RESÍDUOS CLASSE 2 GERAM
MAIOR ESCALA DE NEGÓCIOS

Apesar das quantias maiores para investimento em aterros para classe 1 e das margens de lucro mais atrativas, o mercado dos resíduos classe 2 (não-inertes), em volume, é o mais importante. No Estado de São Paulo, segundo a Cetesb, a geração supera 25 milhões de t/ano, correspondendo a quase 94% do total gerado, contra 2% do classe 1 (535 mil t) e 4% do classe 3 (1 milhão de t).

De acordo com o padrão dos classe 2, explica o coordenador técnico da Cetesb, Antonio Carlos Andrade, por volta de 61% desses resíduos são dispostos em aterro, 35% passam por algum tipo de tratamento para recupe­ração ou queimas e 3% são apenas estocados. Para ele, os principais gera­dores são indústrias como as de minerais não-metálicos, alimentos, metalurgia, química e de papel. “Essas indústrias respondem por 93% da geração desses resíduos”, diz. Por demandar apenas uma camada de revestimento de PEAD ou de argila, os aterros classe 2 são mais co­muns. Além de alguns municipais tam­bém receberem resíduos in­dustriais classe 2, como o aterro Ban­dei­rantes, de São Paulo, há aterros privados especí­ficos para classe 2, co­mo o da Vega, em São Paulo, o Boa Hora, em Mauá-SP, ou o da Ce­trel, em Ca­ ma­çari-BA. 
Andrade: 61% dos não inertes vão para aterros.
O Boa Hora chega a receber de 8 mil a 9 mil t/mês de classe 2 e 3, mas sua capacidade é para 14 mil t, em uma área total de 210 mil m². De acordo com seu diretor técnico, Julio Gurgel do Amaral, o preço cobrado pela tonelada armazenada varia de R$ 20 a R$ 140. De classe 2, a maior parte dos resíduos são de areia de fundição, lodos, sucatas plásticas, lixo de varrição de indústria, borracha, entre outros não-inertes. 

Para Gurgel, mesmo com a maior lucratividade na disposição do classe 1, a empresa não pensa em investir nesse segmento. “O maior potencial dos aterros ainda é no classe 2, já que muitas alternativas de re­cupe­ração do classe 1, sobre­tudo no co-proces­samento em fornos de cimento, devem reduzir os negócios para esse tipo de aterro especial”, explica o diretor.

O aterro Boa Hora possui revestimento de argila compactada e não tem projeto em valas. Os resíduos são dispostos em pirâmides, hoje com 10 metros de altura, po­dendo chegar até 18 me­tros. Sua vida útil deve atingir mais 40 anos. Planos mais imediatos, segundo Gurgel, são o de se tornar empresa de gerenciamento de resíduos. “Já somos responsáveis pelas contas da General Motors e da Johnson Controls”, diz. Nesses casos, a empresa intermedia envio para tratamento de resíduos classe 1 e se utiliza de trans­portadora própria: a Tech-Lix.

Aterro baiano – Com o mesmo princípio de “montanhas” de resíduos, na Cetrel, em Cama­çari-BA, há aterros verticais construídos em camadas entre o nível do solo e a altura máxima de 20 metros, com capacidade para até 300 mil m3 de resíduos classe 2. Esse foi o modelo preferencial inaugurado na cen­tral de tratamento de efluentes do pólo petroquímico baiano, em setembro de 1993, em função não só das indústrias químicas e petroquímicas, mas ainda de metalúrgicas e side­rúrgicas da Grande Salvador.

Entre 1984 e 1994, o modelo de aterro era o horizontal (chamados valo 
ou trincheira) com escavação de 3 metros e capacidade de acumulação bem menor – entre 1 mil e 9 mil m3. Nos 10 anos foram implantados 24 valos, onde estão acumulados 42 mil m3 de resíduos sólidos.

O coordenador da área de resíduos sólidos, José Artur Lemos Passos, ressalta a grande vantagem do aterro vertical: a possibilidade de acumular na mesma área um maior volume de resíduos, “diminuindo portanto a pos­sibilidade de contaminação do solo e do lençol freático”. A concepção horizontal exigia uma área maior para disposição de resíduos e, conse­qüentemente, maior número de aterros. 

Outra grande vantagem do aterro vertical baiano decorre da cir­cuns­tância de ser construído a partir do nível do solo, e não escavado, pos­sibilitando, por­tanto, a drenagem horizontal do chorume por gravidade.

Aterro da Sasa para classe 2: biogás canalizado

Isso facilita a limpeza das tubulações drenantes. O modelo horizontal apresenta algumas vantagens em relação ao vertical, admite Lemos Passos.

O descarregamento dos resí­duos é através do basculamento com espalhamento e compactação por um trator de esteira D-6 ou D-65. Não se faz mais a cobertura diária com manta ou solo areno-argiloso, como se fazia nos aterros horizontais, pois as águas pluviais que entram no aterro vertical são percoladas pelos resíduos e drenadas para posterior tratamento.

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