|
| Cuca Jorge |
Melhores hidrocarbonetos - Grupo mais conhecido de solventes, responsável pela maior parte das vendas no País, os hidrocarbonetos sofreram forte pressão ambiental que favoreceu o uso de produtos alifáticos em detrimento dos aromáticos. “Questões ambientais e toxicológicas tiraram mercado dos aromáticos e exigiram alifáticos mais puros, isentos de enxofre e de contaminações com aromáticos”, afirmou Carlos Fernado Abreu, diretor de marketing da Bandeirante Química, tradicional distribuidora de solventes. |
 |
| Abreu: meta de eliminar solventes orgânicos
acabou superada |
“É evidente o crescimento da demanda por alifáticos mais hidrogenados e isentos de aromáticos”, concordou Chamma, da ICQ. Ele explicou que o maior mercado para os hidrocarbonetos se situa nos setores de tintas e resinas, demandantes por alifáticos de qualidade superior, sem cheiro, nem cor. Além disso, ele identifica demanda firme para especialidades, como os alifáticos produzidos pela Refinaria Ipiranga dentro de faixas precisas de destilação, a exemplo de heptanas, naftas para extração de ceras e para adesivos. O grosso da demanda se refere às commodities, com especificações menos rígidas.
A BR Distribuidora avalia em 60 mil m³/mês o volume dos principais solventes hidrocarbonetos controlados pela ANP, com predomínio da aguarrás e do tolueno, cada um representando 25% do total, seguidos pelo xileno (24%) e hexano (14%). “A Petrobrás responde por praticamente toda aguarrás e hexano produzidos no Brasil, além de 25% do tolueno e do xileno”, avaliou Pereira. O restante da oferta dos aromáticos tem origem nas centrais petroquímicas.
“O preço desse grupo de solventes é reajustado mensalmente pela Petrobrás, considerando a cotação internacional nos pontos mundiais de referência e as variações cambiais”, comentou o gerente de produtos especiais. “Atualmente a tendência é de redução de preços, por causa das baixas cotações internacionais e da baixa do dólar frente ao real.”
Essa baixa não deve ser muito significativa, segundo avalia João Miguel Chamma, da ICQ. “A alta do dólar não havia sido inteiramente repassada para a cadeia de consumo”, informou. O grupo dos hidrocarbonetos, na sua avaliação, apresenta bom equilíbrio entre oferta e demanda de produtos, com uma pequena sobra. Por isso, o mercado é estável.
Como exemplo, ele citou o caso do hexano, consumido quase todo na extração de óleos vegetais, com fácil recuperação e reciclo posterior. O cicloexano teve grande momento de mercado há dois anos, quando as destilarias de álcool no Brasil o adotaram como substituto do benzeno (que não é considerado legalmente como solvente, mas insumo de processo) como rompedor da mistura azeotrópica álcool/água, indispensável para a produção de álcool mais puro (96º GL). “As vendas de ciclohexano, produzido pela Unipar e Nitrocarbono, se estabilizaram em 7 mil t/ano”, informou.
Como os segmentos consumidores relatam incrementos contínuos de produção, tornam-se patentes as mudanças empreendidas para redução de perdas e até substituição desses solventes. “O setor de tintas, por exemplo, há dez anos iniciou uma forte reestruturação, posicionando-se em favor das linhas de altos sólidos [ou baixo teor de solventes], pós, base água e cura por radiação UV”, comentou Chamma. “Esse processo foi feito até 1999, tendo se estabilizado nos dois últimos anos.” Ele salientou que as linhas de base aquosa usam solventes sintéticos no lugar dos convencionais. Nos adesivos, o gerente da ICQ verificou a evolução das linhas de hot melt e PSA (pressure sensitive adhesives), reduzindo o consumo de tolueno. Mesmo assim, Chama não acredita no banimento total do grupo, nem mesmo nas tintas, pois há fórmulas que não podem evitar seu uso. “Nos adesivos, ainda não há formulações totalmente isentas de tolueno, e os xilenos têm mercado cativo na produção de agroquímicos”, disse.
“Não existe mais uma tendência firme para a eliminação total dos hidrocarbonetos, como havia há alguns anos”, comentou Abreu, da Bandeirante Química. “Mas o solvente precisa ser melhor trabalhado.” Na sua avaliação, a indústria de tintas buscou melhor relação custo/desempenho para seus produtos, recorrendo a resinas mais sofisticadas, que requerem formulações tecnicamente mais avançadas. “Os solventes precisam acompanhar a necessidade dos clientes, tanto em desempenho, quanto em proteção ambiental e toxicológica, banindo aromáticos e oferecendo alifáticos cada vez mais puros.” O avanço das formulações favorece também o uso de sistemas solventes (misturas sob medida), em lugar dos produtos isolados.
Pelas informações de Abreu, a “bola da vez” é o tolueno, alvo cada vez mais freqüente de substituições. O maior problema desse solvente hidrocarboneto é de saúde ocupacional, pois é farta a apresentação de casos de dependência química desenvolvida por trabalhadores que tiveram contato com o aromático. “Os preços do tolueno estão caindo significativamente”, informou. “Para 2003, ao que tudo indica, será a vez do xileno sofrer o mesmo processo.”
Em 1998, a BR Distribuidora lançou a linha Solbrax ECO de solventes especiais, caracterizada por apresentar baixa toxicidade, baixo odor e grande segurança de manuseio, de forma a complementar a linha de produtos convencionais. A linha dita ecológica é composta por seis itens, voltados principalmente para lavagem a seco, antiespumantes, desengraxanes, tintas e vernizes, com boa aceitação de mercado. “Em 2001, a linha Solbrax ECO apresentou crescimento de vendas de 90% em relação ao ano anterior”, relatou Pereira. “Os sistemas que vêm sendo apresentados como substitutos para os solventes devem continuar apresentando pequena participação de mercado nos próximos anos, por causa dos custos envolvidos”, afirmou, salientando, porém, que empresa estuda a possibilidade de oferecer produtos também para esses segmentos.
|
Sintéticos oportunos - O ataque ao grupo dos hidrocarbonetos trouxe benefício imediato para os solventes sintéticos, cuja demanda registra crescimento há cinco anos consecutivos. A longo prazo, porém, a imagem ambiental não é de todo favorável. “A população, em geral, vê os solventes como se fossem uma coisa só, e com imagem negativa”, lamentou Alexandre Castanho, gerente de negócios da Rhodia para papel, pintura e materiais de construção (divisão PPMC) na América Latina. Estudos de mercado indicam que os solventes oxigenados já superam em vendas os hidrocarbonetos nos Estados Unidos e na Europa. |
Cuca Jorge |
 |
| Castanho: sistemas com oxigenados substituem os
aromáticos |
“Na América Latina, os grupos têm participação quase igual de mercado”, afirmou. Segundo Castanho, a agência de proteção ambiental americana (EPA) aceita e recomenda o uso de solventes oxigenados. Com o tempo, e a adoção de leis ambientais mais restritivas, alguns ésteres e cetônicos também serão eliminados. “Por isso, a Rhodia investe na pesquisa e desenvolvimento de novas moléculas e nos seus processos produtivos”, explicou. A empresa mantém pesquisas permanentes sobre novos solventes e, segundo ele, já conta com vários projetos em fase de avaliação e seleção.
|
|