Autolimpante – Para evitar problemas com incrustações nas tubulações e nos stacks, diversas vezes ao dia, a um intervalo aproximado de uma a duas horas, muda-se o fluxo dos canais de água produto e do rejeito. Essa reversão, realizada em cerca de um minuto e meio, é necessária para uma quantidade suficiente de água “desmi” promover a limpeza do circuito, banindo depósitos orgânicos que acabam saindo no canal de rejeito. Operação comandada por CLP, também automaticamente a produção volta ao procedimento normal após a reversão.
Além dessa limpeza por reversão, em um período de uma semana a dois meses (dependendo do tipo da água) deve-se fazer uma limpeza química e a regeneração da célula. Durante cerca de 30 minutos, a unidade precisa ter a produção interrompida para uma solução de ácido clorídrico ser bombeada no sistema e assim limpar as membranas e tubulações.

De acordo com o diretor da Hidrodex, Walter de Oliveira, um grande mérito do projeto é a possibilidade de operação em condições rústicas. “Os engenheiros russos, sobretudo por causa do consumismo, sempre pensaram na durabilidade de seus equipamentos e não nos lucros que a substituição e manutenção podem vir a dar no futuro”, diz. 
Oliveira: rejeito de apenas 10%

Isso, segundo ele, faz a vida útil dos stacks oscilar entre cinco e oito anos. “Fomos visitar um sistema de 150 m³/h para usina térmica na Rússia em operação há dez anos sem parar”, complementa o diretor.

Em virtude do caráter rústico do equipamento, aliás, a Hidrodex já forneceu um sistema com dois estágios para a secretaria estadual de recursos hídricos de Pernambuco abastecer de água potável a comunidade de Monte Orebe. Com vazão de 2 m³/hora, a unidade trata água captada de um barreiro. A única necessidade foi a remoção parcial anterior de sólidos suspensos, conseguida por meio da inclusão de um pré-tratamento com filtro de areia. Com os dois estágios, a estação em Monte Orebe remove 87% dos sais do barreiro.

Em um ano de pré-lançamento, a Hidrodex instalou cerca de cinco sistemas no País. Destacam-se uma unidade de quatro estágios no Carioca Shopping, no Rio de Janeiro, que consegue remover 97% dos sais da água utilizada para refrigeração, e outra instalada na indústria de panificação Brico-Bread, de Cotia-SP, na qual dois estágios de EDR tratam água para uso em caldeira de média pressão. Vale acrescentar que o número de estágios depende do objetivo do cliente: uma célula remove 65% dos sais; com duas pode-se chegar a 87%; e a partir do terceiro estágio, 97,3%.

Vantagens – Na visão de Oliveira, para garantir o sucesso comercial da empreitada o equipamento possui ainda mais vantagens em relação aos sistemas concorrentes. Em primeiro lugar, deve-se considerar o menor rejeito, de uma média de 10% do volume de água tratada, bastante abaixo dos até 30% de concentrado salino da osmose reversa. Também o gasto de energia, segundo ele, é cerca de 25% menor, visto que a EDR demanda baixas pressões, de 2 a 3 kgf/cm², contra até 7 a 8 kgf da osmose reversa. De acordo com o diretor, a média de gasto de energia do processo é de 0,7 kWh/kg de sal removido.

Outra vantagem está intimamente ligada à característica rústica do equipamento. Segundo o diretor-administrativo da Hidrodex, Fernando Neubern, enquanto a osmose reversa só permite água de entrada com até 5 micra de sólidos suspensos, com a eletrodiálise reversa admitem-se partículas de até 10 micra. 
Neubern: tolerância a particulados

“Isso vai praticamente eliminar ou diminuir muito a necessidade de pré-tratamento, economizando-se com antiincrustantes, equipamentos e energia”, diz Neubern. A única necessidade de pré-tratamento na eletrodiálise é um filtro simples por areia e pedra.

Além disso, continua o diretor, a EDR é tolerante com ferro, admitindo até 0,5 ppm, enquanto na osmose é necessário “zerar” o metal. E Neubern acrescenta: “Na osmose, o pré-tratamento ainda exige remoção de manganês, alumínio, zinco, descloração e condicionamento da água com antiincrustantes e biocidas, em razão da alta sensibilidade das membranas.”

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