A disponibilidade de ingredientes ativos e as facilidades logísticas contribuem para o bom atendimento ao mercado. “Nossa preocupação é atender bem os pequenos e médios clientes, desprovidos de estrutura para análises e registro de produtos nos órgãos competentes”, 

Cuca Jorge

Mauro Majerowicz: assistência aos pequenos clientes

comentou Mauro Majerowicz, diretor comercial da Polyorganic Tecnologia, empresa que distribui produtos da Bayer há oito anos, complementando a linha de mais de 130 itens com outros fornecedores não conflitantes. Ele estima em US$ 15 milhões/ano o mercado potencial de biocidas para tintas no Brasil.

Proteção variada – O setor de tintas se preocupa duplamente com a proliferação de microorganismos. De início, o fabricante precisa garantir a durabilidade da tinta enlatada, ambiente no qual pode haver proliferação bacteriana, suportada pelas condições do meio. Essa proteção in can é conseguida com o uso dos bactericidas já mencionados. No entanto, eles não atuam na etapa seguinte, impedindo o desenvolvimento de fungos e também de algas sobre os filmes de tinta seca aplicados a diversas superfícies, como alvenaria e madeira. Dessa forma, o fornecedor de aditivos biocidas precisa compor uma fórmula capaz de defender a tinta nas duas situações.

A Bayer apresentará no próximo Congresso Internacional de Tintas, em setembro, novos componentes da linha Preventol, elaborados com o objetivo de apresentar desempenho superior ao já disponível, porém com menor custo total de aplicação. O TSP 80025 combina três ingredientes ativos para controlar bactérias, fungos e leveduras dentro das latas. 

Cuca Jorge “Conseguimos uma fórmula com alta velocidade de inibição de enzimas, impedindo danos à tinta embalada”, explicou Roberto Griebel, representante técnico da divisão SP/CH/FS da Bayer para o Mercosul, esclarecendo tratar-se de desenvolvimento para as linhas de base aquosa.
Griebel: nova regulamentação européia pode mudar o mercado

Já o Preventol 80036 combina princípios ativos com ação fungicida e algicida para ampliar a durabilidade da pintura seca. “A contaminação com algas cresceu muito nos últimos anos”, informou. Segundo o técnico da Bayer, a lixiviação do produto é muito baixa e seu custo permite uso até mesmo nas tintas da chamada segunda linha. 

Griebel comenta que os principais fungicidas hoje usados na indústria de tintas são problemáticos. “A n-octilisotiazolona sofre lixiviação, enquanto o TCMTB (metiltiocianato de benzotiazol) é instável a variações de pH, provocando amarelecimento”, comentou. Esse produtos também são pouco eficientes contra algas.

Quanto à atualização tecnológica, ele explicou que a Bayer norteia os desenvolvimentos de produtos pelas diretrizes normativas européias, atualmente em fase de consolidação, com previsão de apresentar uma lista final de produtos aprovados até o final de 2002. “A partir dessa lista, é possível que o mundo todo revise suas normas, principalmente na área ambiental”, disse.

O técnico salientou que vários princípios ativos antes usados apenas na indústria cosmética hoje são aplicados a outros ramos, a exemplo do nitropropanodiol (Bromopol) e do IPBC (iodopropinilbutilcarbamato). No caso dos fungicidas e dos algicidas, vários ativos foram desenhados inicialmente para aplicação agrícola, como o diuron, um conhecido herbicida que hoje também aditiva tintas antifouling para casco de navios. Ponto fundamental para o bom desempenho dos biocidas em tintas é dispor de formulação equilibrada. “Não adianta usar o melhor aditivo se a tinta apresenta ancoragem ruim e baixa solidez à radiação UV”, comentou.

