Registrando lucros recordes, a Petrobrás já começou no segundo semestre a comprar bombas centrífugas API para refinarias (Relan, Refap, Reman, Cabeúnas) e para transporte. 

Isso sem falar nas programadas, mas ainda não formalizadas, plataformas P43 e P48, para as quais em breve também devem abrir licitações. Em petróleo ainda, uma esperança em negócios a médio e longo prazo abrange as bacias concedidas a grupos privados. Mas, para Chiarelli, o investimento em produção surgirá apenas depois de passada a atual fase de pesquisa dos poços em que essas empresas se encontram.

O saneamento básico, outro tradicional setor consumidor de bombas, tem participação bastante reduzida nessa euforia generalizada dos fabricantes. E as explicações para a falta de investimentos na área são as mesmas de anos anteriores: o ainda endividamento dos Estados, que impossibilita a busca de crédito para financiamentos das obras. O equacionamento desse “gargalo”, segundo o presidente da CSBM, seria por meio da liberação de recursos do FAT (fundo de amparo ao trabalhador) e do FGTS.

Outra questão prejudicial ao saneamento diz respeito à titularidade do sistema, cuja regulamentação ainda não definiu se Estados ou municípios têm a outorga da água. Isso tem atrasado muitas privatizações importantes, como a da Sabesp, de São Paulo. E tem também decepcionado os fabricantes de bombas, sobretudo ao se levar em conta a posição da câmara setorial. “As concessões privadas captam recursos mais facilmente e precisam cumprir as metas impostas pelas privatizações”, disse Gilberto Chiarelli. Para ele, passando a primera fase pós-concessão, mais voltada para a contenção de vazamentos, a produção de água ou de tratamento de esgoto sai logo em seguida.

Não por outro motivo as poucas obras saídas nos últimos meses são de concessões privadas, em cidades como Niterói, Região dos Lagos e Petrópolis, no Rio de Janeiro, e outras cidades do interior paulista. Também a companhia estadual do Amazonas (Cosama), recém-adquirida pela francesa Suez Lyonnaise des Eaux, em breve deve começar a investir em produção. Para curto prazo aguardam-se ainda negócios com as privatizações das companhias de Pernambuco (Compesa) e da Bahia (Embasa).

Sinais melhores – Se no primeiro semestre de 1999 o comum a todos os fabricantes era demonstrar sinais evidentes de crise, como redução de jornada e ociosidade produtiva, neste ano a situação se inverteu. Para começar, os programas de redução de jornada de 10% a 25%, que normalmente significavam encerrar o expediente na sexta-feira, acabaram já no último trimestre do ano passado. A ocupação da capacidade instalada também aumentou em todas as empresas, passando de até 60% para uma faixa de 80% a 100%.

Outra demonstração de cenário revitalizado é a de contratação de pessoal. Se no ano passado houve até demissões (cerca de 800, entre 1998 e 1999), a partir do final de 1999 várias empresas precisaram contratar para atender as novas demandas. Só para citar alguns exemplos, a Netzsch do Brasil, com fábrica em Pomerode-SC, para passar a operar a carga total precisou admitir em dezembro 35 funcionários. A Omel, que vinha de um processo de enxugamento, contratou 10 pessoas. Também a Friatec-Rheinhütte aumentou em 5% sua mão-de-obra na fábrica em Cataguases-MG.

Um exemplo dessa recuperação se nota na KSB, a segunda maior fabricante do País, atrás apenas da Sulzer. Sua fábrica em Várzea Paulista-SP precisou contratar às pressas, em novembro de 1999, cerca de 60 pessoas para atender a um fornecimento para a estatal petrolífera mexicana Pemex. Trata-se na verdade de uma concorrência internacional ganha pela empresa de engenharia coreana SKEC, que construirá uma unidade turn-key da Refinaria Madeiro com 400 bombas centrífugas API 610 8ª edição da KSB.

O fornecimento para a SKEC ainda está em andamento e lota a fábrica em Várzea Paulista. O melhor, segundo o diretor comercial Gilberto Chiarelli, é que os novos funcionários contratados não são temporários. Isso porque, apenas nessa parceria criada com os coreanos, vários outros negócios internacionais em petróleo surgiram. Há vendas para unidades em Gana, na África, no México (Tula e Salamanca), e a filial brasileira da KSB ainda participa com a SKEC de outras concorrências na Coréia.

