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Mas os investimentos não param por aí. Também a Votorantim Celulose e Papel (VCP) inicia o aumento da capacidade de celulose de sua unidade de Jacareí-SP, 800 mil t/ano para 1,2 milhão, com aplicação de US$ 550 milhões. A Companhia Suzano de Papel e Celulose, em Suzano-SP, investe US$ 107 milhões para ampliar de 420 mil t/ano para 550 mil sua produção de celulose. Isso sem falar da Cenibra, que embora sua parte da Cia Vale do Rio Doce (CVRD) ainda não tenha sido vendida, promete reativar projeto de aumento de 805 mil t para 1 milhão de t/ano de celulose, segundo divulgado dos sócios japoneses.
Aliás, a questão envolvendo a parte da CVRD na Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) e na Bahia Sul (que também deve desgargalar sua unidade de celulose em Mucuri-BA em mais 110 mil t), revela uma outra possível tendência do mercado. Para continuar crescendo, possivelmente algumas empresas devem procurar sócios estrangeiros. E vice-versa, já que os grupos internacionais sabem do potencial da fibra curta. Não por menos, a declarada intenção de venda das participações da CVRD tem despertado forte interesse de grupos americanos, escandinavos e canadenses.
Estudo de competitividade – De acordo com algumas análises mais céticas, esses investimentos anunciados podem não ser suficientes. Para não colocar em risco sobretudo suas futuras exportações de celulose, o Brasil precisaria de mais de US$ 10 bilhões até 2005. Esse montante seria o mais indicado para fazer o País atender à metade dos fornecimentos da demanda adicional de 15 milhões de toneladas de celulose de fibra curta prevista para 2015.
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No momento, o Brasil já ocupa o sétimo lugar
mundial na produção de celulose, sendo o maior nas fibras
curtas, e o 11° em papel. Mas há esforços claros para
melhorar a posição no ranking. Para começar, a Bracelpa encomendou um estudo de competitividade para a consultoria finlandesa Jaakko Pöyry e para a WKE Brasil. De acordo com seu diretor-executivo, Mario Leonel, trata-se de um retrato comparativo (benchmarking) do setor perante os players estrangeiros. |
“Queremos entender os gargalos em termos estruturais, levando em conta questões como transporte, gerenciamento de produção e situação econômica do país”, disse. Assim que ficar pronto, em novembro, o estudo estará disponível para a consulta dos associados e servirá também de base para reivindicações junto ao governo.
A princípio, Leonel acredita que os problemas não serão muitos quando se tratar da estrutura das empresas. Para ele, por estarem acostumadas a exportar, em tecnologia e gestão empresarial e ambiental as indústrias brasileiras são competitivas. A questão principal segundo ele, continuará sendo o excesso de carga tributária, o custo do dinheiro e a falta de financiamentos a longo prazo. “Antes de produzirmos já pagamos impostos no investimento, ao contrário dos produtores americanos, por exemplo, onde as taxas recaem sobre o consumo”, compara Leonel.
Apesar dos problemas, incentivado pela alta da celulose o desempenho do setor neste ano tem sido satisfatório, inclusive nas exportações. Com as vendas externas no primeiro semestre de US$ 1,3 bilhão, 27% a mais em comparação com o mesmo período de 1999, há a previsão de fechar 2000 com as exportações recordes de US$ 3 bilhões (60% de celulose e o restante de papel para imprimir e escrever, embalagens e cartões), 40% a mais do que 1999. Por conta disso, o faturamento total deverá somar em 2000 US$ 7 bilhões, ultrapassando a receita de 1998 (US$ 6,8 bilhões) e recuperando as perdas com os preços baixos de 1999 (US$ 6 bilhões).
QUÍMICA
COMEÇA A LUCRAR COM A EXPANSÃO DO SETOR
| Os fornecedores químicos do setor de papel e celulose, da mesma forma que os clientes, se preparam para o período de bonança dos próximos anos. Os principais competidores se reestruturam para facilitar a oferta de processos, planejam expansões e lançam novos sistemas para chamar a atenção dos clientes. |
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Esse panorama vale para toda a cadeia produtiva: desde as empresas de peróxido de hidrogênio para o branqueamento da celulose, passando pelos aditivos funcionais de processo até o revestimento de látex para papéis especiais.
Para começar por uma commodity com aplicação em alta no branqueamento da celulose, o peróxido de hidrogênio, os efeitos globais da expansão do setor ficam mais evidentes. Com a exigência dos importadores em adquirir celulose branqueada no mínimo com seqüências isentas de cloro elementar, a chamada ECF (Elementar Chlorine Free), as vendas dos dois fabricantes no Brasil, Degussa-Hüls e Solvay, crescem em proporção direta às exportações dos grandes produtores de celulose.
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“O que impulsiona as nossas vendas é o mercado externo”, afirmou o chefe de produto da Degussa-Hüls, Antonio Carlos Valentim. Do consumo total no País de 65 mil t/ano de H2O2, cerca de 50% destina-se à celulose. Nesse segmento, explica Valentim, a Degussa divide os fornecimentos com a Solvay (Peróxidos do Brasil). |
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Foto: Cuca Jorge
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| Leporini (esq) e Valentim:
vendas de peróxido crescem para atender exportadores
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A primeira possui grandes clientes como Bahia Sul, Cenibra, VCP e, com destaque, a Aracruz, para quem a fábrica da Degussa na mesma cidade capixaba manda o produto por tubulação. Inaugurada em fevereiro de 1998, com capacidade instalada de 40 mil t/ano, hoje a fábrica opera na faixa de 80% a 100% da capacidade.
Já a Peróxidos, embora possua grandes clientes no Sudeste e Sul (Klabin, Suzano) próximos de sua fábrica em Curitiba-PR, tem percentual igual ao da Degussa por ter carteira de clientes bastante diversificada em pequenos e médios. Outro fator que ajuda a Solvay na conta final é fornecer para a única seqüência de TCF (total chlorine free) do Brasil, a da Klabin, divisão Paraná, com consumo muito maior de peróxido de hidrogênio, por ser isento também de dióxido de cloro. A unidade da Klabin trata-se de caso muito específico para atender fabricante de embalagem de alimentos para exportação.
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A singularidade desse fornecimento TCF se explica pela tendência do mercado em considerar o ECF como suficiente para atender as exigências ambientais até de países mais “ecorradicais”. “O custo do TCF é muito alto e o ECF evoluiu tanto que seu impacto praticamente é igual ao do totalmente isento de cloro”, disse o assessor técnico da Degussa, Cesar Leporini. |
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Foto: Divulgação
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| Foelkel: ECF provou ser o
branqueamento mais adequado
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