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QUÍMICA EXIGE REFORMA TRIBUTÁRIA
| A Associação
Brasileira da Indústria Química (Abiquim) promoveu seu
encontro anual no dia 8 de dezembro, em São Paulo, contando com
a participação do ministro do Desenvolvimento, Alcides
Tápias, do secretário-executivo da Camex, Roberto Gianetti da
Fonseca, e de representantes de setores afins: fibras
artificiais e sintéticas, tintas e vernizes, cosméticos e
higiene pessoal, sabões e detergentes, indústria
farmacêutica, defensivos agrícolas e fertilizantes. O
principal item da pauta foi discutir o parco resultado do
complexo químico no comércio exterior, revelando forte
tendência importadora.
A conclusão das discussões apontou para a perda de
competitividade internacional de todo o agregado, com
circunstâncias específicas para cada setor, destacando-se uma
característica comum: o efeito maléfico da estrutura
tributária brasileira sobre a produção nacional. A
necessidade de uma reforma sistêmica dos tributos foi pleito
unânime dos participantes, incluindo o próprio ministro. “A
reforma tributária é o primeiro item da pauta de trabalho do
governo para 2001”, afirmou Tápias.
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Os números apresentados ao
representante do governo ficaram longe de um presente de Natal. O
faturamento líquido da indústria química e atividades
correlatas no Brasil somou US$ 42,3 bilhões na estimativa feita
para 2000. Isso representou crescimento de 18% em relação a
1999, porém ficou abaixo do resultado de 1997, com US$ 45,2
bilhões. Foi praticamente igual ao de 1998, de US$ 42,2 bilhões.
Para piorar a situação, o déficit na balança comercial cresceu
de US$ 6,3 bilhões para US$ 6,5 bilhões (FOB) de 1999 para
2000.
“Para reverter o quadro, precisamos reduzir o custo total de
investimentos, baixar o custo dos insumos básicos e elevar as
aplicações em pesquisa e desenvolvimento do setor”, disse
Carlos Mariani Bittencourt, presidente da Abiquim e, no mesmo dia,
empossado presidente da seção brasileira do Centro dos
Empresários da América Latina (Ceal). Ao contrário de outros
anos, quando a associação entregou ao governo longos estudos de
competitividade, a Abiquim preparou um quadro-resumo das medidas
sugeridas em 1999 e o que não foi feito até o final de 2000. |
Divulgação
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Mariani: custos menores para
combater o déficit |
Merecem destaques os pleitos pela desoneração fiscal dos bens de capital, de forma a estimular a construção de novas linhas produtivas. Para decepção geral, as máquinas e equipamentos nacionais voltaram a ser taxados pelo IPI e a recuperação dos créditos com o ICMS foi limitada a 48 meses. Foi pedida a redução a zero da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para esses bens que não tenham produção local, mas não houve avanços, e se espera ou uma revisão geral da TEC, ou uma nova edição da lista de ex-tarifários. Segundo Tápias, a TEC não deve ser alterada significativamente no futuro próximo, porque Argentina e Brasil apresentam problemas de caixa. A sugestão oficial é a redução das tarifas comuns dos bens não fabricados na região de 14% para 12% e de 5% para 4%, afirmação que arrancou gargalhadas da platéia, pela sua ineficácia.

Mariani destacou a necessidade de eliminar a cobrança de
imposto de renda para remessas de capital ao exterior para aquisição de
tecnologia e serviços especializados. “Os investimentos em
petroquímica demandam aportes superiores a US$ 60 milhões nessa rubrica”,
afirmou Mariani, citando o recente exemplo da Rio Polímeros. O imposto
fora reduzido de 25% para 15%, mas retornou à situação anterior por
força de medida provisória. “Foi uma decisão de governo, mas vamos
estudar uma compatibilização”, respondeu Tápias, demonstrando
esforços oficiais no sentido de baixar a taxa primária de juros.