Além das contratações para atender as novas vendas externas, a KSB também investiu em modernização na fábrica. Sua bancada de prova foi automatizada e foram compradas máquinas operatrizes. Esses investimentos atendem mais agilmente a atual operação em dois turnos completos da empresa, ainda com ociosidade de quase 30% para poder chegar a um terceiro turno, havendo necessidade.

Afora as bombas API e as químicas ANSI e ISO, bastante comercializadas este ano, a KSB ainda intensifica a comercialização de seus conjuntos de combate a incêndio. Concebidos conforme norma NFPA-20, com bombas bipartidas para várias vazões, a partir de agosto de 2000 esses conjuntos receberam certificação norte-americana de garantia FM (Factory Mutual). Este certificado é cada vez mais exigido também no mercado brasileiro, visto que a sua presença no conjunto reduz o valor do prêmio de seguro em fábricas.

Nichos novos – O mercado das bombas centrífugas herméticas e magnéticas cresce em proporção direta à preferência de vários clientes por transporte de fluidos sem risco de vazamentos. Por dispensarem gaxetas e selos mecânicos, tendo motores blindados (herméticas) e acionamento por ímãs de terras raras (magnéticas), tornam-se solução “ambientalmente correta” para operação de risco com produtos perigosos, ou quando o cliente deseja apenas evitar desperdícios com vazamentos.

Para aproveitar o nicho, mais proeminente na química e petroquímica, algumas empresas importantes do setor começam a incluir em seus portfólios bombas desse tipo. Aproveitam assim um mercado até pouco tempo dominado por importadas ou por produtos de alguns fabricantes locais, caso da Friatec-Rheinhütte, fabricante de bombas magnéticas desde 1986 em sua unidade mineira de Cataguases.


A Sulzer, anteriormente representante das bombas herméticas japonesas Teikoku, em maio lançou uma linha de centrífugas com acoplamento magnético para vazões de até 600 m³/h e altura manométrica de até 250 metros. De acordo com o seu gerente de marketing, Fernando Balester, as bombas podem seguir normas API e são fabricadas na unidade de São Bernardo do Campo-SP com magnetos importados da Sulzer alemã. Também a KSB resolveu entrar no mercado disponiblizando tanto magnéticas, com kits magnéticos importados da matriz alemã, como as herméticas, com motores blindados.

Cuca Jorge     

Balester: Sulzer agora vende magnéticas à PqU

Em um prazo pequeno do lançamento, as empresas já estão conseguindo vender as bombas para indústrias químicas e petroquímicas, aproveitando a alta demanda nesse setor. 

A Petroquímica União (PqU), de Capuava-SP, por exemplo, depois de assinar um acordo com o sindicato dos químicos do ABC se comprometeu a trocar todas as bombas que operam com fluidos com nível de benzeno superior a 30% e cujos sistemas de vedação não sejam totalmente seguros.

A opção principal da PqU recai sobre as herméticas, seguida das magnéticas e, por fim, pelas de selo mecânico duplo. A limitação de uso, além da exigência de conformidade com normas API, também se refere ao nível de vazão e pressão e também pela questão de preço, visto que as herméticas são mais caras em cerca de 30% em comparação com as magnéticas. As herméticas disponíveis no Brasil normalmente não podem atender vazões muito altas e as temperaturas elevadas não são indicadas para as magnéticas. Segundo Fernando Balester, da Sulzer, a empresa está vendendo das suas bombas API magnéticas para a PqU.

Outras magnéticas – O mercado das magnéticas, porém, não se limita à petroquímica, que exige normas API. Aliás, uma das pioneiras no ramo no Brasil, a Friatec-Rheinhütte, não fabrica esses modelos de magnéticas e nem por isso não tem se saído bem nesse último ano. Com foco maior na indústria química, requerentes de normas DIN e ISO, em 1999 a empresa superou em 13% sua meta de crescimento, faturando R$ 7,5 milhões apenas em bombas (ainda produz centrífugas verticais químicas e horizontais com selo). Para 2000, a meta é elevá-lo em mais 10%.

 
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