Incinerador de sólidos – Em função dos resíduos sólidos procedentes das 52 empresas de Camaçari – da classe 1 (compostos organoclorados), outras substâncias orgânicas, da classe 2, e de sólidos contaminados – , a Cetrel investiu US$ 8 milhões, em 1998, em um sistema incinerador de sólidos dotado de forno rotativo e câmara secundária de combustão, com capacidade para 4.500 t/ano, operando em regime de três turnos de 8 horas.

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Incinerador de líquidos da Cetrel queima 10 mil t por ano na Bahia

O incinerador, adquirido da norte-americana Andersen 2000 Incorporation, é suprido com 44 t/mês do gás natural (55 quilos/h), 5.715 Nm³ de nitrogênio (22 Nm³/h), 156 m³ de água de resfriamento e 1,5 m³/h de água de processo, além de 55 kg/h de soda cáustica. Sua temperatura operacional varia de 900ºC a 1.100ºC. O gás natural é o combustível auxiliar. O nitrogênio é requerido na câmara de trituração de tambores na condição de inertizante; e a soda cáustica neutraliza os gases ácidos.

Além do forno rotativo propriamente, o sistema de incineração é dotado de queimador secundário (pós-queimador), descrito pelo engenheiro Giorgio Sampaio como “uma câmara cilíndrica vertical com 1.880 mm de diâmetro interno”. Essas dimensões, informa ele, “proporcionam um tempo de residência do gás de 2,22 segundos no maior coeficiente de vazão de gás projetado, a uma temperatura de até 1.400ºC”.

O sistema de lavagens dos gases eliminados pelo incinerador inclui a seção de resfriamento rápido, lavador Venturi com variação automática do gargalo, separador ciclônico para remoção dos sólidos particulados, e coluna de absorção de recheio com tanque integral de recirculação de líquidos e eliminador de névoa.

A instalação do sistema de incineração de sólidos atendeu a uma exigência das autoridades ambientais de só permitir a disposição em aterros sanitários de resíduos perigosos depois de reduzidos, via inertização, à condição de equivalentes aos resíduos da classe 2 (de acordo com a NBR 10.004 da ABNT). Para os resíduos predominantemente orgânicos da indústria química, a incineração ou destruição térmica representa o método mais recomendado, preconiza a Cetrel.

O incinerador, de acordo com essa central de tratamento baiana, apresenta “eficiência de destruição e remoção de 99.9999% para resíduos sólidos contaminados com PCBs e de 99,99% para os demais resíduos”. Resultam de sua operação: 160 t/mês de cinzas, conduzidas para disposição final nos aterros da própria Cetrel; uma vazão de 1,28 m³/h de líquidos gerados no seu interior e conduzidos, através de canaletas, para o sistema de não orgânicos da Cetrel.

Em Alagoas – O incinerador de líquidos da Cinal, em Marechal Deodoro-AL, entrou em operação em 1989 para queimar resíduos do malfadado pólo cloroquímico alagoano, que iria produzir epicloridrina e outros cloroderivados (ver QD-362). Sem pólo para servir, a central de utilidades passou a atender a demanda ambiental de várias empresas da região por tratamento de efluentes líquidos e análises químicas, bem como de outras partes do Brasil, sobretudo no que se refere ao incinerador, visto que incineram PCBs.

Projeto da japonesa Nittettu Chemical e investimento de US$ 12 milhões, o incinerador é um forno estático horizontal com capacidade para 11.500 t/ano, quando só queima líquidos classe 1 mais comuns, como organoclorados e outros, ou para 7.500 t/ano, quando incinera apenas ascarel (nesse caso a vazão precisa ser menor por causa das exigências de emissão). A Cinal está licenciada para incinerar o óleo de transformadores desde 1995, cujo serviço lhe toma normalmente 10% da capacidade, segundo afirmou seu assessor de diretoria, Isaac Gabai.

Mas o grosso da queima do incinerador se volta aos resíduos de organoclorados da unidade de soda-cloro e dicloroetano da Trikem, em Maceió, que chegam por tubulação, e também da vizinha CPC, produtora de MVC e PVC, ambas da OPP Petroquímica. Como diferencial, o incinerador opera com uma caldeira de recuperação de calor que aproveita os gases de combustão para posterior venda de vapor às indústrias vizinhas.

Quando os gases chegam à caldeira, a temperatura deles cai instantaneamente dos 1.200ºC para 300ºC, e assim resfriados são enviados para a torre do Quencher para arrefecimento até 80ºC, antes de entrar em uma coluna de absorção. A seguir, entram em contato com água em contracorrente, livrando-se dos gases solúveis. No caso de organoclorados, o cloro se converte em gás clorídrico, gerando corrente de ácido clorídrico de alta pureza e a 25%. “Vendemos o ácido para usos menos nobres, para perfuração de poços, por exemplo”, afirmou Gabai.

Os gases egressos da coluna de absorção passam por outra coluna de bandejas. Para serem lavados com solução de soda cáustica e agente redutor, para captação de cloro inorgânico residual e adequação das emissões gasosas aos padrões estabelecidos pelo órgão ambiental local, o IMA (Instituto de Meio Ambiente).

Além da filosofia de reaproveitamento, outro motivo de orgulho para a Cinal, segundo Isaac Gabai, é adequação ao nível de emissão de dioxinas e furanos. “Nosso índice alcançado na emissão é inferior ao mais exigente do mundo, de 0,10 ng/Nm³, praticado pela Comunidade Européia”, diz. O fato é relevante quando se toma conhecimento das exigências americanas, de O,5 ng/Nm³, e da Inglaterra, de 1 ng/Nm³. Esses testes são sempre efetuados em laboratórios internacionais, livres, portanto, de qualquer suspeição de bairrismo. (Colaborou José Valverde, de Salvador-BA)

CETREL OFERECE ALTERNATIVA À INCINERAÇÃO

A Cetrel instalou recentemente uma unidade de lavagem biológica que elimina a necessidade de incinerar certos sólidos da classe 1. Esse processo reduz a contaminação dos sólidos tratados ao nível correspondente ao da classe 2, que reúne resíduos passíveis de serem dispostos em aterros industriais.
Esta forma alternativa de tratamento, até então inédita no Brasil mas já muito usada nos Estados Unidos, segundo a Cetrel, reduz o custo do tratamento a cerca de um quinto em relação ao custo da incineração.

A unidade de biolavagem é composta de tanque de aeração equipado com dois aeradores que exercem também a função de misturadores. Nela ocorrem quatro lavagens com água e outra com lodo ativado, produzido na unidade de tratamento dos efluentes líquidos orgânicos da própria Cetrel. “São três lavagens com água, a quarta com lodo ativado e a última novamente com água”, esclarece o engenheiro sanitarista e ambiental José Artur Lemos Passos.

Para ser submetido a esse tratamento, os contaminantes têm de ser solúveis em água e a corrente líquida decorrente, que passa a reter os compostos orgânicos, ser passível de tratamento pelo processo dos lodos ativados. A depender da quantidade de PCBs e organoclorados impregnados, os sólidos, incluindo solos contaminados, podem ou não ser submetidos a esse tratamento alternativo
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