Quanto aos insumos, a Abiquim sugere alinhar o preço da nafta com o
vigente no noroeste da Europa, estimular o uso de óleos leves e
condensados de petróleo para ampliar a oferta local de nafta, além de
reduzir a zero a tarifa aduaneira o adicional de frete para renovação da
marinha mercante (AFRMM) sobre as compras de nafta e condensados de
petróleo. Coube ao ministro salientar que a Petrobrás não se presta ao
papel de instrumento de política setorial, mas, sendo empresa privada,
deve satisfação aos acionistas, devendo orientar-se para o lucro.
Quanto à redução do AFRMM, Tápias afirmou que está sendo reduzido,
mas não deverá chegar a zero, pois o governo precisa desses recursos
para financiar a recuperação dos estaleiros nacionais.
O quadro evidenciou avanços em relação à política energética
nacional e à constituição de agências reguladoras, cuja atividade
permitiu melhorar o relacionamento com fornecedores de eletricidade e gás
natural.
No campo da pesquisa científica e tecnológica, a Abiquim ressaltou a
necessidade de simplificar a concessão de financiamentos do Programa de
Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT). “O governo
apresentou projeto de lei para estimular a relação universidade-empresa,
mas que vai aumentar o custo Brasil”, disse Mariani, sendo acompanhado
por Tápias.
Estudo profundo – Boa notícia para
o setor foi a conclusão de estudo conduzido pela Escola de Química da
Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre o desempenho de 93 produtos
químicos no País. “Esse produtos representam US$ 2,8 bilhões em
importações e, individualmente, ficaram acima de US$ 10 milhões”,
comentou a professora doutora Adelaide Maria de Souza Antunes,
coordenadora do sistema de informações sobre a indústria química
(Siquim). A pesquisadora foi homenageada durante o encontro da Abiquim,
sem ter tido, no entanto, oportunidade para explicar o projeto à
audiência.
Ela explicou, depois, em entrevista, que os trabalhos se iniciaram com a
apresentação do projeto ao PADCT para obtenção de financiamento. A
verba oficial de R$ 80 mil, suficiente para cobrir apenas um terço dos
gastos, levou quase dois anos para ser liberada. “Nesse ínterim nós
já começamos a coletar os dados e escolher os produtos para estudo”,
disse. O restante dos recursos foram obtidos na universidade, além de
contar com o apoio da Abiquim.
Os 93 produtos revelam o predomínio da química de base (de 60% a 70% da
lista), com destaque para polímeros e fertilizantes. Também as áreas de
borracha, inorgânicos e orgânicos diversos, e produtos farmacêuticos e
veterinários também se mostraram relevantes, a ponto de constituírem
grupos para estudo. “Entre os vários pontos interessantes que estudamos
está o fato de 7% dos US$ 2,8 bilhões importados no último ano serem
referentes às unidades produtivas desativadas no País”, comentou a
pesquisadora. Excetuando a relação dos ativos farmacêuticos, produzidos
em um único lugar do mundo, vários outros itens poderiam ter reativada a
fabricação local.
O estudo avaliou variáveis diversas que influem na decisão de investir,
entre eles matérias-primas, tecnologia, logística e impostos incidentes.
Os resultados das análises foram discutidos em workshop do qual
participaram mais de 80 representantes do governo, indústria e
especialistas neutros. “O estudo serve como alerta para as dificuldades
setoriais e pode orientar interessados em investir no País”, explicou
Adelaide Antunes.
Algumas cópias do estudo podem ser encontradas no biblioteca da Abiquim,
segundo informou o gerente de comércio exterior Renato Endres.
Cadeia valorizada – Nos tempos de
mercado fechado era impensável – e até desnecessário – reunir
fabricantes e consumidores de produtos químicos industriais, como foi
feito pela Abiquim no encontro anual. Pouco restou das antigas “romarias”
a Brasília para pedir a atualização dos preços com base em planilhas
de custo, época de acusações mútuas entre os elos da cadeia produtiva.
