Micronização e tambores – Operações de moagem e micronização também podem ser contratadas, por exemplo, junto a Hermes-Collore Ind. e Com., de Indaiatuba-SP. Especializada na comercialização de pigmentos orgâ­nicos e inorgânicos, a empresa, estabe­lecida desde 1982, iniciou há dois anos a prestação de serviço de moagem ultrafina de sólidos secos. A terceiri­zação do serviço de moagem é uma forma econômica de enobrecer o produto em questão, sem necessidade de altos investimentos em equi­pa­mentos, manutenção e em pessoal especializado. O me­nor tamanho das partículas favorece em muito os re­-sultados de reações químicas, dis­persões, misturas, com­bustão, impres­são gráfica e outros.

A ação de moinhos de im­pacto mecânico não é efi­ciente para obter partículas abaixo de 20 micra. O pro­cesso da Her­mes-Collore usa ar comprimido seco e isento de contaminantes, que pro­voca o choque entre as partí­culas. Esse processo é indi­cado para materiais sen­síveis à tempe­ratura, como os antibióticos. Podem ser obtidos pro­dutos finais na faixa de 0,5 a 45 micra. Segundo o diretor João Pedro Altmann, os grandes usuários desse serviço são os fabricantes de pigmentos, como a Clariant.
Também a destinação das emba­lagens usadas na indústria quí­mica, tais como tambores, bombonas e con­tainers, requer procedimentos adequa­dos. Há empresas como a Tambor-line Recu­peradora de Tam­bores Ltda. que adquirem essas emba­lagens e tratam-nas adequadamente, removendo os resíduos nelas contidos e recuperando-as. A empresa está credenciada pela Cetesb para prestar esse serviço.


Serviços laboratoriais – Determinações analíticas sem condições de serem feitas no laboratório de controle de qualidade de uma indústria química podem ser terceirizadas. O Guia das Análises’2000, publicação anual da Editora QD Ltda., é um vasto banco de dados de prestadores desse tipo de serviço. Trata-se de uma lista de produtos e segmentos da indústria química em ordem alfabética, seguidos das análises normalmente neles reali­zadas, indicando as empresas públicas ou privadas que as realizam para terceiros.

Na edição de 2001, a ser publicada em julho, novos integrantes estarão aparecendo pela primeira vez, como por exemplo a Basf. Em recente decisão, a empresa optou por oferecer aos interessados sua bem equipada estrutura analí­tica. Poderão ser solici­tadas análises ao setor de intem­perismo acelerado, onde exis­tem equipamentos como salt pray, câmara úmida, weather-o-meter e outros. Seu labo­ratório analítico está disponível para espectro­fotometria no infravermelho, cromatografia (gasosa e lí­quida) e calorimetria dife­rencial de varredura.

A Basf, porém, não é a primeira grande empresa a buscar na prestação de servi­ços uma complementação para o orçamento laboratorial. O departa­mento de meio am­biente da Bayer S.A., localizado em Belford Roxo-RJ, há alguns anos presta serviços de análises em amostras de água e efluentes, como determinação de dioxinas, DBO (de­manda bio­química de oxigênio), DQO (demanda química de oxigênio) e várias outras.
Outra grande empresa, a Solvay, buscou solução diferente para reduzir custos: desativou seu controle de qualidade e terceirizou-o aos próprios funcionários, que criaram a Conceito Tecnologia Química S/C Ltda. A prestadora, que ocupa as mesmas instalações e equipamentos já exis­tentes, levou à eliminação da neces­sidade de contratação da mão-de-obra, reduzindo as despesas de forma significativa. 

Calibração de instrumentos – Além da necessária manutenção, os instru­mentos usados na realização das análises laboratoriais também obrigam a busca de serviços de calibração, com número expressivo de prestadoras. 

Atuando há 23 anos nesse mercado e detentora da certificação ISO 9002, a Microprecs Microprecisão Técnica Ltda. segundo informa a coordenadora de vendas Eliana Amaral, oferece serviços de manutenção e calibração de inúmeros instrumentos de medição, desde os usados em concessionárias de veículos, como os calibradores de pneus, ou medidores de pressão de óleo, até os encontrados em hospitais, como monitores cardíacos, monitores de pressão e outros. 

