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ISOLANTES
TÉRMICOS
CRISE ENERGÉTICA AUMENTA
PROCURA POR REVESTIMENTOS
Importante para conservar energia,
a isolação térmica, com revestimentos
rígidos e com a fibra cerâmica, ganha fôlego
novo com A crise do apagão
MARCELO FURTADO
O mercado de isolantes térmicos começa a se beneficiar de um de seus principais méritos: a conservação de energia proporcionada a equipamentos e sistemas industriais. O motivo para a reviravolta não poderia ser outro senão a crise do apagão de 2001. Depois de passar a dar mais valor à cara e escassa energia, a indústria em geral se atentou para o fato de que investir em sistemas com a propriedade de aumentar o aproveitamento energético é uma saída das mais inteligentes.
| Cuca Jorge |
Essa mentalidade renovada dos clientes, na opinião dos competidores do setor, está em processo inicial de maturação. Em 2001, ela foi suficiente apenas para recuperar as vendas no segundo semestre e manter o desempenho no mesmo patamar do ano anterior. |
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| Veiga: futuro melhor para os rígidos |
Compartilha dessa análise o gerente nacional de vendas da Calorisol, Jorge
Veiga, tradicional empresa especializada em todos os tipos de isolamento
térmico. “Apesar da sucessão de crises, não foi um ano recessivo”,
afirmou Veiga.
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Para o gerente, a tendência de crescimento já começa a se tornar
perceptível em 2002. “Devemos aumentar em pelo menos 10% nossas
vendas”, prevê. Na indústria em geral, onde a maior parte do
consumo de isolamento visa atender necessidades de calor médio por
volta de 300ºC a 400ºC, Veiga acredita ainda que a racionalização
dos processos tem também papel importante na maior procura por
isolamentos térmicos. |
Cuca Jorge |
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| Tubo revestido com silicato de cálcio:
substituto das lãs |
Nesses clientes de maior volume, com necessidade de calor até 400ºC, o
gerente percebe uma outra tendência, de cunho tecnológico. Em razão
de problemas de saúde ocupacional de isolantes fibrosos, principalmente
as lãs de rocha e de vidro, Veiga afirma que os isolantes rígidos
tendem a ganhar mais espaço. Nesse caso, destaca-se o silicato de
cálcio, aplicado em calhas para tubulações e capas para equipamentos.
Segundo ele, o Brasil deve seguir o exemplo europeu, onde a lã de vidro
é muito restringida, e dos Estados Unidos, onde a perseguição maior
atinge a lã de rocha.
Essa substituição visa evitar sobretudo os problemas pneumológicos
causados por essas fibras, visto que os equipamentos revestidos com
elas, por não estarem sujeitos a temperaturas mais elevadas, não ficam
muito confinados e podem contaminar os operadores ao longo do uso. O
silicato de cálcio, lembra Jorge Veiga, pode substituir essas fibras em
aplicações até 1.040ºC.
Já em temperaturas consideradas altíssimas, de até 1.260ºC ou em
alguns casos até 1.600ºC, uma outra fibra, a cerâmica, encontra
mercado crescente, por ser altamente isolante, e não tem sido vista com
preocupação no quesito saúde-ocupacional. Isso porque esses
revestimentos ficam bem distantes de qualquer contato com operadores, em
estruturas internas de fornos, caldeiras e outros equipamentos ou em
tubulações sob temperatura muito quente.
Fibras cerâmicas – Por causa dessas vantagens intrínsecas, o
mercado de fibras cerâmicas tem-se destacado como promissor dentro do
setor de isolação térmica. Disponível em cada vez mais tipos
diferentes de formulações e formatos, esse revestimento altamente
refratário ao calor conquista mercados antes limitados a outros tipos
de produtos, como os tijolos refratários.
Cerca de três vezes mais isolante (resiste a até 1.600ºC), até dez
vezes mais leve e com a propriedade de armazenar muito menos calor
(fazendo o sistema consumir menos energia) do que os tijolos, a fibra
tem evoluído bastante desde o seu desenvolvimento em 1948, pelo
cientista Charles MacMüller, da norte-americana Carborundum.
Inicialmente voltada para atender as exigências da indústria
aeroespacial, para garantir a resistência térmica dos foguetes na
entrada da atmosfera, hoje consegue atender boa parte das necessidades
de isolamento dos fabricantes de equipamentos.
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A maior abrangência de aplicação se deve a várias novas formas de aplicação da fibra cerâmica, que permitem substituir os tijolos em estruturas de grandes equipamentos. É comum o fornecimento de módulos e painéis construídos com base de fibras cerâmicas cimentadas, reforçadas com várias outras cargas e também fibras que aumentam sua resistência mecânica. |
Divulgação |
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| Pré-Moldado com coating de mulita:na Copene |
Um bom exemplo foi um serviço realizado pela Unifrax, ex-Carborundum,
para a Copene, central petroquímica baiana, em fevereiro de 1998. Na
reforma dos 22 fornos de pirólise da central, todo o revestimento
interno da zona de convecção, de 340 metros quadrados, foi feita com
peças pré-moldadas a vácuo com fibra cerâmica e com coating de
mineral mulita, responsável pelo aumento da resistência
abrasiva.
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