Otto Rohr, diretor-presidente da Miracema-Nuodex recomenda cuidado com o ataque de fungos ao filme seco. “O Aspergillus niger, por exemplo, está presente nas manchas do teto dos banheiros e é venenoso para os seres humanos”, explicou. Hospitais da Alemanha, segundo ele, proíbem a entrada de flores com terra, meio onde se encontra esse fungo, identificado como causador de várias infecções letais em pacientes. A Miracema-Nuodex produz o fungicida Coryna BF, obtido por meio da tecnologia da Bode Chemie (Cinon de alto peso molecular), que aliou octilisotiazolonas com derivados do ácido carbâmico. 

“O problema dos fungicidas para tintas reside no desejo de contar com aditivos que sejam dispersáveis em água e, ao mesmo tempo, sejam insolúveis, de modo a reduzir a lavabilidade do material, garantindo poder residual por longo período”, afirmou Otto Rohr. A experiência própria na produção de soluções e dispersões complexas ajudou a desenhar a formulação. Além disso, eram freqüentes, no passado, problemas de interferência dos fungicidas na cor da tinta acabada, provocando amarelecimento. Rohr explicou que isso se devia à presença de impurezas na composição dos fungicidas, problema resolvido, pelo menos nos principais fornecedores.

Uma explicação para o uso de aditivos tradicionais nas formulações reside na falta de normas oficiais para ensaios e avaliações de tintas. Atualmente, o Comitê Brasileiro da Construção (Cobracon) conta com uma comissão de especialistas preparando as primeiras propostas, que resultarão, ao final do processo, em normas oficiais da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A existência de normas para ensaios vai obrigar todos os fabricantes a atender requisitos mínimos de qualidade, hoje ignorados, principalmente nas marcas mais econômicas do mercado. Muitos fabricantes recorrem às normas internacionais, como a ASTM, dos EUA. “Os contaminantes variam de uma região geográfica para outra, exigindo normas de estudo diferenciadas, com temperaturas, tempo de teste e condições mais adequadas”, considerou a bióloga Cecília Canales, membro da comissão do Cobracon e consultora em microbiologia industrial, atuando junto à Logos Química. 

Higiene industrial – Mesmo com toda a evolução técnica, o uso intensivo de biocidas não compensa a falta de práticas adequadas de manipulação e processamento de materiais, incluindo a higienização das linhas e o controle de qualidade de insumos. A Avecia verifica aumento da procura pelo programa SAPH, de abordagem sistemática da higiene de fábricas. “Não se trata de vender moléculas da companhia, mas de desenvolver uma estratégia de controle da contaminação biológica, como atividade preventiva”, explicou Dora Alice Campos. Segundo avaliação da companhia, apenas as indústrias de alimentos, cosméticos e farmacêutica dão a devida atenção ao problema, em parte por serem obrigadas a isso pelos regulamentos sanitários nacionais e internacionais. Porém, todas as indústrias sofrem, em graus variados, com a proliferação de microorganismos, capazes de formar camadas estáveis nas paredes de tubulações e equipamentos, chamadas biofilme, que constituem focos de contaminação e também provocam perdas na troca térmica, além de aumentar os prejuízos com a corrosão. “O programa de prevenção precisa ser avaliado não só pelo custo de aplicação, mas pela manutenção da qualidade final dos produtos, redução de perdas e retrabalhos e diminuição do desgaste por corrosão”, afirmou a diretora.

“O uso inadequado de biocidas pode induzir o aparecimento de cepas resistentes de bactérias e também a formação de biofilme, uma forma de autoproteção desses micróbios, nas linhas de produção”, afirma Débora Figueiredo Deda, especialista de suporte técnico da Clariant para biocidas. A empresa conta com produtos específicos para combate ao biofilme, escolhidos após análise adequada de cada caso para determinar a metodologia de tratamento. “Às vezes é possível usar o biocida combinado com um surfactante”, afirmou. “Em outros casos, o surfactante dispersa o biocida e ele pára de funcionar.”

Cuca Jorge

Débora: uso indevido de biocidas pode selecionar cepas resistentes

  

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