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Cuca Jorge
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Cores disputadas – A pressão ambiental estimula substituir as linhas inorgânicas, nas quais se destacam os produtos com metais pesados, com exceção óxidos de ferro, pelos pigmentos orgânicos. “Podemos oferecer a mesma qualidade dos inorgânicos em poder de cobertura e solidez à luz, às intempéries e ao SO2”, afirmou Oliveira, da Clariant. |
| Oliveira: cresce a produção de pigmentos
orgânicos em Suzano |
Ele ressaltou o bom momento por que passa a Linha 70 de pigmentos orgânicos, herdada da Hoechst, lançada no Brasil na década de 80. “As exigências ambientais favorecem muito os nossos produtos”, comentou. Oliveira explicou que Linha 70 é a denominação do tratamento especial dado ao pigmento para se obter o desempenho avançado nas aplicações, especialmente em tintas imobiliárias e automotivas. Os amarelos, laranjas e vermelhos , por exemplo, têm base química azo ou diazo. Já os azuis partem da ftalocianina. A linha se completa com semi-especialidades para a produção de esmaltes secos ao ar e com especialidades, como a crinacridona, indicada para alta cobertura de automóveis.
Do ponto de vista econômico, o diretor menciona vantagens por causa da elevada intensidade de cor, permitindo substituir inorgânicos na razão de 1 (orgânico):2,6, em média. Além disso, segundo ele, os inorgânicos ficaram com preços contidos durante muito tempo e, agora, é preciso acompanhar a evolução do mercado internacional, com tendência à elevação. Já os orgânicos da Clariant se beneficiam da reestruturação havida na companhia, pela qual todas as sínteses passaram a ser feitas na unidade de Suzano-SP, absorvendo as operações com pigmentos antes feitas na fábrica de Resende-RJ, agora dedicada aos corantes para têxteis, papéis e couros. “Os processos foram todos racionalizados ao máximo possível e permitido, e a fábrica foi atualizada tecnologicamente”, explicou. Isso permitiu produzir no site pigmentos antes de operação impossível.
Em Suzano já são feitos todos os produtos considerados “clássicos” da Linha 70, os mais vendidos. “A idéia é nacionalizar um pigmento sempre que for possível”, informou Oliveira. A produção nacional é suprida de intermediários importados, onerados com 2% de imposto de importação, acrescidos de 2,5% de taxa alfandegária. Em 2005, o total de ônus cairá para 2%, segundo previsão oficial. “Além disso, é preciso computar o chamado custo Brasil”, disse. Dessa forma, embora a taxa de câmbio ajude a vender pigmentos produzidos localmente, ela também pressiona os custos. “Como está difícil repassar a elevação de custos, acabamos comprimindo as margens de lucro”, explicou.
Dentro da estratégia mundial da companhia, a unidade de Suzano atende à demanda dos demais países da América Latina (exceto México). Como o peso relativo do Brasil chega a 65% das vendas da divisão de pigmentos, os resultados regionais tendem a acompanhar o comportamento nacional. “A Argentina está com sérios problemas, enquanto a Colômbia segue estável”, comentou o diretor, citando os principais mercados. No caso brasileiro, enquanto as tintas imobiliárias e automotivas apresentam retração, os sistemas gráficos revelam bom desempenho, sendo acompanhados pela cadeia dos plásticos. Um quarto mercado promissor é a produção de tintas para impressoras na linha desk-jet, usadas em escritórios e residências.
O mercado mundial de pigmentos orgânicos soma US$ 4,4 bilhões. A contribuição brasileira nesse montante é difícil de mensurar, segundo Oliveira, que a estima perto de 2,1%. Isso daria algo em torno de US$ 80 milhões/ano. O mercado de inorgânicos é avaliado, a grosso modo, pelo diretor em valor abaixo da metade das vendas dos orgânicos.
Como proposta de trabalho, a Clariant oferece sistemas e preparações de pigmentos adequados aos processos dos clientes. “A idéia é agregar valor, evitando que o usuário tenha processamentos in house dos pigmentos”, explicou. Em geral, os pigmentos são vendidos na forma de pó. Isso exige várias etapas de concentração e secagem. Vendendo dispersões, muitas sob medida, contendo aditivos, por exemplo, se obtêm várias economias, inclusive de energia. “Nesse caso, podemos repartir os ganhos com os clientes”, comentou.
Inorgânicos ativos – As vendas de pigmentos de cádmio no Brasil caíram 15% entre 1999 e 2001, segundo Eduardo Tedesco, gerente de distribuição da Multicel, única produtora local dessa linha de produtos, abrangendo desde o amarelo-limão ao vermelho-azulado e suas combinações. “Houve uma ligeira recuperação de vendas nos últimos dois meses”, comentou.
