PROJETOS QUÍMICOS E PETROQUÍMICOS INICIAM O MILÊNIO
COM AMBIENTE ECONÔMICO FAVORÁVEL A NOVOS PROJETOS,
INCLUSIVE PARA ABATER DÉFICIT DA BALANÇA COMERCIAL


MARCELO FAIRBANKS

A aurora do terceiro mi­lênio da era cristã en­contra a indústria quí­mica brasileira espe­rançosa quanto ao au­mento de vendas e de rentabilidade, quadro propício para a reali­zação de investimentos produtivos no País. A imagem do navio sin­grando águas calmas com vento em popa ilustra a perspectiva geral dos vários segmentos da área. No entanto, alguns fatores negativos se insinuam, com­plican­do o exercício da adivinhação.

A proposta inicial deste trabalho pretendia delinear os horizontes da indústria química durante os próximos mil anos, tarefa reconhecida impossível pela inexistência de bola de cristal com tão longo alcance. Fixou-se um hori­zonte mais factível de dez anos, ali­viando alguns dos entrevistados por conceder-lhes indulgência plena por decurso de prazo. “Daqui a dez anos ninguém vai se lembrar do que eu falei”, confidenciou um deles. 

Dez anos pode ser considerado prazo razoável para amortizar um grande investimento petroquímico, mas para o ofício árduo da consultoria moderna, situada mais próxima da ciência que da vulgar cartomancia, representa a eterni­dade. 

Mesmo considerando apenas os próximos 24 meses já se torna difícil traçar com segurança o rumo dos negócios. Basta verificar as atuais condicionantes citadas por todos: o comportamento dos preços do petróleo, os humores da recessão norte-americana e o quadro eleitoral brasileiro para 2002.

O ponto de partida é o ano 2000, no qual a indústria química brasileira faturou US$ 42,3 bilhões, tendo impor­tado US$ 10,6 bilhões e exportado US$ 4 bilhões. Os números foram apresen­tados pela Abiquim, cujos levantamentos estatísticos mostram que o setor ocupou, em média, 88% da capacidade instalada durante o ano. O volume de investi­mentos programados na atividade soma US$ 9,1 bilhões entre 2001 e 2005, perfazendo a média anual de US$ 1,8 bilhão. “É muito pouco para atender às necessidades do mercado brasileiro, pois já estamos operando no limite”, avaliou o presidente da entidade, Carlos Mariani Bittencourt. 

AMBIENTE ECONÔMICO

A previsão do início de 2001 para o crescimento do PIB supera o índice de 4,1% alcançado em 2000, segundo o Ipea, e pode até ser surpreendente, se mantido o ritmo de negócios do início de ano. “O governo acertou a moeda em 1999, meio sem querer, e já iniciou processo de redução de juros, estimu­lando a atividade produtiva”, comentou o consultor Thomas Unger. “Em linhas gerais o ambiente é favorável para investimentos em vários setores.”

Cuca Jorge

Unger: pouso suave dos EUA não afetam ambiente brasileiro


 
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