Para distribuidoras – Alguns fornecedores estão tirando bastante proveito do mercado das distribuidoras, sobretudo aqueles que conseguem ofertar queimadores com custo reduzido. Seria o caso de fabricantes italianos, como Ecoflam e Riello, ou de nacionais, como a RayBurners. Já a Weishaupt, segundo explicou seu gerente comercial, Carlos Rico, não enxerga nesse mercado um filão para a empresa. “Vendemos direto para os clientes, pois as distribuidoras visam apenas o preço e não é esse o nosso perfil”, critica.

Já a Ecoflam, desde 2000 com subsidiária brasileira (antes possuía uma representante, a Petra), acusa boas vendas para os distribuidores de gás, sobretudo em equipamentos de pequeno porte. De acordo com o seu diretor, Alberto Vieira Fernandes Jr., sua linha de queimadores monoblocos de 30 mil kcal/h até 6 milhões de kcal/h e de duoblocos de 300 mil a 25 milhões de kcal/h estão sendo absorvidos de maneira crescente, na maioria dos casos, para operação em sistema dual. “Muitos temem uma possível indisponibilidade de fornecimento de gás e procuram se garantir com a opção de operar com óleo numa eventualidade”, diz Fernandes. Cuca Jorge
Fernandes mantém estoque mínimo de 500 queimadores

A própria decisão da Ecoflam de passar a atuar no Brasil diretamente com uma filial está totalmente ligada à ascensão do gás. Com estoque mínimo de 500 queimadores na sede em São Paulo, a empresa tem concentrado sua atuação no mercado industrial, embora também forneça equipamentos menores para panificação, hotéis e móteis. Fernandes reconhece a tendência de uso preliminar do GLP para posterior adesão ao gás natural. “Nossos queimadores para os dois gases são os mesmos”, diz.

Além das linhas já citadas, a Ecoflam ainda dispõe dos chamados queimadores de alta velocidade, indicados para operações de altíssima temperatura (até 1.880ºC) em fornos industriais e químicos. No momento, aliás, lança uma nova linha, a EMB, para gás. Todos os equipamentos da Ecoflam, segundo Fernandes, possuem controle automático com sensores para detecção de temperatura, descarga e sistema de autobloqueio. 

Cuca Jorge Essa última característica é para o caso de haver algum problema de operação. Isso ocorrendo, o queimador pára de funcionar e apenas um técnico da Ecoflam conseguirá recolocá-lo em operação.
Queimador monobloco BLU da Ecoflam para gás

As perspectivas indicadas para a empresa italiana depois da abertura da filial continuam a animar a matriz e seu sócio no Brasil, o diretor Alberto Fernandes. Conforme ele, acaba de ser adquirido um terreno na via Anhanguera, em São Paulo, onde será construída a nova sede da empresa. Está nos planos também a nacionalização de boa parte dos queimadores, sobretudo na fabricação de componentes estruturais.

Nacionalização – Em razão de quase todos os queimadores utilizados no Brasil serem importados total ou parcialmente, as empresas não ficaram muito preocupadas em nacionalizar a produção para compensar a desvalorização cambial. Mas também não se esqueceram de todo dessa estratégia comercial, sobretudo com o mercado mais competitivo. Estima-se que além dos cerca de cinco importantes fornecedores (Weishaupt, Riello, Rayburners, Ecoflam e Kei-Tek), existam mais uns 15 menores. Mercado com faturamento aproximado de R$ 60 milhões, deve ainda atrair mais interessados. Isso não só em razão do gás, mas também da idade avançada dos sistemas de calor industrial no País, já beirando em média os 30 anos e com necessidade urgente de renovação. 

Foi para se tornar mais competitiva que a Rayburners, fundada há cinco anos por um ex-diretor da Weishaupt, iniciou um processo de nacionalização de seus queimadores duoblocos, baseada em tecnologia da alemã Ray. A produção local, porém, limita-se ao corpo e à parte interna dos queimadores, ou seja, os componentes estruturais do equipamento. Isso porque as válvulas e comandos de gás são produzidos apenas por empresas alemãs, como Landis&Gyr, Dungs e Medenus, e obrigatoriamente são importados por todos os que se arriscam a produzir queimadores no mundo.

Cuca Jorge “Com a nacionalização, conseguimos reduzir em até 45% o preço de nossos equipamentos”, afirmou o gerente de vendas da Rayburners, Carlos Geissler. Em virtude do sucesso da empreitada, a intenção é fazer em breve o mesmo com a linha de monoblocos. 
Geissler: nacionalização reduziu custo de produção em 45%

A estratégia de nacionalizar ao máximo a produção visa conquistar, entre outros clientes, as distribuidoras de GLP. “As companhias compram os queimadores para indústrias pequenas, com necessidades de até 50 t de vapor, e procuram equipamentos de baixo custo”, afirma Geissler.

<<< Anterior

Próxima >>>