A diminuição da demanda no Brasil foi compensada pelo incremento das exportações, que começaram pela América Latina e hoje atingem a Europa e a Oceania, por meio de representantes comerciais. “Há apenas cinco grandes fabricantes de cádmio no mundo e eles estão meio acomodados”, disse Tedesco. “Nós nos apresentamos como alternativa de suprimento”. Para atender mercados diversificados, a empresa conseguiu certificação na norma ISO 9002 e promoveu algumas adaptações nos produtos. A Multicel possui capacidade produtiva para 600 t/ano de cádmio, mantendo nível de ocupação entre 75% e 80%.
Do ponto de vista ambiental, Tedesco lamenta as pressões sobre o pigmento, ressaltando sua inocuidade. “Além disso, os pigmentos representam apenas 2% do cádmio existente no ambiente, enquanto mais de 80% é oriundo de pilhas e baterias de equipamentos eletrônicos”, afirmou.
A crise energética exigiu alterações na fábrica nova, em São Bernardo do Campo-SP. “Nossas estufas foram convertidas para usar gás natural”, mencionou. Ao mesmo tempo, a crise teve um efeito benéfico para a Multicel. “As indústrias de cerveja ampliaram as vendas em garrafas, para contornar o alto custo do alumínio, grande consumidor de eletricidade”, explicou. Mais garrafas, mais garrafeiras plásticas para transporte, um dos principais mercados para os vermelhos de cádmio.
Além de sua linha tradicional, a Multicel começou recentemente a distribuir pigmentos da Basf (cromatos e molibdatos de chumbo), titanatos (Basf e Shepherd) e dióxido de cromo importados. “Vendemos pigmentos em pó e color matches (misturas de pigmentos para formar cores especiais)”, explicou. Tedesco acredita no rápido crescimento das vendas dos titanatos, substituindo cromatos e molibdatos no prazo de cinco anos. “O cádmio deve perdurar, pois é ambientalmente seguro, além de oferecer 20 anos de solidez à luz e elevada resistência térmica”, disse.
Há três anos atuando no Brasil com pigmentos, a Johnson Matthey (detentora da marca Cookson) dedica-se ao nicho de especialidades de cádmio e de óxido de ferro. “O mercado nacional de cádmio fica em torno de 250 t/ano, mas competir com o dólar a US$ 2,80 é inviável”, comentou James Russi, gerente de vendas e marketing para a América Latina. Mesmo nos Estados Unidos, Europa e Japão, mercado nos quais o cádmio atende a requisitos normativos, a demanda é estável, mas se exige contínuo desenvolvimento de aplicações. “O cádmio é competitivo em todos os mercados, mas está em uma faixa de qualidade superior”, explicou Russi. Como exemplo de aplicação nova, ele citou o uso em tintas em pó, curadas a altas temperaturas. O cádmio suporta as condições de secagem e também dispersa com facilidade, reduzindo custos. Mas o principias mercados são a fabricação de masterbatches plásticos a de tintas.
Nos tons amarelos, por exemplo, a concorrência é feita com o cromato de chumbo e com o óxido de ferro hidratado convencional. “São produtos de baixo desempenho, mas com preços muito inferiores aos do cádmio”, disse o gerente. “O cádmio amarelo é três a quatro vezes mais caro que o cromato de chumbo”, concordou Tedesco, da Multicel.
No Brasil, a Johnson Matthey administra as importações diretas dos clientes (vendas Indent), além de distribuir seus produtos de cádmio por meio da Ferro Enamel do Brasil, que se encarrega de elaborar os color matches locais. Dessa forma, detém aproximadamente 25% do mercado nacional.
A par do cádmio, a empresa traz para o Brasil o óxido de ferro transparente, uma especialidade consumida nas tintas automotivas e na indústria de madeira. “Todos os óxidos de ferro [amarelo, vermelho e marrom] possuem a mesma estrutura cristalina”, explica Russi. “É preciso controlar a precipitação a fim de obter cristais muito pequenos, que conferem a aparência transparente.” A companhia é uma das três maiores do mundo nesse tipo de produto, tendo comprado a Houghton-Davies (EUA) e transferido a tecnologia para a fábrica da Inglaterra.
Segundo Russi, o óxido transparente atua como protetor contra radiação ultravioleta, substituindo aditivos orgânicos mais caros. “Por ser inorgânico, ele fica mais tempo na película seca”, disse. O material serve para a produção de stains, sistemas protetores de madeira, que evitam manchas em contato com a água. “Os stains deixam madeira ‘respirar’”, comentou.
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