Desde novembro de 2000, a Hydranautics, do grupo japonês Nitto Denko, aumentou seu preço em 8%, atitude logo seguida pelos demais produtores, como Dow, Koch e outros. Ao se levar em conta a grande quantidade de elementos por módulo de osmose, dá para se ter noção da economia conseguida com a regeneração. Segundo comunicado da Argo, esse processo equivale a “uma pequena fração do custo de substituição da membrana”.
“Elas deveriam no mínimo suportar cinco anos de operação, como ocorre nos países desenvolvidos e como os próprios fabricantes pré-especificam, mas na verdade não ultrapassam três anos”, afirma. Para Karin, o problema é o de sempre: falta de pré-tratamento adequado, responsável por 80% dos inconvenientes das unidades. As gafes começam no início da operação. Muitos usuários não investem o necessário nos sistemas de filtragem e clarificação, requeridos, para reduzir contaminação orgânica e para a descloração, e acabam ocasionando problemas posteriores. E sem o tratamento físico adequado, a parte química, na qual se dosam antiincrustantes e biocidas em linha, não terá o desempenho esperado. Além disso, os próprios dosadores, as tubulações e as bombas originais das unidades nacionais são mal dimensionadas e dificultam as limpezas e dosagens químicas corretas. “Além de diminuir a vida da membrana, os erros também levam a uma grande constância de paradas para limpeza química”, diz Karin. Segundo ela, não deveriam ultrapassar quatro vezes ao ano, mas há casos de limpezas realizadas a cada duas semanas. Para já começar operando de acordo com a característica da água de alimentação, além dos aconselhamentos para melhorar o tratamento físico, tanto a PermaCare como a Argo Scientific possuem programas de software específicos para caracterização da dosagem necessária de produtos. O da Argo chama-se Argo Analyzer e determina, com os dados da análise da água, qual o nível de saturação dos minerais mais solúveis, como sulfatos de bário, estrôncio, cálcio e de sílicas na membrana. Com esses parâmetros, o software especifica o máximo suportado pelo sistema para não criar incrustações, automaticamente informando a dosagem necessária dos antiincrustantes e quais deles atuam melhor naquela água. A Argo possui inibidores específicos para sílica (MSI 300) e outros também redutores da contaminação por ferro coloidal. Para garantir a dosagem correta, independente de alterações da água, normalmente os técnicos da empresa fazem análises mensais. Além da preocupação com a incrustação, o software da Argo também determina a necessidade de injeção de coagulantes antes dos filtros de cartucho para melhorar a filtragem ao neutralizar partículas coloidais, como argila, óxido de ferro e algas. Além disso, são determinadas as paradas para limpeza química e o controle biológico necessário. Nesse último caso, o uso dos biocidas específicos pode ser contínuo ou nas próprias paradas. Já o software da PermaCare, empresa de origem inglesa desde 1999 subordinada à Suez Lyonnaise des Eaux (controladora da Nalco), chama-se RO11 e visa também indicar a dosagem e o tipo de antiincrustante a ser empregado, ao identificar o potencial de incrustação da água. Poderá ser usado o aditivo PermaTreat PC-191, considerado de amplo espectro e utilizado já há 20 anos pela empresa (foi fundada em 1981). De acordo com a gerente Karin Hellwig, o grade 191 tem ação eficaz contra o chamado biofouling (incrustação biológica). Já o dispersante PC-510 possui desempenho adicional para inibir a formação de incrustações geradas pela alta presença de sílica. Tipicamente pode ser usado em teores de até 230 mg/l de sílica no concentrado em pH 7,5 a 25ºC. Além desses, há antiincrustantes específicos para a água do mar, sulfato e para pequenas unidades de osmose reversa. Também faz parte da linha da PermaCare biocidas e limpadores químicos para foulings orgânicos e inorgânicos.
A gerente ressalta, porém, nem sempre ser necessária a autópsia. “Apenas quando há variações no sistema, sobretudo de pressão osmótica.” Também nesse sistema de autópsia, a PermaCare encontra na Argo Scientific um contratipo, visto que a empresa possui procedimento de serviço similar. Aliás, além de pertencerem a grupos concorrentes globais (Nalco e BetzDearborn), o confronto entre as duas empresas no mercado brasileiro deve se dar em praticamente todos os clientes. A disputa será num mercado sul-americano de tratamento químico para osmose avaliado em US$ 5 milhões, sendo 60% o Brasil. De acordo com Antônio Aparecido, da Argo, a empresa da Betz possui 31% de participação e o restante fica dividido entre 14 empresas. A PermaCare, porém, já conseguiu cliente importante no País: ganhou concorrência neste ano na Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá-SP. Uma outra empresa dessa área com atuação crescente no Brasil é a Acqualease, representante da americana Avista, formada por ex-funcionários da Argo Scientific. Há pouco mais de um ano com escritório em São Paulo (ver QD-379, pág. 17), e trabalhando em várias unidades de desmi, a empresa começará em breve a fazer blendagem de seus antiincrustantes e de produtos para limpeza química e alcalina no País.
“Ele opera identificando a presença do metabissulfito na água de saída da osmose, havendo seu residual, o cloro foi neutralizado”, diz.
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