Pelo discurso adotado pelos representantes das diversas entidades, o setor
químico deve fortalecer o conceito de cadeia produtiva, com a soma de
esforços em todas as etapas de produção, a fim de reduzir o déficit
comercial brasileiro.
No caso das fibras artificiais e sintéticas, representadas pelo
diretor-executivo da associação setorial (Abrafas), Carlos Roberto de
Castro, as importações somaram US$ 361,3 milhões neste ano, contra US$
258,1 milhões no anterior. As exportações também cresceram, embora com
menor peso: US$ 45,7 milhões contra US$ 37,8 milhões. “Poderemos
elevar as exportações para US$ 4,8 bilhões dentro de 8 anos se houver
medidas de apoio, como a redução de impostos e a fiscalização do
contrabando”, disse Castro. O contrabando e a modalidade “importabando”,
que compreende lotes subfaturados e notas frias, são responsáveis, ao
lado do dumping, por boa parte das dificuldades setoriais.
Em âmbito mundial, o diretor da Abrafas salientou a migração da
produção de fibras artificias e sintéticas da Europa para a Ásia,
exigindo das empresas brasileiras mais investimentos em capacidades
instaladas e na diversificação de produtos. “O Brasil precisa definir
sua vocação: ou fica nas commodities ou nas especialidades têxteis”,
afirmou. Para o náilon a situação é tranqüila, ao contrário do
poliéster, considerado desafiador. Castro salientou a importância dos
investimentos do setor químico para ofertar matérias-primas
competitivas, capazes de ampliar o mercado têxtil. No mundo, as fibras
artificiais e sintéticas respondem por 60% do consumo, contra 40% das
naturais. No Brasil a proporção é 35% para 65%. “Existe ampla
possibilidade de crescimento”, concluiu.
Falando em nome dos fabricantes de tintas do Brasil, Dílson Ferreira,
presidente da Abrafati, revelou desempenho diferente, com balança
comercial equilibrada com US$ 100 milhões de importações e de
exportações. E houve acréscimo de 25% nas exportações em 2000. “O
bom resultado da indústria automobilística e da construção civil
justifica o desempenho”, explicou. Imerso em mercado altamente
competitivo, Ferreira comentou que as indústrias de tintas aumentaram
seus preços na exata medida da elevação verificada nos insumos,
forçada pela variação cambial. Além disso, cabe mencionar que as
tintas imobiliárias registraram migração para as linhas de menor valor,
exigindo adaptação por parte dos fabricantes.
O dirigente setorial tocou na necessidade de integração da cadeia
produtiva, ao solicitar da Abiquim uma posição conjunta frente à
redução da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul. “Para os
fabricantes de tintas, que precisam importar grande número de itens sem
fabricação regional, a manutenção do quadro atual de tarifas é muito
prejudicial”, disse. Para ele, seria preciso adotar posição comum
contra a taxa.
Marcelo Fairbanks
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ABIQUIM ANUNCIA PROGRAMA DE CURSOS |
A Abiquim começou a divulgar seu
programa de cursos para o próximo ano, tendo por meta qualificar
pessoal da indústria química por meio de conteúdos específicos
para o setor. Possui temário variado, desde um curso de gestão
com características de MBA (360 horas), feito em convênio com a
EQ-UFRJ e o INT, até programas menores (de 8 a 40 horas) sobre
segurança e meio ambiente, comércio exterior, gestão da
qualidade e recursos humanos, entre outros.
O projeto pretende implementar o conceito de universidade
corporativa. “Como a maioria das empresas não teria recursos
para realizar sozinhas a formação de seu pessoal, a associação
resolveu montar uma estrutura para isso”, explicou José
Simantob Neto, coordenador do programa. Informações e
inscrições podem ser obtidas no site da Abiquim:
www.abiquim.org.br. |
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