A capacidade atual da Brastubo chega a 100 mil t/ano em tubos no Brasil, sendo operada com ociosidade de 50% nas linhas. “Estamos dentro das metas programadas”, informou o vice-presidente, que estima o mercado local em 400 mil t/ano. A empresa oferece linha de diâmetros de 12 a 114 polegadas, construída segundo normas nacionais e internacionais (até API X70, por exemplo), sendo certificada pelo American Petroleum Institute desde 1994, e com a ISO 9002, desde 1996, por meio da auditoria alemã TÜV. Segundo Proietti, a empresa pode formar tubos até 2,8 metros de diâmetro, sob encomenda.

Está em curso investimento para transformar 2 milhões de t/ano de aço em tubos, reativando unidade comprada junto à Armco, em Houston, Texas, EUA. “O plano inicial era encontrar maquinário usado de alta tecnologia e trazê-lo para Cubatão”, comentou Proietti. “Mas as condições do negócio foram mais favoráveis a manter a unidade lá mesmo, favorecendo o acesso ao mercado americano e ao resto do mundo.” A unidade texana está sendo remodelada, voltando a operar no final de 2002.

Divulgação/Brastubo
Tubulação de PEAD conquista espaço nos esgotos

Dentro do plano estratégico da companhia consta a decisão de especializar-se nos tubos. Em razão disso, foi deixada de lado a produção de perfis soldados e serviços de caldeiraria, usados para a produção de conexões. “Já há muitas empresas prestando esses serviços com boa qualidade”, justificou Proietti.

Ao mesmo tempo, o grupo criou a Brastubo Química, fabricante de tubos feitos de polietileno de alta densidade (PEAD), com diâmetros desde 20 mm até 1 metro. Essa unidade está instalada em São Vicente-SP e opera na média de 300 t/mês. Embora os indicadores mundiais apontem para crescimento da demanda de tubos de PEAD da ordem de 10% ao ano, Proietti se diz esperançoso e preocupado com essa linha de atuação. “Está havendo guerra de preços em todos os segmentos de mercado”, comentou. 

Polietileno agressivo – As principais aplicações dos tubos de PEAD no Brasil são os condutores para cabos de telecomunicação, distribuição de gás natural e redes de esgoto urbano. Segundo o vice-presidente comercial da Brastubo, a área de telecomunicações não estabeleceu normas rígidas e estimulou a derrubada dos preços pagos pelos tubos, redundando em problemas técnicos pela baixa qualidade dos dutos. “Ficaremos fora desse mercado até a normalização”, disse.

A distribuição de gás natural representa grande negócio para a Brastubo, que atendeu às primeiras licitações da Comgás (SP) e CEG (RJ). “Nas licitações mais recentes, ficamos com 80% da CEG, mas perdemos os pedidos da Comgás”, lamentou Proietti, dizendo-se surpreso com o resultado. Afinal, só há um fornecedor brasileiro do tipo (grade) adequado da resina termoplástica para essa aplicação (a gaúcha Ipiranga Petroquímica), e os produtos importados têm preços conhecidos. “Não se pode usar material reciclado nesse caso”, disse. Ele mencionou apenas dois concorrentes que teriam capacidade técnica para fornecer tubos para gás. 

No caso dessas redes de distribuição, ele considera que os tubos de aço na especificação API 5LS, com costura helicoidal, poderiam ser usados sem problemas técnicos. No entanto, a opção das distribuidoras pelo PEAD também é tecnicamente boa, e representa custos aceitáveis.

Nas áreas de mineração e irrigação, grandes consumidores de tubos feitos de PEAD, Proietti lamenta a prática de guerra de preços, que conduz, invariavelmente, a fornecimentos de baixa qualidade, fora dos objetivos da Brastubo.

Resta o gigantesco mercado de condução de esgotos sanitários urbanos, atualmente atendido pelos tubos de ferro fundido. “Nesse caso, os tubos de PEAD apresentam enorme vantagem, desde a facilidade e o baixo custo de instalação até a maior resistência à corrosão, que permitem garantir a vida útil para 50 anos ou mais”, disse. Porto Alegre-RS e Rio de Janeiro já optaram pelo material na substituição das redes coletoras, segundo Proietti. Está em discussão o projeto do emissário submarino de esgoto da Barra da Tijuca, um duto de 5 km com 1,4 m de diâmetro, que precisaria ser importado ou substituído por duas linhas de diâmetro menor, fornecidas por transformadores locais.

A situação do PEAD é melhor nos esgotos do que na água de abastecimento porque os primeiros operam com pressões internas baixas, demandando tubos de paredes menos espessas. Nas linhas de água, com paredes mais espessas para suportar a pressão, o peso dos tubos é maior (contêm mais resina), implica aumento de custo, e os torna menos competitivos.

