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Por sua vez, a VCP adquiriu, em outubro, os 28% de participação votante da italiana Mondi na Aracruz, unindo-se aos grupos Lorentzen (28%), Safra (28%) e BNDES (12,5%). Maior produtora individual de celulose do mundo, a empresa capixaba assumiu, em julho, 45% de participação na Veracel, aliando-se aos grupos Stora Enso (45%) e Odebrecht (10%). O projeto industrial da Veracel sofreu adiamentos, devendo receber decisão definitiva durante 2002. Caso se opte pelo investimento em capacidade produtiva de celulose, deve ainda demorar mais três anos para o início das operações. Enquanto isso, de 2002 a 2004, a Aracruz já se comprometeu a comprar a madeira produzida pela parte florestal do projeto (em estágio adiantado), conseguindo fonte segura de matéria-prima para sua linha C, para mais de 700 mil t/ano de celulose branqueada pelo processo ECF (isento de cloro elementar). Com isso, a Aracruz passará de 1,3 milhão para mais de 2 milhões de t/ano de celulose.

O grupo Klabin, um dos mais tradicionais no setor no País, decidiu concentrar-se nas áreas de papel kraft e materiais para embalagem, deixando a parceira com a Kimberly na área sanitária e anunciando para daqui a dois anos a sua retirada da produção de papel de imprensa.
Da parte das companhias estrangeiras, Tabacof destacou a compra da Champion pela gigante International Paper, assumindo posição destacada no mercado brasileiro, onde não atuava.
Prossegue rapidamente, no exterior, a concentração de empresas no setor. “Em curto prazo teremos apenas 3 ou 4 grandes compradores de celulose na Europa e outro tanto nos EUA”, resumiu Tabacof. Para os exportadores de celulose a conseqüência é imediata: as negociações ficarão ainda mais duras.
A concentração de empresas se alastra por toda a cadeia produtiva. “O processo é mais rápido nos Estados Unidos as empresas têm lastro em bolsa e exigem resultados mais rápidos”, comentou Carlos Lira Aguiar, da Aracruz. Com isso, também os fornecedores de equipamentos para o setor foram reduzidos a dois, enquanto os compradores de celulose para papel higiênico, por exemplo, foram concentrados em cinco grandes. “Tenho um cliente que quer comprar 40% da minha produção”, disse Aguiar. “Só vou atendê-lo a partir da ampliação.”
Esses movimentos devem ser repetidos no Brasil, no qual devem restar no máximo quatro grandes produtores de celulose “com escala suficiente para atuar no mercado global”, segundo Aguiar. A Aracruz enfatiza a vocação natural de ser fornecedor independente de celulose, descartando investimentos próprios na fabricação de papel. “Papel é melhor para quem está próximo do mercado consumidor, além disso a demanda por celulose cresce de 5% a 7% ao ano”, explicou.
Mas os fabricantes nacionais de celulose têm duas vantagens significativas sobre seus concorrentes. A mais conhecida consiste no aproveitamento das fibras curtas do eucalipto, árvore de crescimento rápido, ofertando a matéria-prima de menor custo no mundo. A outra vantagem é o desempenho ambiental. A maioria das fábricas brasileiras é de origem recente, tendo nascido ou se adaptado rapidamente às mais exigentes normas internacionais. “Os produtores estrangeiros são mais antigos e ainda precisam remodelar suas instalações”, disse Tabacof. “Qualquer grande fábrica brasileira de celulose atende a todos os requisitos da futura regulamentação ambiental norte-americana”, atestou Aguiar.
Reestruturado e competitivo, o setor pode ser alvo de nova rodada de investimentos.
| Por enquanto, apenas a Aracruz e a VCP tocam projetos de novas linhas produtivas, com investimentos respectivos de US$ 830 milhões e US$ 530 milhões, ambas contando com financiamentos parciais do BNDES, segundo Angela Regina Pires Macedo, |
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gerente-executiva da área de setores produtivos do BNDES. “Desde outubro, o BNDES mudou sua estrutura de relacionamento com o mercado, buscando mais eficiência para os clientes”, comentou a executiva. O novo modelo de atuação substituiu as antigas áreas de projetos por formas específicas de atendimento para cada tipo de cliente. “Agora é o banco que procura formar pacotes de produtos e serviços completos para melhor atender o usuário”, disse. Existem outros projetos para ampliação e modernização de unidades.
Como o setor de celulose é forte exportador, ele pode ser considerado prioritário para o banco. De 1995 para até setembro de 2001, o banco já destinou R$ 3,2 bilhões para o segmento. No ano passado todo, os desembolsos do BNDES para o setor somaram R$ 322 milhões, enquanto de janeiro a setembro deste ano já chegam a R$ 811 milhões.
Segundo Angela, os produtores de celulose do Brasil devem investir quase US$ 1,6 bilhão em florestas, modernizações industriais e novas instalações durante os próximos três anos. O montante para a produção papeleira é estimado por ela em US$ 630 milhões. “Seria interessante que surgissem mais projetos, principalmente na área de papel”, afirmou.
Tabacof ressalta ser a disponibilidade de capital o calcanhar-de-aquiles do setor. Trata-se de indústria de capital intensivo, com maturação lenta. “Esse é o verdadeiro gargalo do setor, mais que os impostos elevados”, explicou. Ele defendeu maior atuação do BNDES no financiamento de projetos e pediu a volta do sistema antigo de participação direta do banco no capital das companhias. “Não é possível crescer só com dívidas”, afirmou. O presidente da Bracelpa observou que o setor pode angariar capital de risco nas bolsas internacionais, operações já feitas com alguma habitualidade. “Isso exige cada vez mais transparência, governança corporativa e desenvolvimento tecnológico”, comentou.
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