Novos produtos – Embora haja consenso de o produto químico representar pouco do custo final do tratamento de água, novos desenvolvimentos e a nacionalização da produção da maior parte dos polímeros consumidos no Brasil continuam a atrair a atenção do mercado sobre os insumos. Não faltam novidades brotando dos centros de pesquisa das grandes companhias, agora mais rapidamente lançadas e/ou produzidas no Brasil, e há também iniciativas interessantes, em termos de produção, em empresa nacional ainda preservada do furor comprador dos grandes grupos franceses ou americanos.

Para começar pelos lançamentos das transnacionais, a Nalco está promovendo uma série de seminários técnicos pelo País para mostrar suas novas linhas. Para tratamento interno de caldeiras, os dispersantes NexGuard (co-polímero acrílico sulfonado) prometem maximizar os ciclos de concentração de sais de 10 para até 20, sobretudo por não permitir a precipitação de acrilato de cálcio na água. A formação desse agente incrustante é muito comum em caldeiras em razão de fugas de cálcio e magnésio da desmineralização ou do abrandamento anterior, que precipitam junto com os polímeros convencionais. “Esses novos dispersantes podem estar na água sem precisar ter relação estequiométrica com os sais”, afirma o gerente de distrito da Nalco, Valmor Alves.

Ainda em aplicações-teste, o NexGuard se apresenta em duas formulações. A 22300 é recomendada para sistemas operando na faixa de pressão de 600 a 1.000 psi (41 a 69 bar), onde se requer estabilidade térmica. Além de ser apropriada para caldeiras com essas pressões, também visa atender equipamentos com fugas de dureza elevadas ou com problemas de decomposição do polímero em razão de oxigênio dissolvido. O outro grade, o 22310, com as mesmas características, é para caldeiras com pressão até 600 psi.

O co-polímero possui ainda estabilidade superior ao oxigênio e maior resistência térmica em comparação aos polímeros acrilatos comuns (em pressão de 600 psi e pH 11 tem vida média de 558 horas contra 182 horas dos acrilatos). Outra vantagem apontada por Valmor Alves nesses polímeros é eles serem conjugados com os traçadores por fluorescência Trasar. Isso permite o controle da dosagem correta do polímero por meio de monitoramento on-line e controle automático, possível de ser feito inclusive com aparelho portátil à bateria.

Outra novidade da Nalco, um inibidor de corrosão (com princípio ativo mantido em segredo), visa atender o tratamento de sistema de condensado de caldeiras Trata-se do ACT (Advanced Condensated Treatment), cujas principais características consistem em não provocar mau odor (como as mais usadas aminas) e criar uma barreira física no metal contra os agentes corrosivos. Essa propriedade, aliada à não toxidez e à não geração de voláteis orgânicos, torna esse inibidor apropriado para aplicações na indústria de alimentos. Com ponto de combustão superior a 200º C, também tem a vantagem de não requerer controle de pH e de ser aplicado direto no vapor por meio de injetor ranhurado.

Quando em breve começarem a ser comercializados, os novos produtos da Nalco serão produzidos na unidade de Suzano-SP, a qual recentemente passou de uma capacidade de 24 mil t/ano de polímeros para 40 mil t/ano. Além desses polímeros, faz parte ainda dos lançamentos a nova versão do traçador por fluorescência Trasar, versão 3000, cujo preço foi reduzido para também tornar-se acessível a sistemas de pequenas vazões.

Há mais novidades. Para começar, a Kurita está lançando um novo seqüestrante de oxigênio, substituto para a hidrazina, a aminopirrolidina, de menor toxidade. Para controle, a empresa a partir de 2001 comercializará um sistema de monitoramento de dosagem para dispersantes, o Aquacon PA, analisador on-line das formulações presentes no circuito e que envia sinais para o bombeamento conforme a necessidade. 

Também a BetzDearborn possui novas alternativas para controle e sistemas para caldeiras. Seu BPS (boiler precision system) promove controle automático de pH e de teor de fosfato para caldeiras de alta pressão, no qual produtos líquidos como os dispersantes para ferro e cobre também são dosados de acordo com o necessário. A indústria de papel e celulose tem sido receptiva ao controlador. Ainda para caldeiras, a empresa intensifica a venda dos seqüestrantes de oxigênio hidroquinona, para substituir a mais carcinogênica hidrazina.

Poliaminas alastram – Por falar em fosfatos e hidrazinas para caldeiras, uma tecnologia substituta para combater corrosão e incrustação, a das poliaminas alifáticas, lançada há um ano no Brasil pela empresa de origem suíça Helamin (ver QD-377, pág.30) teve desempenho comercial dos mais satisfatórios. Pelo menos essa é a visão do diretor da empresa, Christian Hanssen. Nesse curto período, a empresa conseguiu fechar 15 grandes negócios e hoje já fornece 4 t/mês de suas formulações à base de polialquilaminas tensoativas de cadeia longa e polieletrólitos aniônicos .

Cuca Jorge

Hanssen: poliaminas ampliam uso no País

Com ação responsável pela formação de uma película protetora, contra os sais, na superfície metálica, essas poliaminas foram empregadas no Brasil em 70% dos casos em tratamento de caldeiras e os outros 20% em torres de resfriamento e 10% para circuitos fechados de água gelada. Substituem os dispersantes inorgânicos fosfato e sulfito, e os seqüestrantes de oxigênio, principalmente a hidrazina e a hidroquinona, mas também as mais recentes carboidrazina e a morfolina. “Mesmo sendo essas alternativas à hidrazina e à hidroquinona menos prejudiciais, elas são termicamente instáveis e geram ácidos orgânicos corrosivos, como o acético”, afirma Hanssen. Conforme o gerente da Nalco, Valmor Alves, porém, as aminas, e todos os seus derivados, por possuírem molécula de nitrogênio na cadeia, também podem ser consideradas tóxicas. 

Entre os clientes indústrias químicas de grande porte, como Clariant e Bayer, mas ainda presente nos setores de alimentos, papel e celulose, têxtil, fertilizantes e açúcar e álcool, Hanssen diz que a metade deles já deixou de lado completamente os sistemas tradicionais e a outra metade está fazendo uma troca paulatina. Custando cerca de R$ 20 o quilo, o produto é dosado em quantidades modestas, entre 3 ppm e 20 ppm, cerca de um terço do necessário nas aplicações de fosfato, por exemplo. Portanto, segundo o diretor, o preço não tem sido impeditivo.

Uma alternativa em crescimento para as poliaminas é a passivação de equipamentos para proteção contra magnetita, o óxido de ferro formado pela reação entre água, ferro e temperatura elevada. Problema sobretudo de caldeiras de alta pressão, visto que a desmineralização anterior ao make-up de caldeiras não livra a ocorrência dessa corrosão uniforme do óxido de ferro, a magnetita pode ser evitada sem precisar das usuais paradas para lavagem ácida.

No caso da solução da Helamin, explica Hanssen, bastam duas operações prévias com a dosagem apropriada de poliaminas catiônicas e poliacrilatos aniônicos, por períodos de 24 horas cada e sob 80% da pressão de trabalho. Após isso, a formulação influencia a solubilidade da magnetita, formando apenas uma película bastante fina e hidrofóbica, a qual, ao invés de prejudicar o metal, acaba por protegê-lo. Além desse enfoque de passivação, a empresa no Brasil pretende intensificar suas vendas para o mercado petroquímico.

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