Campanhas longas – A busca pela diversificação de clientes é apenas uma das novas faces do competitivo mercado de tratamento de água. Outras tendências continuam a se desenvolver, em alguns casos sob ritmos mais lentos e, em outros, com maior velocidade. No primeiro exemplo, encaixa-se a oferta de sistemas integrados e completos de utilidades, que incluem desde a captação da água até o seu descarte ou reuso. No segundo caso, destaca-se a busca em oferecer aos clientes programas e produtos que consigam aumentar as campanhas de seus sistemas de resfriamento.

Para começar pelo último exemplo, cuja resposta no mercado tem sido mais veloz, vale citar o serviço realizado pela Kurita na central petroquímica gaúcha, a Copesul. Na parada para manutenção da planta 1 da central de matérias-primas, no começo do ano, a Kurita comemorou os cinco anos da campanha contínua de na torre de resfriamento. “Nunca foi necessário sequer mini-paradas, já que os trocadores de calor dos condensadores de propileno mostraram estar em ótimo estado”, diz o superintendente José Aguiar Jr. “O próximo desafio acordado com a Copesul é para campanha de seis anos.”

Para Aguiar, tanto a meta atingida como a próxima esperada se devem união de três fatores. Em primeiro lugar, destaca-se a garantia de uma água de reposição de qualidade, seguida por um controle rigoroso de seus padrões. Depois desses cuidados operacionais, que Aguiar considera possíveis somente por meio de um bom entendimento entre fornecedor e cliente, o outro fator importante é o uso de polímeros resistentes. 

No caso Copesul-Kurita, foi utilizado o dispersante Kuriroyal F-509, um dos grades de nova geração produzido no Japão. Para Aguiar, seu principal trunfo é permitir operação com alta concentração de sílica, sem demandar produtos químicos para abaixar o pH a fim de evitar incrustação. O F-509 suporta até 300 ppm de sílica, com variações de pH até 8,7 e temperatura até 70 ºC.

Apesar da extrema importância de controle operacional, o aumento de campanhas depende muito da tecnologia dos polímeros, que precisam cada vez mais suportar elevadas temperaturas, altas concentrações de sais e de tempos de retenção. No caso dos polímeros da Kurita, Aguiar afirma que cada situação da água demanda um tipo da linha Kuriroyal, disponível no Brasil em 12 grades diferentes. “Há alguns mais indicados para situações onde há níveis altos de sólidos suspensos, outros para água com presença acentuada de ferro e assim por diante”, explica.

Inteligência artificial – Outra prova dessa crescente demanda por produtos mais resistentes é uma série de lançamentos da Ondeo Nalco. Como parte de um novo pacote de serviços completos para tratamento de água, denominado Engineering Approach (enfoque de engenharia), a empresa está lançando uma geração de dispersantes terpolímeros acrílicos para operação em condições críticas da água em temperatura, salinidade e tempos de retenção.

Os polímeros foram classificados como HSP (high stress polymers), por suportarem o sintoma classificado pela companhia como “estresse elevado” da água do sistema de resfriamento. 

Cuca Jorge
De modo geral, como afirma o gerente de marketing da divisão industrial para América Latina, Anthony Sabol, o HSP pode suportar temperaturas de até 100 ºC, concentrações de sais de até 10.000 mS/cm e dureza cálcica até 2.000 ppm. 
Sabol: inteligência artificial diminui dependência de soluções da matriz

“Esses produtos são bem menos consumidos em águas muito contaminadas, com baixa velocidade de fluxo e em ciclos altos”, acrescenta Sabol.

A versão de produtos resistentes da BetzDearborn é a linha denominada Dianodic Plus. Para o gerente Gustavo Villaça, esses polímeros, já largamente utilizados e produzidos pela empresa no Brasil em Sorocaba-SP, suportam condutividade de até 8 mS/cm, dureza cálcica de 2.000 ppm e sólidos suspensos até 200 ppm. Para ele, com o uso da linha e de outras medidas mecânicas e operacionais, a empresa contabilizou para os clientes economia de US$ 5,8 milhões por ano em consumo de água, redução de tratamento de efluentes e consumo de produtos. “Esses valores são confirmados pelos clientes”, ressalta.

Mas, para Anthony Sabol, apesar do progresso dos polímeros, o emprego deles é apenas parte de proposta que a Ondeo Nalco pretende passar a oferecer ao mercado como forma de aumentar a eficiência e duração das campanhas. “Antes de avaliar a química dos sistemas, precisamos considerar os aspectos mecânicos e operacionais, onde boa parte dos problemas existem”, diz.

Na proposta do Engineering Approach, a empresa recolhe todas as informações químicas, mecânicas e operacionais do sistema de resfriamento do cliente para alimentar uma base de dados eletrônica denominada Consultant. Segundo afirma Anthony Sabol, essa etapa, por meio de modelagens matemáticas, gera informações (cálculos, relatórios e gráficos) sobre o desempenho das torres analisadas e o nível de estresse que elas suportam. “Instalamos o programa no cliente e repassamos os dados para a matriz nos Estados Unidos”, diz.

Após ter os dados preliminares em mãos, a fase seguinte é utilizar um software chamado Wizard. Considerado pela empresa uma espécie de “inteligência artificial”, por ter armazenado as soluções e as experiências de vários casos de clientes do mundo inteiro, o software é capaz de gerar recomendações práticas para problemas de corrosão, incrustação, reciclo e reuso de água, e de otimização de programas.

“A inteligência artificial faz com que cada engenheiro de vendas no Brasil, no seu computador pessoal, tenha as mesmas condições de oferecer soluções que qualquer outro expert do grupo espalhado pelo mundo”, afirma Paulo Santiago. Uma outra ferramenta para complementar esse conhecimento acumulado eletronicamente é um fórum internacional organizado na Ondeo Nalco. “Qualquer situação inusitada pode ser colocada em discussão no fórum e, em 24 horas, será respondida por um dos nossos funcionários no mundo”, diz.

Por enquanto, a empresa possui no Brasil apenas quatro clientes se utilizando da nova metodologia de trabalho do Engineering Approach: Deten, Copene, Ream e Ultrafértil. “Mas dentro de pouco tempo muitos outros surgirão”, enfatiza o norte-americano Anthony Sabol, desde junho lotado na subsidiária brasileira.

 
 

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