EMPRESA NACIONALIZA
ELETRODIÁLISE RUSSA


Sistema de desmineralização com tecnologia russa passa a ser fabricado por empresa de Garça-SP. O objetivo é ofertar uma alternativa mais rústica para substituir a osmose reversa e a troca iônica.

Texto e Fotos DE Marcelo Furtado

Uma conexão internacional envolvendo Moscou, na Rússia, à pequena cidade de Garça, no Centro-Oeste paulista, promete agitar o mercado nacional de desmineralização de água. Aparentemente uma trama de filme de espionagem da época da guerra fria, trata-se na verdade de um enredo bem mais simples: a empresa garcense Hidrodex acaba de lançar no País, sob licença tecnológica do Instituto de Metais Preciosos de Moscou, um sistema inédito de eletrodiálise reversa para remoção de sais da água. A intenção é incomodar a concorrência, sobretudo os fornecedores de unidades de osmose reversa, de troca iônica e dos similares eletrodeionizadores.

O princípio técnico da eletrodiálise reversa (EDR) russa é parecido com os demais sistemas de eletrodeionização disponíveis por empresas como a E-Cell, US Filter e Ionics (ver QD-379, pág. 22). 
EDR: apenas os eletrodos e as membranas são importados

Ou seja, todos esses sistemas operam com stacks (módulos de resinas ou membranas), pelos quais se realiza a troca iônica através da aplicação de voltagem elétrica por eletrodos. Mas as semelhanças param por aí, pois tanto o projeto de engenharia como alguns detalhes técnicos são patentes exclusivas da pesquisa russa.

A EDR se baseia em membranas de polímeros acrílicos (com material igual ao das resinas de troca iônica), em formatos de chapas redondas e em versões catiônicas e aniônicas. Cada stack compreende a sobreposição de uma membrana catiônica a uma aniônica, separadas entre si por um espaçador de polipropileno injetado.
A água circula pelos espaçadores de PP

Para se formar a célula da eletrodiálise, são empilhados vários stacks até se formar um cilindro conectado a um par de eletrodos e a canais de fluxo de água produzida e de rejeito.

A água salobra é injetada na célula por bombas de baixa pressão. Ao entrar no cilindro, a água circula por meio das ranhuras especialmente desenhadas do espaçador (em forma de teia de aranha), que permitem o seu contato com a superfície das duas membranas. Motivada pelo campo magnético criado pelos eletrodos (anodo e catodo), a troca iônica acontece: os cátions indesejáveis da água são atraídos pelas membranas catiônicas e os ânions pelas aniônicas.
Com a troca formam-se as soluções catiônica e aniônica, as quais circulam livremente por suas respectivas membranas, mas são bloqueadas pelas de cargas contrárias. O resultado é que a água de baixa concentração eletrolítica (desmineralizada) sai por um canal, enquanto a de alta concentração, formada pelas duas soluções (o rejeito salino), se direciona a outra saída. Em média, o rejeito é de apenas 10% do volume total de água processada.

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