A concorrência nos tubos de PEAD deve ficar ainda pior. “A capacidade instalada dos fabricantes desses tubos é até dez vezes maior que a demanda efetiva”, calculou Ricardo Sommermann, diretor comercial da Tecnoplástico Belfano, fabricante de equipamentos industriais estabelecido desde 1958, que há dois anos e meio passou a trabalhar com tubos desse material em diâmetros mais expressivos. 

A razão do descompasso entre oferta e demanda é o enorme potencial de mercado existente no Brasil, mas que não se desenvolve a contento.

Cuca Jorge
Sommermann e Barreira: preço vil compromete futuro do PEAD

 “Só há negócios em saneamento nas regiões Sul e Sudeste”, comentou Francisco Zeidan, gerente de vendas da Aflon Artefatos Plásticos e Metálicos. A empresa fabrica tubos de materiais sintéticos há 15 anos, mas a demanda se tornou evidente apenas a partir de 1997. “Nas outras regiões, o desconhecimento do material é total”, disse, salientando que os cursos universitários de engenharia dão pouca ou nenhuma atenção aos tubos feitos de materiais sintéticos, limitando-se aos metálicos.

Apesar dessa limitação de mercado, o gerente da Aflon estima o mercado de extrusão de PEAD no Brasil em 1,5 mil t/mês, média verificada em 2000. A empresa transforma atualmente de 200 a 250 t/mês em suas instalações do bairro paulistano do Sacomã. “Estamos com a capacidade totalmente ocupada e não temos espaço físico para ampliação”, explicou Zeidan, anunciando investimentos da empresa na montagem de fábrica em Cabreúva-SP, para onde se transferirá a Aflon até o final de 2002. “Lá vamos aumentar a capacidade e o diâmetro dos tubos”, informou. A faixa atual de atuação vai de 20 mm a 400 mm, em barras de 6 a 20 metros, ou carretéis com 100 m (dependendo do diâmetro).

Mesmo verificando crescimento do consumo de tubos da resina da ordem de 10% ao ano, ele também revela alguma apreensão quanto ao destino dessa área de negócios. O consumo para a formação das infovias de telecomunicação já é decrescente, sendo ultrapassado pelas redes de distribuição de gás natural e saneamento básico. A preferência da empresa é disputar os mercados nos quais sejam exigidas normas rígidas de fabricação e montagem, que oferecem melhor remuneração e afugentam os aventureiros. 
Cuca Jorge
Duarte aponta opções para fluidos corrosivos

“Há mercado para todos os fabricantes, desde que os consumidores se conscientizem das vantagens do uso de tubos plásticos”, considerou Zeidan. Para isso, ele conclama os concorrentes e os fornecedores de resinas a desenvolver esforço conjunto para divulgar o material, além de ampliar a disponibilidade dos grades adequados de resinas a preços razoáveis, com o intuito de ser mais competitivos nas bitolas maiores.

Trabalhando na faixa de 20 a 500 mm, a Belfano concentra seus esforços na área de adução de água e coleta de esgotos, tendo deixado de lado os subdutos para telefonia por causa de “concorrência desleal”, segundo Sommermann. “Temo que isso possa ocorrer também no saneamento básico, aviltando o mercado e promovendo o uso de resinas inadequadas para as aplicações definidas”, criticou. O resultado dessa prática será a mácula na imagem do produto, prejudicando o desenvolvimento de negócios futuros. A empresa também não atua no fornecimento de tubos para gás, por opção própria.

Grande vitória da Belfano foi o fornecimento de tubulação de água para cervejaria no Rio de Janeiro, concluída em 1999, em prazo recorde de 90 dias. “Trata-se de adutora com 17 km de comprimento, usando tubo de 500 mm de diâmetro, com espessura de parede de 30 mm, atendendo a norma ISO 4427”, explicou o diretor-comercial. Ele salientou que essa adutora foi toda soldada no campo (solda de topo) e colocada em valetas adequadas, abertas e fechadas no mesmo dia. “Não ficaram buracos abertos durante a noite que pudessem causar acidentes”, disse. Além disso, a interferência no dia-a-dia das comunidades afetadas pela obra foi mínima.
Os tubos de PEAD apresentam grande facilidade para instalação e suportam compressão externa sem quebrar nem apresentar aderência entre paredes. “É o tubo ideal para conduzir fluidos até 50°C por longas distâncias, com elevada vida útil”, avaliou Fernando Barreira, gerente de vendas e marketing de PEAD da Belfano, verificando o crescimento anual de 10% na demanda. Tubos até 4 polegadas são unidos por conexões do tipo ponta e bolsa, enquanto os diâmetros maiores são soldados pelo topo. “O engate ponta e bolsa pode apresentar vazamentos na ocorrência de alguma flexão ou movimentação, o que não acontece com a solda”, informou.

 
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