a tradição da empresa. “Só não trabalhamos com nenhum produto que possa ser usado para a fabricação de entorpecentes ilícitos, por norma interna do grupo”, afirmou Yoriyassu.

Sem revelar o total faturado, ele comentou que as vendas e os resultados da Brazmo apresentaram crescimento em moeda forte em 2001, repetindo o feito nos primeiros meses de 2002. Na sua análise, isso resultou dos investimentos realizados nas filiais e a conquista de novas distribuições de produtos. “Ainda há muito a fazer no setor de distribuição química no Brasil, mas é preciso avançar aos poucos”, considerou. No passado, o setor comportava a atuação de aventureiros, situação hoje obstada pelas exigências de qualidade e proteção ambiental, selecionando melhor os players. Também a globalização de negócios, com incremento de importações e a necessidade de oferecer melhores operações logísticas, passaram a exigir mais das empresas comerciais.

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