Dentro do plano estratégico da companhia consta a decisão de especializar-se nos tubos. Em razão disso, foi deixada de lado a produção de perfis soldados e serviços de caldeiraria, usados para a produção de conexões. “Já há muitas empresas prestando esses serviços com boa qualidade”, justificou Proietti. Ao mesmo tempo, o grupo criou a Brastubo Química, fabricante de tubos feitos de polietileno de alta densidade (PEAD), com diâmetros desde 20 mm até 1 metro. Essa unidade está instalada em São Vicente-SP e opera na média de 300 t/mês. Embora os indicadores mundiais apontem para crescimento da demanda de tubos de PEAD da ordem de 10% ao ano, Proietti se diz esperançoso e preocupado com essa linha de atuação. “Está havendo guerra de preços em todos os segmentos de mercado”, comentou. Polietileno agressivo – As principais aplicações dos tubos de PEAD no Brasil são os condutores para cabos de telecomunicação, distribuição de gás natural e redes de esgoto urbano. Segundo o vice-presidente comercial da Brastubo, a área de telecomunicações não estabeleceu normas rígidas e estimulou a derrubada dos preços pagos pelos tubos, redundando em problemas técnicos pela baixa qualidade dos dutos. “Ficaremos fora desse mercado até a normalização”, disse. A distribuição de gás natural representa grande negócio para a Brastubo, que atendeu às primeiras licitações da Comgás (SP) e CEG (RJ). “Nas licitações mais recentes, ficamos com 80% da CEG, mas perdemos os pedidos da Comgás”, lamentou Proietti, dizendo-se surpreso com o resultado. Afinal, só há um fornecedor brasileiro do tipo (grade) adequado da resina termoplástica para essa aplicação (a gaúcha Ipiranga Petroquímica), e os produtos importados têm preços conhecidos. “Não se pode usar material reciclado nesse caso”, disse. Ele mencionou apenas dois concorrentes que teriam capacidade técnica para fornecer tubos para gás. No caso dessas redes de distribuição, ele considera que os tubos de aço na especificação API 5LS, com costura helicoidal, poderiam ser usados sem problemas técnicos. No entanto, a opção das distribuidoras pelo PEAD também é tecnicamente boa, e representa custos aceitáveis. Nas áreas de mineração e irrigação, grandes consumidores de tubos feitos de PEAD, Proietti lamenta a prática de guerra de preços, que conduz, invariavelmente, a fornecimentos de baixa qualidade, fora dos objetivos da Brastubo. Resta o gigantesco mercado de condução de esgotos sanitários urbanos, atualmente atendido pelos tubos de ferro fundido. “Nesse caso, os tubos de PEAD apresentam enorme vantagem, desde a facilidade e o baixo custo de instalação até a maior resistência à corrosão, que permitem garantir a vida útil para 50 anos ou mais”, disse. Porto Alegre-RS e Rio de Janeiro já optaram pelo material na substituição das redes coletoras, segundo Proietti. Está em discussão o projeto do emissário submarino de esgoto da Barra da Tijuca, um duto de 5 km com 1,4 m de diâmetro, que precisaria ser importado ou substituído por duas linhas de diâmetro menor, fornecidas por transformadores locais. A situação do PEAD é melhor nos esgotos do que na água de abastecimento porque os primeiros operam com pressões internas baixas, demandando tubos de paredes menos espessas. Nas linhas de água, com paredes mais espessas para suportar a pressão, o peso dos tubos é maior (contêm mais resina), implica aumento de custo, e os torna menos competitivos.
“Só há negócios em saneamento nas regiões Sul e Sudeste”, comentou Francisco Zeidan, gerente de vendas da Aflon Artefatos Plásticos e Metálicos. A empresa fabrica tubos de materiais sintéticos há 15 anos, mas a demanda se tornou evidente apenas a partir de 1997. “Nas outras regiões, o desconhecimento do material é total”, disse, salientando que os cursos universitários de engenharia dão pouca ou nenhuma atenção aos tubos feitos de materiais sintéticos, limitando-se aos metálicos.
“Há mercado para todos os fabricantes, desde que os consumidores se conscientizem das vantagens do uso de tubos plásticos”, considerou Zeidan. Para isso, ele conclama os concorrentes e os fornecedores de resinas a desenvolver esforço conjunto para divulgar o material, além de ampliar a disponibilidade dos grades adequados de resinas a preços razoáveis, com o intuito de ser mais competitivos nas bitolas maiores.
Trabalhando na faixa de 20 a 500 mm, a Belfano concentra seus esforços na área de adução de água e coleta de esgotos, tendo deixado de lado os subdutos para telefonia por causa de “concorrência desleal”, segundo Sommermann. “Temo que isso possa ocorrer também no saneamento básico, aviltando o mercado e promovendo o uso de resinas inadequadas para as aplicações definidas”, criticou. O resultado dessa prática será a mácula na imagem do produto, prejudicando o desenvolvimento de negócios futuros. A empresa também não atua no fornecimento de tubos para gás, por opção própria. |
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