Eliana, da Micropress, calibra instrumental analítica

A empresa tem condições técnicas de calibrar equipa­mentos para medir dimensões, massa, força, pressão, assim como instru­mentos ópticos e elétrico-eletrônicos.

Laboratórios químicos que precisem calibrar picnômetros, densímetros, balanças eletrônicas, analíticas e semi-analíticas, pHmetros, viscosímetros ou refratômetros, podem contratá-la. A calibração de um pHmetro digital custa R$ 120,00. Empresas como Oxiteno, Dragoco Perfumes e Aromas e BYK Química e Farmacêutica aparecem em sua lista de clientes. 

Revendedores de equipamentos também oferecem esse tipo de serviço. Por exemplo, calibrações de aparelhos para análise térmica, como analisadores termogravimétricos, ou de instrumentos usados nas aferições ligadas à saúde e à higiene industrial, como deci­belí­metros, bombas para amostragem do ar e outros, são feitas pela dpUnion Instrumentação Analítica e Científica Ltda., fornecedora desse tipo de instrumental analítico. Em geral o usuário desse tipo de serviço busca empresas que pertençam à RBC (Rede Brasileira de Calibração).

A KNWaagen Balanças e Equipa­mentos de Precisão Ltda. é uma das integrantes da RBC. Executa calibração de pesos-padrões de 1 mg a 600 kg e de balanças até 3 toneladas. No labo­ratório de volumetria podem ser calibradas micropipetas, pipetas, seringas, buretas digitais, dispensadores e outros equi­pamentos volumétricos com capaci­dade desde 0,1 ml até 20 litros.

Outra empresa dedicada à prestação de serviços na área metrológica é a Quimlab Química e Metrologia. Sedia­da no Campus da Universidade do Vale do Paraíba, desenvolve e comercializa padrões químicos rastreados ao Na­tional Institute of Standards and Technology (NIST), localizado nos EUA. Os padrões são desenvolvidos em parceria com a Universidade de São Paulo, sendo o projeto financiado pela Fundação Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A Quimlab faz parte do Subcomitê de Metrologia em Química que está sendo organizado pelo Inmetro/IPT para normalização de ensaios químicos, intercâmbios laboratoriais e fabricação de materiais de referência. A empresa produz padrões de calibração para pH, condutividade iônica, atividade iônica (F-, Cl-, Na+, K+, Ag+), comprimento de onda (UV, visível e infravermelho), absorbância e transmitância (UV e visível), elementos para absorção e emissão atômica, além de padrões primários para volumetria.

Há ainda alguns outros serviços necessários em um laboratório. Por exemplo, alguns procedimentos ana­líticos e de amostragem, requerem a utilização de vidraria ou instrumental específico, não encontrado à venda para pronta entrega. Empresas como An­drade’s Com. de Materiais para Labo­ratório, Vidrolabor - Astra Brasil Ind. de Vidros e Laborglas Ltda. fabricam vidraria ou utensílios em inox sob encomenda, bastando apresentação de um desenho detalhado da peça desejada.

Terceirização em P&D – A custosa infra-estrutura de um laboratório de pesquisas muitas vezes torna inviável às pequenas empresas o desen­vol­vimento de novos produtos e for­mulações. Buscando viabilizar essa atividade, instituições públicas e privadas oferecem serviços nessa área.
Um exemplo são as empresas juniores, associações civis, sem fins lucrativos, constituídas por alunos de graduação de estabelecimentos de ensino superior, que prestam serviços e desenvolvem projetos nas suas áreas de atuação, sob a supervisão de professores e profissionais especia­lizados. 
As empresas juniores têm a natu­reza de uma empresa real, com diretoria executiva, conselho de administração, estatuto e regimentos próprios, e ainda uma gestão autônoma em relação à direção da faculdade, centro acadêmico ou qualquer outra entidade. 

