Novidades - Um dos últimos avanços tecnológicos no ramo das tintas é o sistema tintométrico, tema a ser abordado no Congresso. São máquinas de mistura de tintas presentes em vários pontos de venda ou oficinas. Elas garantem as mais variadas tonalidades e cores e estão presentes nos setores automotivo, imobiliário e industrial. “Haverá uma série de palestras para discutir a melhoria deste sistema, como novos tipos de concentrados tintométricos universais. Um sistema que permita um número e precisão maior na obtenção das cores”, adianta Fazenda. Outro item de relevância discutido no congresso será com relação ao desenvolvimento de pigmentos com propriedades aperfeiçoadas de resistência ao intemperismo. “Na química aplicada, a regra geral é melhorar a eficiência dos produtos existentes”, garante o engenheiro químico e coordenador da Comissão Técnica.

Nessa vertente, vários trabalhos serão apresentados, como o desenvolvimento de um aditivo éster de celulose dispersível em água e uma nova geração de inibidores de corrosão orgânicos, ambos para tintas à base de água. Além disso, serão abordadas a evolução e tendências das cores no setor, novos insocianatos para tintas poliuretânicas de alto desempenho e baixos VOCs, assim como serão discutidos novos caminhos para a eficiência das fábricas e o impacto ambiental das tintas imobiliárias. O evento vai destacar ainda a área de resinas, emulsões, pigmentos, cargas minerais, produtos de segurança industrial, entre outros assuntos de interesse.

Mercado - Em 2000, o setor de tintas começou a crescer. Dentre as 320 indústrias pequenas, médias e grandes foram produzidos um volume de 830 milhões de litros - um crescimento de 3,6% com relação a 1999, quando se produziu 801 milhões de litros. Segundo Dilson Ferreira, o ano passado vinha caminhando positivamente, mas no final foi negativo em função do aumento das taxas de juros, o fraco crescimento econômico e a crise na construção civil que, em geral, absorve mais de 50% da produção. Outro fator que o presidente da Abrafati coloca é a desvalorização cambial, em 1999, que gerou o aumento dos preços das matérias-primas.

A expectativa, para o ano passado, era de um crescimento de 10% sobre o ano anterior. Isso porque havia uma projeção de aumento nas vendas nos segmentos da tinta imobiliária, automotiva e de bens de consumo.

Segundo balanço da Abrafati, os efeitos da retomada econômica, da queda dos juros e as medidas governamentais de incentivo à construção de moradias não conseguiram alavancar o segmento da construção, como era esperado. O crescimento das vendas neste ramo ficou em apenas 2%. As projeções otimistas no final de 1999 foram por água abaixo.

A indústria automobilística, responsável por 6% das vendas, foi o segmento que mais cresceu. Em 2000, houve um aumento de 25% com relação a 1999. A repintura automotiva, com participação de 10%, manteve-se estável, apesar do crescimento da frota brasileira de veículos. Na opinião de Ferreira, para 2001, projetava-se um crescimento de mais de 20%. “De janeiro a julho, chegou a 18%. Se o ano terminar com 10% está bom demais”, prevê. A redução nas taxas de juros incentivou a venda de bens de consumo e industriais. A indústria, em geral, teve um desempenho melhor do que em 1999, e gerou um aumento na aquisição de tintas, de 10%. O primeiro semestre de 2001, segundo Ferreira, foi ruim. “Achava que o mercado teria um crescimento de 6%, em função da estabilidade do dólar, as taxas de juros relativamente baixas e o incentivo na construção civil. Mas houve uma reversão que mudou este quadro”, analisa.

Ainda assim, para Jorge Fazenda, o setor é privilegiado. “As tintas têm uma dualidade interessante. Elas protegem e decoram, isso une o útil ao agradável e faz com que as pessoas a usem, direta ou indiretamente”. Ele ainda exemplifica: “Antigamente, carros com pintura metálica eram mais caros do que os de pintura plena. Hoje não.”. Para ele, a relação custo-benefício, para o consumidor, é satisfatória, porque paga-se pouco e recebe-se muito. Ainda no exemplo do automóvel, Fazenda diz que a pintura representa 0,7% do seu valor e, no entanto, na maioria das vezes a cor é determinante para a sua escolha. “Primeiro é o preço, depois a tonalidade”, assegura.

