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A situação complicada do setor pouco deveria afetar os negócios da indústria química. “Os corantes conferem atratividade aos produtos e representam menos de 4% do preço dos artigos têxteis acabados”, ressaltou Ferragina.
No cômputo geral, as estatísticas indicam crescimento do consumo aparente de corantes e pigmentos no Brasil nos últimos cinco anos. “De dez anos para cá, o consumo praticamente dobrou no País”, apontou Falzoni. “O problema é que as importações passaram a representar mais de 50% do negócio.”
Deixando de lado os têxteis, segmento mais afetado pela importação, as vendas para outras atividades obtêm bons resultados. Em couros, a situação é boa, embora o País se destaque apenas como exportador de wet blue (apenas com tratamento inicial). “O Brasil conta com boa indústria de couros, espalhada geograficamente, mas a produção de artefatos precisa evoluir”, afirmou. A saída é aumentar a produtividade, porque o aumento de preços transfere mercado para o setor de plásticos. “Veja a fabricação sandálias, por exemplo”, disse Falzoni.
A fabricação de papel também garante negócios para a indústria nacional, em especial nos alvejantes ópticos sulfonados (linha Eniaphor), tanto para massa, quanto para superfície. O uso de papéis sanitários coloridos, bem difundidos na Europa, não pegou no Brasil. A linha de corantes para papel (Eniacel) lista produtos diretos, ácidos e básicos.
Pressão nos pigmentos – Também na área de pigmentos, as pressões da globalização são sentidas, com a agravante da preferência atual dos consumidores finais recair em poucas cores. Basta observar os carros mais novos nos estacionamentos para constatar o predomínio dos tons de preto, branco e cinza, com algumas concessões para o prata e o azul-marinho. As linhas de tintas decorativas imobiliárias também se ressentem do mesmo problema, acompanhado da redução de demanda verificada em 2001.
“As vendas de pigmentos em 2001 apresentaram queda de 3% a 4% em relação ao ano passado”, confirmou Eide Paulo de Oliveira, diretor da divisão de pigmentos e aditivos para a América Latina da Clariant. A redução de demanda foi constante durante todo o ano, mesmo antes da disparada do dólar e dos atentados terroristas em Nova York. “O setor de tintas e vernizes, nosso principal consumidor, fechará o ano em retração”, disse. Já para 2002, a previsão da Clariant é melhor, projetando crescimento de 3% a 4% em volume.
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Principal pigmento consumido nas tintas e em vários setores industriais, o dióxido de titânio também registra retração de demanda, segundo Manoel G. de Andrade, diretor-presidente da Millenium Chemicals no Brasil, companhia internacional que comprou a antiga Tibrás, na Bahia. Pelas suas estimativas, se tivesse sido mantido o ritmo de crescimento de mercado registrado nas décadas de 70 e 80, a demanda interna do pigmento no ano passado teria chegado a 160 mil t. |
Cuca Jorge
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| Andrade: baixa rentabilidade retarda investimentos
no Ti02 |
“O mercado verificado para 2000 ficou entre 113 mil e 115 mil t”, informou. Sua previsão para este ano não passa de 103 mil t.
O diretor credita a queda na procura pelo dióxido de titânio à evolução tecnológica da indústria de tintas, principal consumidora, hoje capaz de aplicar o pigmento com mais eficiência e, portanto, em menor dosagem. Ao mesmo tempo, o crescimento da “segunda linha” de tintas incentivou a oferta de produtos com menos TiO2 e mais cargas minerais, de modo a reduzir preços de venda.
O setor de celulose e papel também reduziu seu consumo de dióxido de titânio, adotando cargas minerais, como o caulim, de preços inferiores. “É um segmento altamente especializado, mas não é mais um grande consumidor do titânio”, comentou Andrade. Nos Estados Unidos, segundo informou, o setor papeleiro representava há alguns anos 20% da demanda do pigmento, percentual que caiu para 4% atualmente.
Já a transformação de plásticos tem reforçado o uso do pigmento, respondendo por 20% da demanda local, contra os 10% do passado. “Esse segmento talvez sofra impactos da guerra no Afeganistão”, avaliou. Ele critica a falta de incentivos à reciclagem e ao reuso de materiais plásticos no Brasil, fato que poderá alimentar futuras pressões negativas, de cunho ambiental. “Colocar plásticos nos lixões é um desperdício”, lamentou.
A produção nacional do dióxido de titânio foi criticada no passado exatamente pelos efeitos ambientais da atividade, geradora de subprodutos do beneficiamento mineral. “A Tibrás iniciou o saneamento ambiental em 1991”, disse Andrade, que liderou a operação. “Em 1998, quando a Millenium comprou a empresa, o problema ambiental já estava resolvido.” A antiga montanha de sulfato ferroso deu origem a uma unidade industrial que dele obtém produtos para tratamento de água.
Nem mesmo a crise de eletricidade afetou a produção. “Cumprimos a meta de redução de consumo, sem prejuízo para a produção”, informou o diretor-presidente, alegando operar com gás natural. Apesar disso, a empresa investe em projeto para co-geração de energia. Para 2002, outra novidade será a mudança do sistema de lavra do minério para dragagem, reduzindo custos. Aliás, a empresa conta com jazida própria na Paraíba para mais 17 anos de trabalho.
O grande problema do pigmento branco é o preço de venda. “A média de US$ 2 mil/t registrada nos últimos dez anos não permite margens satisfatórias e exige contínuo corte de custos”, comentou Andrade. “Basta verificar que foram raros os projetos de novas fábricas do pigmento nesse período em todo o mundo.” Na sua avaliação, o titânio transformou-se em commodity difícil de trabalhar, que enfrenta exigências ambientais crescentes, como acontece com toda a indústria química. “A oferta mundial do TiO2 é grande, obrigando alguns produtores a reduzir a produção”, disse.
Não é o caso da Millenium no Brasil, que manteve a capacidade de 60 mil t/ano do pigmento. Porém, o acalentado projeto de ampliação de 10 mil t/ano foi indefinidamente adiado. Levantamentos de mercado apontam que o abastecimento de mercado é complementado pela Du Pont, que importa anualmente a média de 40 mil t de clínquer, fazendo o acabamento do produto em Uberaba-MG. “Outras companhias também vendem titânio no País, tanto em especialidades, quanto nas commodities, embora sem grandes ambições”, comentou Andrade. As importações brasileiras de pigmento acabado não passam de 5 mil t/ano. “Para acompanhar os custos e permitir novos investimentos, o produto deveria custar entre US$ 2,7 mil a US$ 3 mil por tonelada”, calculou.
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