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As farmacopéias inglesa e européia introduziram em algumas monografias uma lista de impurezas que podem estar presentes na substância ativa, oriundas do processo de produção ou da degradação. Padrões de algumas dessas impurezas também podem ser adquiridos. Além das determinações de teor de substâncias ativas, as variadas formas de apresentação das composições farmacêuticas demandam testes específicos. Assim, por exemplo, em comprimidos normais ou em núcleos de drágeas, são realizados testes de dissolução, também chamados de desintegração, convencional ou entérica, este último exigido para os fármacos revestidos por goma laca ou acetato-ftalato de celulose de modo a passar incólume pelo estômago, vindo a ser desintegrado por ação do meio alcalino intestinal. Esses testes são realizados em água, no caso dos comprimidos normais, ou em solução especial, imitando o suco entérico, nos produtos revestidos. Os resultados são expressos em minutos necessários à desintegração da fórmula, limitados pelas especificações em cada caso. Uma semana antes de usar um animal pela primeira vez, deve-se iniciar um exercício de condicionamento, segundo a técnica recomendada para o teste, mas sem a injeção do produto sob avaliação. Obtido resultado negativo no teste de pirogênio, pode-se usar o mesmo animal após 48 horas. Quando o teste for positivo, não se usam os mesmos animais por duas semanas. Seguindo a tendência atual de reduzir ao máximo os testes com animais, a determinação de pirogênio também pode ser feita “in vitro”, de forma muito mais simples, rápida e precisa. Nesse caso, usa-se um derivado do lisado de amebócitos do caranguejo Limulus polythemus, conhecido como LAL, específico para determinação qualitativa de endotoxinas. O método baseia-se na reação entre a endotoxina e um componente protéico do LAL, produzindo um gel opaco facilmente reconhecido. O teste é executado misturando-se partes iguais (0,1 ml) de reagente LAL e da amostra, imediatamente incubando por uma hora, a 37 ºC. A formação do gel no fundo do tubo indica uma resposta positiva para a presença de endotoxina na amostra, em quantidade igual ou superior à sensibilidade especificada no rótulo do reagente. A procura de um teste “in vitro” começou com os trabalhos inovadores de Frederik Bong, da Universidade John Hopkins, que observou a reação de coagulação intravascular causada por bactérias em caranguejos de espécie L. poluthemus. A seguir, o cientista descobriu que o agente responsável pelo fenômeno de coagulação estava nos amebócitos, ou células sangüíneas circulantes do caranguejo, e que o pirogênio produzia uma reação de gelificação com o lisado obtido desses amebócitos por um processo enzimático. A endotoxina junto a cátions divalentes ativam zimógenas de serina-protease, encontrados nos amebócitos, iniciando uma reação enzimática em cascata, que altera estruturalmente uma proteína chamada coagulágeno, levando assim à formação do gel proteináceo. Um estudo comparativo feito em 1970 demonstrou que o teste LAL é mais sensível que o ensaio feito em coelhos e que a intensidade de formação do gel estava diretamente relacionada à concentração da endotoxina. Testes toxicológicos também devem ser realizados, mormente quando o fármaco está em desenvolvimento ou para registro. A determinação indicada também varia em função da forma de veiculação do ativo, incluindo determinações de toxicidade intravenosa aguda ou toxicidade subcutânea aguda para injetáveis e irritabilidade dérmica primária e cumulativa para pomadas, por exemplo. Também esses testes requerem, obviamente, a utilização de cobaias, o que ilustra a complexidade e os custos significativos necessários para a execução adequada do controle de qualidade de medicamentos. As dificuldades de aquisição de padrões, seus custos, assim como os envolvidos na execução de testes em animais ou ainda a impossibilidade de comprar os equipamentos necessários são alguns dos fatores que levam os pequenos fabricantes de medicamentos ou os distribuidores de princípios ativos a terceirizar as determinações analíticas para controle de sua qualidade. O Guia das Análises publicado anualmente por esta editora, apresenta nas páginas 63 a 66 da edição 2000 uma lista de análises feitas em fármacos e as empresas que as executam para terceiros. Além da terceirização de análises, outros serviços foram criados para atender os profissionais que atuam no segmento farmacêutico. Um deles é o SOS Ciência. Organizado pela Pharmacopéia Ltda. é uma iniciativa sem fins lucrativos, totalmente voluntária, envolvendo diversos cientistas e centros de pesquisa do Brasil e do mundo. A finalidade do SOS Ciência é socorrer quem atua na área de controle de qualidade farmacêutico. Basta enviar um e-mail para sos@pharmacopeia.org com uma pergunta ou dúvida, sem necessidade de identificação (cada pergunta é tratada como sigilosa e anônima). A solicitação é enviada para os especialistas da área, podendo ser respondida até no mesmo dia. Os interessados em se tornar colaboradores do SOS Ciência, devem igualmente enviar um e-mail informando sua especialidade. Uma vez aprovados, passarão a receber consultas. Também existem cursos específicos para os profissionais do setor, oferecidos pelo Grupo Racine, empresa que há 10 anos vem promovendo um diferenciado trabalho de qualificação técnica, científica e empresarial aos profissionais e empresas das áreas farmacêutica, cosmética, domissanitários e saúde em geral. Com início previsto para os próximos meses, estão abertas as inscrições para os seus cursos intensivos, cujo número de vagas é limitado para garantir o ótimo andamento das atividades. Alguns exemplos de cursos oferecidos são: “Conhecimentos aplicados aos processos industriais e de controle de qualidade de produtos fitoterápicos”; “Produção e garantia de qualidade de medicamentos na indústria farmacêutica”; “Manipulação magistral em odontologia”; “Montagem e habilitação técnica em farmácia com manipulação”; e “Garantia e controle da qualidade em farmácia de acordo com a resolução RDC no 33/2000”
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