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Negócios dinâmicos – O caldeirão de transações de compra, venda e fusão de companhias internacionais permanece em ebulição. A bola da vez é o desmembramento do ramo de defensivos da Aventis, empresa dedicada às ciências da vida formada em dezembro de 1999 pela união das respectivas divisões da Hoechst (AgrEvo) e Rhône-Poulenc. A Aventis Crop Science está sendo negociada com a Bayer, por valor preliminar ao redor de US$ 5 bilhões. A aquisição colocará a empresa alemã no segundo lugar do ranking mundial de produtores agroquímicos, atrás apenas da Syngenta, empresa formada no ano passado pela fusão de negócios agroquímicos da Novartis com os da Zeneca.
Especula-se que, num segundo momento, a Bayer deverá desfazer-se das linhas de inseticidas da Aventis, que seriam repassadas à Basf. A transferência permitiria a aceitação da aquisição pelos órgãos europeus de defesa da concorrência.
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Outros lances de destaque concretizados nos últimos dois anos foram a incorporação dos negócios agrícolas da Rohm and Haas pela Dow Agro. Já a Cyanamid passou ao controle da Basf, ampliando o portfólio de produtos e permitindo acelerar o ritmo de lançamento de produtos deste ano. “Sem a sinergia que encontramos com a Cyanamid não nos seria possível lançar oito produtos em 2001, além de ingressar nos mercados de trigo e cana-de-açúcar”, comentou Davi Tassara, gerente de marketing da divisão agro da Basf brasileira. A possível compra dos inseticidas da Aventis é considerada interessante por Tassara, embora considere prematuro comentar a transação.
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| Cuca Jorge |
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| Tassara:
unidades locais também exportam |
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No caso da Basf, o fenômeno da globalização de mercados foi favorável à indústria brasileira dos valiosos produtos técnicos. “Quase 60% da produção total (sintetizados ou formulados) da nossa fábrica de Resende-RJ é exportada para vários países”, comentou Tassara. Em alguns casos, a síntese do produto técnico é feita no Brasil para suprimento mundial da companhia. A capacidade produtiva local cresceu com a incorporação da Cyanamid, cujos sites de Paulínia-SP e Resende-RJ somaram-se ao complexo químico da Basf, em Guaratinguetá-SP. “A tendência é produzir aqui os ativos de consumo local já estabelecido, dependendo de análise técnico-econômica em âmbito mundial”, considerou.
Emblemático é o projeto de US$ 550 milhões que está sendo desenvolvido em Camaçari-BA pela Monsanto, visando a integração vertical da síntese do herbicida glifosato e da formulação do produto comercial Round-Up. Até o final do ano, a empresa espera concluir a primeira fase do projeto, orçada em US$ 350 milhões, a partir da qual produzirá tricloreto de fósforo, ácido dissódico iminodiacético e ácido fosfonometil iminodiacético. Este reage com peróxido de hidrogênio para formar o glifosato, que é neutralizado com isopropilamina para formar o produto técnico herbicida sal de isopropilamina do glifosato. A importação de intermediários para a produção de glifosato é estimada em US$ 200 milhões, abastecendo as fábricas da Monsanto em Zarate (Argentina) e São José dos Campos-SP, além das unidades fabris das concorrentes Milenia (formada em 1998 pela união das nacionais Herbitécnica e Defensa com a israelense Makhteshim – Agan Industries) e Nortox.
A segunda etapa do projeto de Camaçari-BA, com conclusão prevista para 2003, contempla a síntese e neutralização do glifosato e a formulação do produto comercial da companhia. Isso poderá mudar o fluxo de intermediários para as unidades regionais, reduzindo custos logísticos.
O glifosato é um caso à parte no panorama dos defensivos agrícolas. Trata-se de molécula antiga, conhecida há mais de vinte anos, portanto dispensada de privilégio de patente, sendo produzida em vários lugares do mundo, principalmente na Índia e na China, países famosos pelos baixos preços ofertados. Como se trata de herbicida pós-emergente de contato, com alta eficiência de controle de plantas daninhas e comprovada segurança ocupacional e ambiental, a molécula se mantém na liderança das vendas no Brasil e no mundo, representando o núcleo dos desenvolvimentos recentes da Monsanto, que desenvolveu, por engenharia genética, variedade própria de soja capaz de suportar o herbicida, de modo a reduzir custos operacionais da lavoura. Essa variedade transgênica ainda não está liberada para o Brasil, mas já é cultivada na Argentina e também nos Estados Unidos.
Na maioria dos casos, os produtos técnicos atingem a obsolescência em tempo inferior a 20-25 anos, sendo suplantados por novidades mais eficazes e seguras. A consolidação de grandes empresas mundiais garante recursos para bancar investimentos em inovação e a fusão de companhias permite somar conhecimento, acelerando descobertas. A título de exemplo: a Basf, segundo Tassara, investe de 10% a 12% do faturamento mundial em pesquisa e desenvolvimento.
A despeito do ritmo de lançamentos, alguns itens permanecem por décadas no portfólio de produtos disponíveis, sem significar nenhum demérito. “Ao lado de produtos novíssimos, nossa linha apresenta casos de grande longevidade, como o Kumulus (fungicida à base de enxofre), que tem mais de 50 anos, ou o U-46 (2,4D), que continuam sendo eficientes”, comentou Tassara.
Quando um produto é lançado, faz-se uma análise econômica para determinar o retorno do investimento. “Geralmente, essa análise é feita considerando prazos longos de comercialização”, explicou Tassara. Dado o alto custo de pesquisa, esperar retorno rápido do investimento implicaria vender produtos a preços elevados, que poderiam ser rejeitados pelos agricultores.
As linhas antigas já não precisam se preocupar com amortização de capital, oferecendo boa remuneração aos produtores mesmo a preços relativamente baixos. Além disso, é comum ampliar as aplicações dos produtos, registrando-os para o uso em outras plantações, ou em usos diversos. O fungicida clorotalonil, por exemplo, foi criado para aplicação agrícola e hoje é muito usado como biocida na preservação de madeira (veja QD-394).
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