Quando houver necessidade, explica o diretor da Onyx-Resicontrol, Leon Tondowski, a empresa aciona os acordos opera­cionais com os incineradores da Basf, de Guaratinguetá-SP, e da Bayer, em Belford Roxo-RJ. 

Na onda
– A grande concorrente mun­dial da Vivendi, a Suez (que recen­temente retirou o Lyonnaise des Eaux da razão social) se reestruturou para, entre outros motivos, criar uma divisão para administrar suas soluções inte­gradas para indústria. Em março, foi criada mundialmente a Ondeo Industrial Solutions, responsável pela coorde­nação de ofertas integradas para a indústria, administrando e unindo os diversos serviços e produtos disponíveis nas várias divisões e empresas do grupo. “Estamos nos preparando para colocar em prática os processos de sinergia de todas as áreas e assim criar soluções completas de utilidades”, afirma o gerente geral para a América Latina, José Serrano.
Cuca Jorge
Serrano: Suez criou empresa para administrar sinergia

A divisão, na verdade, faz parte da nova empresa formada pela Suez em março para agrupar seus negócios de água: a Ondeo (em latim significa “Eu vou por sobre a onda”). Por sua vez, a Ondeo é subdividida em Ondeo Ser­vices, voltada para águas municipais; Ondeo Degrémont, de projeto, en­genharia de equipamentos e sistemas e ainda operação e manutenção de uni­dades; e a Ondeo Nalco, responsável pelos processamentos químicos e ser­viços de água industrial e efluentes.

Além de coordenar as operações integradas das três di­vi­sões, a On­deo In­dustrial Solutions também pode acio­nar outras operações do grupo Suez. Em energia, o grupo conta com a Tractebel, dona no Brasil da geradora gaúcha Gerasul. em resíduos, a operação mundial é controlada pela Sita, proprie­tária no País da Vega Sopave e sócia do incinerador da Teris do Brasil, em Taboão da Serra-SP (ver QD-384, pág. 36).

Cuca Jorge
Gallizioli, Tondowski e Fernandes (esq. para dir): Vivendi e Betz juntas já ganharam contrato na Usinor no Paraná
“Estamos fazendo reuniões mensais e trocando infor­ma­ções com executivos e técnicos das divisões de equipamentos e de municipalidades para interá-los sobre nossas tec­nologias”, afirma José Serrano, da Ondeo Nalco. Em razão do processo de reestruturação ter se finali­zado recentemente, de acordo com Serrano ainda não há contratos de pacotes com­pletos. “Mas temos um nível de in­ves­ti­mentos anual da ordem de US$ 20 bilhões para financiar pro­jetos do tipo BOT por todo o mun­do”, diz o gerente. Bom lembrar que a Ondeo tem faturamento mundial de US$ 8,5 bilhões, dentro da receita total da Suez de US$ 32 bilhões. Com 60 mil clientes em 130 países, a Ondeo Nalco fatura US$ 2,4 bi.

Nesse processo de integração de operações, a Ondeo Nalco no Brasil já consumou a incorporação de recentes aquisições. A nacional Adesol, im­portante produtora de polímeros acrí­licos, teve suas atividades (princi­palmente clientes, já que sua fábrica em Ribeirão Pires-SP foi descontinuada em razão de passivos am­bien­tais) incluídas na divisão Unisolv de clien­tes indus­triais médios (auto­mo­bilís­tico, cosmé­ticos, farma­cêu­tico, açúcar e ál­cool, etc.). A Kenisur, atuan­te no mercado institucional (prédios, hos­pitais, peque­nas indústrias), é a outra divisão, além da Unisolv, subordi­nada aos negócios de espe­cia­­lidades, cuja gerência geral está a cargo de José Serrano.

De seus negócios no Bra­sil ava­liados por volta de US$ 50 milhões, cerca de 20% se destinam ao trata­mento de efluentes, 40% para condicio­namento de água de caldeiras e o restante, para resfriamento. Com cresci­mento anual por volta de 20%, uma prova da ascen­são da sub­sidiária brasileira foi a quadruplicação da fábrica em Su­zano-SP, agora com capacidade para 40 mil t/ano. “Importamos hoje em dia apenas algumas matérias-primas”, diz o gerente de marketing para América Latina da Ondeo Nalco, Manoel Velloso. Segundo ele, a principal motivadora do cresci­mento tem sido a divisão de especia­lidades, em detri­mento da divisão industrial (petro­química, papel e celulose, siderúrgica). “A indústria média, como por exemplo bebidas e alimentos, significa muito mais clientes, por todas as regiões do País”, diz. Com 450 funcionários no Brasil, a Ondeo Nalco possui escritórios nas principais cidades.

Tendência se alastra – Não só os dois líderes franceses se movimentam para ofertar serviços além da simples venda de uma estação de tratamento de efluen­tes ou um pacote de dosagem de pro­dutos químicos. Os outros com­petidores, sejam eles médios ou peque­nos, também correm por fora nessa tendência de solução completa já em início de assimilação pelos clientes. A tradicional Kurita tem procurado fazer os funcio­nários compreenderem melhor as tecno­logias de equipamentos da matriz japonesa. Especializados nos serviços de condicionamento químico, os técnicos freqüentam cursos internos para apren­der o know-how.

