Essas alternativas de “reavivamento” de membranas, coincidentemente, são divulgadas em boa hora. Isso porque, depois de cinco anos com preços em queda, as membranas de osmose reversa sofreram um reajuste mundial no final do ano passado. 
Unidade de osmose com pré-tratamento (à esq.) por ultrafiltração na Holanda

Desde novembro de 2000, a Hydranautics, do grupo japonês Nitto Denko, aumentou seu preço em 8%, atitude logo seguida pelos demais produtores, como Dow, Koch e outros. Ao se levar em conta a grande quantidade de elementos por módulo de osmose, dá para se ter noção da economia conseguida com a regeneração. Segundo comunicado da Argo, esse processo equivale a “uma pequena fração do custo de substituição da membrana”.

Embora também tenha programa de regeneração no exterior, feita tanto em laboratório como no próprio cliente, a PermaCare considera outras as prioridades para o mercado brasileiro. Mesmo com a intenção de a médio prazo lançar a regeneração in loco no País, a gerente de vendas e marketing para a América do Sul da PermaCare, Karin Hellwig, acredita que em primeiro lugar os clientes devem se alertar para a vida média baixa da membrana no Brasil. 

Karin: vida útil das membranas no Brasil é considerado baixa

“Elas deveriam no mínimo suportar cinco anos de operação, como ocorre nos países desenvolvidos e como os próprios fabricantes pré-especificam, mas na verdade não ultrapassam três anos”, afirma. 

Para Karin, o problema é o de sempre: falta de pré-tratamento adequado, responsável por 80% dos inconvenientes das unidades. As gafes começam no início da operação. Muitos usuários não investem o necessário nos sistemas de filtragem e clarificação, requeridos, para reduzir contaminação orgânica e para a descloração, e acabam ocasionando problemas posteriores. E sem o tratamento físico adequado, a parte química, na qual se dosam antiincrustantes e biocidas em linha, não terá o desempenho esperado. Além disso, os próprios dosadores, as tubulações e as bombas originais das unidades nacionais são mal dimensionadas e dificultam as limpezas e dosagens químicas corretas.

“Além de diminuir a vida da membrana, os erros também levam a uma grande constância de paradas para limpeza química”, diz Karin. Segundo ela, não deveriam ultrapassar quatro vezes ao ano, mas há casos de limpezas realizadas a cada duas semanas. Para já começar operando de acordo com a característica da água de alimentação, além dos aconselhamentos para melhorar o tratamento físico, tanto a PermaCare como a Argo Scientific possuem programas de software específicos para caracterização da dosagem necessária de produtos.

O da Argo chama-se Argo Analyzer e determina, com os dados da análise da água, qual o nível de saturação dos minerais mais solúveis, como sulfatos de bário, estrôncio, cálcio e de sílicas na membrana. Com esses parâmetros, o software especifica o máximo suportado pelo sistema para não criar incrustações, automaticamente informando a dosagem necessária dos antiincrustantes e quais deles atuam melhor naquela água. A Argo possui inibidores específicos para sílica (MSI 300) e outros também redutores da contaminação por ferro coloidal. Para garantir a dosagem correta, independente de alterações da água, normalmente os técnicos da empresa fazem análises mensais. 

Além da preocupação com a incrustação, o software da Argo também determina a necessidade de injeção de coagulantes antes dos filtros de cartucho para melhorar a filtragem ao neutralizar partículas coloidais, como argila, óxido de ferro e algas. Além disso, são determinadas as paradas para limpeza química e o controle biológico necessário. Nesse último caso, o uso dos biocidas específicos pode ser contínuo ou nas próprias paradas.

Já o software da PermaCare, empresa de origem inglesa desde 1999 subordinada à Suez Lyonnaise des Eaux (controladora da Nalco), chama-se RO11 e visa também indicar a dosagem e o tipo de antiincrustante a ser empregado, ao identificar o potencial de incrustação da água. Poderá ser usado o aditivo PermaTreat PC-191, considerado de amplo espectro e utilizado já há 20 anos pela empresa (foi fundada em 1981). 

De acordo com a gerente Karin Hellwig, o grade 191 tem ação eficaz contra o chamado biofouling (incrustação biológica). Já o dispersante PC-510 possui desempenho adicional para inibir a formação de incrustações geradas pela alta presença de sílica. Tipicamente pode ser usado em teores de até 230 mg/l de sílica no concentrado em pH 7,5 a 25ºC. Além desses, há antiincrustantes específicos para a água do mar, sulfato e para pequenas unidades de osmose reversa. Também faz parte da linha da PermaCare biocidas e limpadores químicos para foulings orgânicos e inorgânicos.

Autópsia – Efetivamente no mercado brasileiro desde o segundo semestre de 2000, a PermaCare também quer passar a realizar a chamada autópsia de membrana. Leva esse nome pela similaridade com o procedimento médico legal. Após os devidos cinco anos de operação, a empresa recolhe uma membrana do primeiro estágio do módulo ou da última do segundo passo da osmose. Com uma das duas em mãos, a etapa seguinte é abrir a membrana e fazer o chamado teste destrutivo.

Com a dissecação dos elementos, faz-se a análise microbiológica na qual se caracterizam os agentes de foulant (contaminação de sais e bactérias). “Com os dados obtidos chegamos a conclusões e recomendações para nortear as operações futuras ou para fazer uma proposta de recuperação das membranas”, diz Karin. Depois da abertura do elemento também é feita uma limpeza química para se conhecer, por exemplo, a sensibilidade aos biocidas.  
Autópsia de membrana: para conhecer os problemas

A gerente ressalta, porém, nem sempre ser necessária a autópsia. “Apenas quando há variações no sistema, sobretudo de pressão osmótica.”

Também nesse sistema de autópsia, a PermaCare encontra na Argo Scientific um contratipo, visto que a empresa possui procedimento de serviço similar. Aliás, além de pertencerem a grupos concorrentes globais (Nalco e BetzDearborn), o confronto entre as duas empresas no mercado brasileiro deve se dar em praticamente todos os clientes. A disputa será num mercado sul-americano de tratamento químico para osmose avaliado em US$ 5 milhões, sendo 60% o Brasil. De acordo com Antônio Aparecido, da Argo, a empresa da Betz possui 31% de participação e o restante fica dividido entre 14 empresas. A PermaCare, porém, já conseguiu cliente importante no País: ganhou concorrência neste ano na Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá-SP.

Uma outra empresa dessa área com atuação crescente no Brasil é a Acqualease, representante da americana Avista, formada por ex-funcionários da Argo Scientific. Há pouco mais de um ano com escritório em São Paulo (ver QD-379, pág. 17), e trabalhando em várias unidades de desmi, a empresa começará em breve a fazer blendagem de seus antiincrustantes e de produtos para limpeza química e alcalina no País.

Outra novidade da Acqualease é passar a vender um coagulante orgânico Romquest 3000 para dosar antes do filtro de areia. Para descloração susbstituta ao filtro de carvão ativado (cujo principal inconveniente é formar bactérias), a Acqualease também vende agora no Brasil solução concentrada de metabissulfito de sódio. Segundo seu diretor, José Paulo Rey Silva, o metabissulfito normalmente é empregado com um analisador específico. 
Silva: blendagem de aditivos de pré-tratamento no Brasil

“Ele opera identificando a presença do metabissulfito na água de saída da osmose, havendo seu residual, o cloro foi neutralizado”, diz.

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