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TRATAMENTO DE AGUA Economia de utilidades dá o tom nas concorrências Com o encarecimento da água e da energia, grandes clientes industriais priorizam sistemas com campanhas longas e ciclos altos, favorecendo a adoção de produtos químicos sofisticados com resultados de longo prazo Marcelo Furtado Para a maioria dos fornecedores de insumos químicos para tratamento de água, o mercado está passando por uma fase de amadurecimento. Depois de muito brigarem por causa de preço, forçando a redução das margens de lucro nos bons contratos, as principais empresas começam a perceber nos clientes uma tendência de relegar ao segundo plano a questão imediata das propostas, ou seja, o valor da implantação do processo. No entendimento predominante do setor, hoje o critério das licitações e tomadas de preço leva em conta muito mais os ganhos a médio e longo prazos. De forma mais concreta, isso significa que a preocupação com o preço do quilo de inibidores, dispersantes, antiespumantes, entre outros insumos, tem hoje peso muito menor em comparação com a economia de água e energia conseguida com o sistema. Não por menos, tornou-se prática comum em licitações estipular índices de produtividade almejados. Essas exigências contemplam sobretudo objetivos com o período de campanhas e o número de ciclos de concentração de sais atingidos em torres e caldeiras. Mas ainda engloba o nível de automação dos sistemas e, no caso de algumas indústrias, chega-se até a determinar metas limites para a quantidade de combustível ou água consumida por produto gerado.
Consciente dessa mudança de visão, a Nalco, segundo Mazza, passou a participar de licitações em que antes não comparecia por se basearem no critério do preço mais baixo. Como muitos dos seus produtos são fruto de tecnologia recém-desenvolvida (a empresa consome US$ 80 milhões anuais em pesquisa), e por estarem agregados a sistemas de monitoramento digital, a aceitação de suas propostas, em alguns casos mais caras, cresceu em vários mercados. Conforme o gerente nacional, a taxa de incremento nas vendas deste ano oscila desde 15% até 20%, dependendo do setor. Aliás, com as incorporações da Adesol e da Kenisur (ver boxe pág. 20), segundo ele hoje a Nalco lidera o mercado nacional, com participação de 34% do faturamento total de cerca de US$ 150 milhões e cerca de 2% à frente da segunda colocada, a BetzDearborn. Apresentar propostas de economia, e depois provar a eficácia sob um certo período de aplicação, tornou-se ferramenta para tomar clientes dos concorrentes. E o foco principal tem sido o reuso ou a conservação, pois essas alternativas demandam muito menos investimentos em comparação ao reciclo, no qual normalmente se requer equipamentos para tratar a água ou recuperar o efluente. A Nalco, por exemplo, pertencente ao grupo francês Suez Lyonnaise des Eaux, quando percebe ser a alternativa melhor a reciclagem, passa a responsabilidade do serviço para a empresa-irmã Degrémont, especializada em equipamentos e unidades de tratamento. A outra grande empresa do setor, a BetzDearborn, também se concentra no reuso e conservação, cujas principais vertentes de atuação são a redução de descarte, reaproveitamento de purgas de torres e caldeiras, e a operação com altos ciclos de concentração de sais, usando água de má qualidade. Como sua concorrente global, em caso de necessidade de acoplar algum equipamento para reaproveitamento pode contar com a parceria estratégica mantida com a OTV/US Filter, do grupo francês Vivendi.
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