Do corpo efetivo, há apenas três funcionários voltados para a área de equipamentos. Mas a idéia, segundo o supe­rin­ten­dente de operações da Kurita, José Aguiar Jr., é criar a cons­ciência em toda a empresa de que as soluções mecânicas precisam ser integradas com a linha de polímeros. Conforme diz, faz parte da estratégia ofertar ao mercado equi­pa­mentos de médio e pequeno porte, como estações de trata­mento de água (ETAs) com­pactas e estações de trata­mento de efluentes (ETEs) com capa­cidades abaixo de 2 mil m³/dia, ou filtros de areia e desmineralizadores. 
Divulgação
Sistema de aeração por mangueiras removíveis na ETE da VCP

Aliás, quando se instalou no Brasil no início da década de 80, a Kurita possuía um departamento de equipamentos, aos poucos descontinuado. A luta agora, segundo Aguiar, é traduzir a literatura técnica dos sistemas, em japonês, para facilitar o aprendizado de engenheiros e químicos brasileiros.

Além da preocupação com a solução mecânica, a Kurita também lança metodologia para ofertar serviços globais de otimização de tratamento de efluentes. Surgida em 1999 no Japão e a partir deste ano no Brasil, a proposta consiste, em primeiro lugar, na iden­tificação do gargalo da em­presa nos principais insu­mos de uma ETE: de­manda e descarte de água, resíduos, eletricidade, manutenção e químicos. “Normalmente o problema do cliente está em apenas um desses parâ­me­tros”, explica Aguiar. Depois de identificado, a Kurita faz uma minuta da análise, se­guida de uma proposta de melhoria, com os custos incluídos, para operação-teste por um período de dois a três anos. Se nessa fase o cliente aprovar os resultados e optar pelo programa, celebra um contrato de longo prazo.

Cuca Jorge
Aguiar: metodologia para ofertar serviços de efluentes
Nessa metodologia, já foi fechado um negócio no Brasil, em uma grande indústria química que o superin­ten­dente prefere não revelar o nome. Em sua estação de 2.000 m³/dia, o gargalo estava nos resíduos, cujo custo para desi­dratação e disposição de lodo era
mui­to­ elevado (o maior entre os insu­mos, de US$ 0,030/m³). “Nós reduzimos o volume de resíduo gerado por meio de um melhor desaguamento da torta”, diz. Segundo Aguiar, o cliente aprovou a medida e começará a fase-teste em breve. 

Essa nova conta, continua o supe­rintendente, fez a participação no mercado de efluentes da Kurita passar de um percentual de 15% para 23% do faturamento. Aliás, de forma geral a empresa vai bem e, segundo Aguiar, já conseguiu superar a perda da conta na Copene em 2000, seu maior cliente no Brasil (ver QD-388, pág. 16). Ao perseguir com mais interesse o mercado industrial médio, a receita total em 2000 foi de US$ 16,7 milhões . No primeiro quadrimestre de 2001, houve um acrés­cimo de 33% nas vendas ante o mesmo período do ano anterior, o que faz Aguiar Jr. projetar um faturamento, até o fim do ano, de US$ 20 milhões. Um outro novo negócio ressaltado é a unidade de exploração de petróleo da Petrobrás em Urucu, na floresta amazônica, onde a Kurita se encarregará da água e do efluente.


Além da Kurita, há ainda outras empresas procurando agregar valor aos seus fornecimentos. A Logos Aqua, de Barueri-SP, produtora de polímeros, de acordo com seu diretor, Renato Araujo Silva, estuda propostas de parcerias com fornecedores de sistemas. Também uma nova empresa, a Centroprojekt do Brasil, ex-Lurgi CFA, pretende aliar seu conhe­cimento como projetista de sistemas e equipamentos para efluentes com as novas tecnologias de gerencia­mento de resíduos de sua nova controladora.

Adquirida em abril pelo grupo checo Centroprojekt, por meio de negociação com o antigo dono ame­ricano Azurix (Enron), a nova empresa com escritório em São Paulo pretende entrar no mer­cado de incineração. De acordo com o diretor comercial Valdir Folgosi, além de atuar em engenharia de energia, água e telecomunicações na República Checa, Grécia e Etiópia, a nova controladora possui tecnologia de incineração de lixo doméstico, hos­pitalar e industrial. “Possivelmente ajudaremos a aumentar a oferta bastante limitada de queima de resíduos do Brasil”, diz.

No campo dos efluentes, a Centro­projekt continuará a ter licença tec­nológica da alemã Lurgi Bamag, em­presa também à venda pela Azurix, e continuará a ser representante de pe­neiras rotativas e dos sistemas de desidratação de lodo da Huber, do mesmo país. Como Lurgi CFA durante quase dois anos, a empresa conseguiu seis contratos. Um deles é obra na produtora de celulose VCP, em Jacareí-SP, onde forneceu em turn-key ETE para 3.500 m³/h, com desidratadores de lodo e sistema de aeração por mangueiras removíveis. Segundo o gerente comer­cial da Centroprojekt, Vicente da Silva, uma novidade de origem checa será uma rede a vácuo para coleta de esgoto sanitário ou industrial. “É ideal para solos com problema de interferência e lençóis freáticos rasos”, diz.


 
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