Energia - A crise energética não está afetando o setor de tintas. O único prejuízo que o ramo pode sofrer, segundo Ferreira, “será de ordem indireta, pelo efeito recessivo”.

Ernst Blumenthal, por sua vez, afirma que o parque industrial de tintas estava preparado para esta problemática. “Na demanda atual, as perdas não foram grandes. A maior preocupação fica por conta deste segundo semestre, quando as vendas tendem a aumentar. Em geral, os meses de inverno são tradicionalmente mais fracos”, explica o diretor.

Segundo Ferreira, um primeiro aspecto a se levar em conta é a necessidade de aumentar a meta de consumo das unidades fabricantes de tintas automobilísticas. “Pela medida que instituiu o racionamento, os fabricantes que produzem para uma mesma cadeia produtiva devem ter limites iguais. Como a indústria automobilística tem um limite de 85%, as unidades produtoras de tintas para este ramo também devem ter esta meta, e não os atuais 80%”, explica.

Segundo o presidente, o setor tem capacidade de absorver uma grande quantidade de mão-de-obra adicional, minimizando o aumento do desemprego. De acordo com estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o setor de construção civil, do qual o de tintas faz parte, como representante de 18% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, é gerador de 14 milhões de empregos e responsável pelo consumo de 13% da demanda total de energia elétrica.

Com relação aos produtores, Blumenthal alerta para a necessidade do sistema de geração própria ou ajustes nas diversas unidades de produção. “As pequenas empresas são as que mais sofrem; depois, as médias”, sentencia. “De qualquer forma, fico impressionado com a iniciativa dos fabricantes de tintas em enfrentar problemas adversos.”

Atuação - A Abrafati, no decorrer dos anos, vem intensificando as parcerias com entidades de classes e órgãos técnicos no Brasil, além de estabelecer relacionamento com associações ligadas ao setor de tintas no Exterior. A associação faz parte da Comissão da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e ainda atua no Grupo Parlamentar e na Coalizão Empresarial da Confederação Nacional das Indústrias (CNI).

A sua proximidade com a indústria química fez com que desenvolvesse várias atividades em conjunto com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), em especial com o comitê de coordenação das entidades do complexo químico. No que diz respeito ao caráter técnico, a Abrafati participa do Fórum de Competitividade da Indústria da Construção Civil, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e nos Comitês Químico e Petroquímico e da Indústria da Construção, da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Tem, também, convênios de colaboração com instituições, como a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e o Serviço de Aprendizagem Industrial (Senai).Internacionalmente, a Abrafati, desde 2000, estreitou os laços com a National Paints and Coatings Association (NPCA) dos Estados Unidos, e com o International Paint and Printing Ink Council (IPPIC - uma espécie de Abrafati que reúne entidades de todo o mundo e coordena as atividades no campo das tintas e tintas de impressão). A cooperação vai trazer ao Brasil o programa Coatings Care, sobre saúde, segurança e meio ambiente. Este programa, explica Fazenda, cuida do transporte de mercadorias, de produtos químicos, meio ambiente e a sociedade. “Uma das plenárias será sobre o programa Coatings Care”, adianta.

Outro ponto importante, na atuação da entidade, são as campanhas que encabeça contra a sonegação e a falsificação, e a eliminação de não-conformidades. A voltada contra a sonegação teve início em 1999 e foi intensificada no ano seguinte. Ela procura alertar o comércio varejista das conseqüências negativas para o setor, de comprar de fabricantes de tintas que vendam sem nota fiscal. A campanha contra a falsificação começou também em 1999. Ela tem o intuito de combater o mau uso das máquinas tintométricas, que ocorre com a utilização de matérias-primas não originais.

A padronização e qualidade dos produtos são, também, preocupações da Abrafati. A comissão de eliminação de não-conformidades apoiou o desenvolvimento de 37 métodos de testes essenciais, preparados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e pelo Comitê Brasileiro de Construção Civil, para elaboração de especificações. O programa tem início pelas tintas de parede. Foram estabelecidos contatos e reforçados os laços com o Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), para desenvolver um programa conjunto para atacar não-conformidades na área de tintas, dentro do Programa de Análise de Qualidade de Produtos.


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