Outro caso é a aplicação na indústria de rações animais. Por exemplo, o palmitato de vitamina A, amplamente usado em rações para galinhas poedeiras, é normalmente microencapsulado com gelatina para aumentar a resistência à umidade e ao oxigênio atmosférico, ou seja, para obter maior estabilidade. Outras vitaminas lipossolúveis são tratadas de modo similar.

No exterior foram microencapsuladas rações para peixes, constituídas basicamente de misturas de proteínas e gorduras. O objetivo é reduzir a oxidação do produto durante a armazenagem e retardar a taxa de liberação no ambiente aquoso das criações. Segundo a literatura especializada, essa proteção aumenta muito a eficiência da alimentação e, por conseqüência, a taxa de crescimento dos peixes. 

Também na área de pesticidas as microcápsulas encontram aplicação. Os agrotóxicos encapsulados têm sua atividade prolongada por liberação controlada do princípio ativo. Há ainda outros benefícios, como a redução da volatilização, da fitotoxicidade e da degradação ambiental, além, é claro, da questão de segurança, pois os pesticidas encapsulados reduzem o perigo de intoxicação a que o usuário é exposto. Prova disso é o produto Penncap-M, existente nos EUA, que contém microcápsulas de 30 a 50 µm de metilparation. Após aplicação com equipamento spray convencional, o agente ativo é liberado lentamente por permeação da parede da cápsula. Comparado ao metilparation não encapsulado, apresenta toxicidade reduzida para mamíferos e efetividade prolongada.

Outro setor que cada dia mais desenvolve formulações com microcápsulas é o cosmético. Vários produtos para tratamento facial e capilar usam as microcápsulas para, entre outros benefícios, preservá-los. É o caso da vitamina C, usada nos produtos anti-envelhecimento para combater os radicais livres. Nesse segmento é mais comum o uso de partículas menores que 1 µm, chamadas de nanocápsulas, cujo diminuto tamanho permite uma penetração mais fácil na pele.

Pigmentos também costumam ser microencapsulados com o objetivo de mascarar as propriedades do núcleo, como, por exemplo, controlar a mudança de cor em função da mudança de pH, princípio de funcionamento do já mencionado papel de cópia sem carbono. Da mesma forma os produtos domissanitários, como os sabões em pó, também usam enzimas e outros ativos microencapsulados.

O controle de liberação de odor é outra aplicação das microcápsulas. O principal uso dá-se em materiais de propaganda de perfumes. Nesse caso, a peça publicitária impressa recebe uma camada de verniz incolor contendo microcápsulas com o perfume e invisíveis a olho nu. O leitor vê apenas o papel impresso, com a foto da embalagem do perfume anunciado. Mas, o toque simples de seus dedos no papel provoca o rompimento das microcápsulas com a liberação da fragrância, perfumando o papel e a pele nele tocada. Para essa aplicação, as cápsulas devem ter diâmetro médio de 30 a 50 µm.

No ramo de propaganda existem também aplicações em que são usadas as chamadas macrocápsulas, isto é, partículas com mais de 1.000 µm. Há impressos nos quais as cápsulas são dispersas em um adesivo unindo duas partes do papel. Ao descolá-las, o leitor da propaganda provoca o rompimento das macrocápsulas com liberação do odor.

No mercado internacional tem surgido uma infinidade de novas aplicações para as microcápsulas além das citadas. Amálgamas dentários com mercúrio microencapsulado, retardantes de chama e aromas para cigarros, são alguns desses exemplos.

Tabela 1: Exemplos de aplicações de microcápsulas e seus respectivos processos de produção

Como obtê-las – É muito grande a quantidade de gases, líquidos e sólidos que podem ser microencapsulados. Entre eles incluem-se substâncias hidrofóbicas e hidrofílicas. O material que compõe a casca é selecionado em função das propriedades físicas e químicas do núcleo e da aplicação pretendida. Geralmente consiste de polímeros naturais ou sintéticos. A efetividade do funcionamento da cápsula depende das propriedades do material da membrana, que não deve permitir a liberação do conteúdo antes do momento adequado. 

As técnicas e processos de microencapsulação abrangem várias áreas científicas distintas, incluindo química dos colóides, físico-química, química dos polímeros e materiais, e ainda tecnologias de suspensão e secagem.

Existem vários métodos para produção de microcápsulas. A escolha do mais adequado é feita dependendo da solubilidade do material do núcleo e do constituinte da casca; do tamanho de cápsula desejado; da espessura e da permeabilidade ideal da membrana, bem como da taxa e forma ideais de liberação. 

Os processos de microencapsulação podem ser classificados em químicos e mecânicos, a saber:

processos químicos: coacervação; incompatibilidade polímero-polímero; polimerização interfacial em interfaces líquido-líquido, polimerização in situ; evaporação de solvente; extrusão com bocal submergido.

processos mecânicos: spray drying; leito fluidizado; polimerização interfacial em interfaces sólido-gás ou líquido-gás; extrusão com centrifugação; extrusão ou gotejamento em um banho de dessolvatação; separação por suspensão rotacional (spinning disk).

A tabela 1 apresenta alguns exemplos de processos de encapsulação usados em aplicações industriais. O material usado na constituição das membranas também é indicado.

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