Os custos dos projetos são bem inferiores aos de uma empresa de consultoria privada, por utilizar mão-de-obra de estudantes não sujeita à mesma carga tributária. A qualidade do serviço é garantida pela orientação dos professores das escolas onde essas empresas estão estabelecidas ou, em alguns casos, pelo auxílio de profis­sionais da área.

As empresas juniores foram criadas com o objetivo de proporcionar ao estudante a aplicação prática de conhecimentos teóricos, relativos à sua área de formação profissional especí­fica; desenvolver o espírito crítico, analítico e empreendedor do aluno; intensificar o relacionamento empresa/escola; valorizar a instituição de ensino como um todo, facilitando o ingresso de futuros profissionais nela graduados no mercado de trabalho; e contribuir com a sociedade, pela prestação de serviços, proporcionando ao micro, pequeno e médio empresário um trabalho de qualidade a preços aces­síveis. All Química, Inovação Química e QJPC - Química Projetos & Consul­toria são as empresas juniores dos Institutos de Química da Unicamp, USP e Unesp de Araraquara, respectiva­mente.

Outras formas de prestação de serviços técnicos são oferecidas pelas instituições públicas. Na Universidade de São Paulo (USP) existe o Disque Tecnologia, criado em setembro de 1991, em parceria com o Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo). 
A proposta do Disque Tecnologia é oferecer às empresas ou empreen­dedores a competência da USP para a solução de problemas específicos de natureza tecnológica ou de gestão. São atendidas empresas de todos os seg­mentos, sendo as do ramo químico responsáveis por um número expressivo de consultas, que já somam 15 mil. As solicitações podem ser apresentadas por carta, telefone, fax, e-mail (disqtec@edu.usp.br) ou, ainda, pessoalmente.

Atualmente, são recebidas 15 por dia, das mais variadas regiões do País. Em média, as consultorias são con­cluídas em dez dias. A estrutura do Disque Tecnologia já inspirou a criação de serviços similares em 16 instituições no País e duas na Argentina. A maioria dos usuários do serviço é formada por empreendedores potenciais (55%), seguidos de empresas (39%) e profis­sionais liberais (6%).

O atendimento às consultas envol­veu, nos últimos quatro anos, 44 unidades e órgãos da universidade, com a colaboração de docentes (20%), técnicos (2%), estudantes de pós-graduação (2%), estudantes afiliados às empresas juniores (27%) e parceiros tecnológicos externos (24%).
Serviços de consultoria em pesquisa e desenvolvimento também são ofere­cidos pela iniciativa privada. Algumas prestam consultoria para segmentos industriais específicos. É o caso da Sucro Álcool Química & Consultoria Ltda. Localizada em Araraquara-SP, a empresa atende há 15 anos as destilarias de álcool, fornecendo assessoria nos processos de produção, tratamento químico de água etc. Outras atendem a segmentos diversos, oferecendo um leque de serviços como faz a P&D Consultoria Química de São Paulo, criada em abril de 1987. Contando com um corpo técnico experiente a empresa já desenvolveu para terceiros, nesses quase 14 anos de existência, inúmeros produtos e processos, como o de produção de tiossulfato de amônio, fenolftaleína, argamassa autonivelante ou verniz contendo cápsulas de essência (ver QD – novembro de 2000).

Podem ser contratados serviços completos, que terminam com o acompanhamento da produção indus­trial, ou só algumas etapas do desen­volvimento, do tipo pesquisa biblio­gráfica. O acesso a bancos de dados internacionais e um cadastro de tradu­tores técnicos das mais variadas línguas, incluindo, russo, japonês e chinês, são algumas facilidades usadas pela em­presa para o bom embasamento teórico dos projetos. Seus convênios com várias instituições de ensino e pesquisa em todo o País reduzem os custos da etapa experimental. Além do desen­volvi­mento de novos produtos, a P&D terceiriza também serviços de meto­dologia analítica, desde a assessoria na implantação de um laboratório com­pleto, para controle físico-químico da qualidade, até apenas a pesquisa de método para uma única determinação analítica.

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