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RIGOR AMBIENTAL
AUMENTA DEMANDA POR INCINERADORES
Receio com a fiscalização ambiental faz a
indústria recorrer cada vez mais aos serviços dos incineradores de resíduos perigosos.
A capacidade de queima do País, hoje por
volta de 50 mil t/aNO, está totalmente ocupada.
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Divulgação |
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Incinerador da Teris:
capacidade será duplicada para 7 mil t/ano |
M A R C E L O F
U R T A D O
Os
sete incineradores comerciais do Brasil estão operando a plena carga e quase não dão
conta da demanda de cerca de 50 mil t/ano de resíduos perigosos. Concentrados em São
Paulo, Rio, Bahia e Alagoas, a procura pelos serviços desses fornos rotativos e fixos
para destruição de sólidos, líquidos e pastosos tem aumentado em proporção direta
às exigências das leis ambientais. Diante desse quadro, vários proprietários começam
a anunciar ou planejar ampliações de capacidade.
Até há pouco tempo um recurso adotado mais por empresas estrangeiras com políticas
corporativas de meio ambiente, a incineração passou a ser uma alternativa também para
os resíduos das pequenas e médias empresas. E isso por um motivo simples: as multas
estratosféricas da Lei de Crimes Ambientais são suficientes para quebrar uma
companhia de faturamento mais tímido. Mas não só a questão legal aquece o mercado. A
onda de aquisições de empresas nacionais por grupos estrangeiros, mais preocupados em
eliminar passivos ambientais, também exerce forte influência.
Sinal das
boas perspectivas abertas para a incineração é a recente entrada de um concorrente de
peso no mercado nacional com promessa de ampliar um pouco a capacidade de queima dos
incineradores comerciais instalados no País. A Teris, empresa meio a meio Rhodia e Suez
Lyonnaise des Eaux, desde 1o de abril tornou-se proprietária do incinerador da Ciba, em
Taboão da Serra-SP, e anunciou a duplicação de sua capacidade. Com poder de queima
total de 3,5 mil t/ano de sólidos e de pequeno percentual de líquidos, o equipamento
recebe investimentos da ordem de R$ 10 milhões para chegar a 7 mil t/ano em menos de um
ano.
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Cuca Jorge |
De acordo com o diretor de novos negócios da Teris do Brasil, Elson Rodrigues, o montante
investido inclui a construção de um super-laboratório de análise química para o
controle de todos os resíduos incinerados. Mas ainda abrange a modernização do sistema
de introdução de sólidos no forno, o aperfeiçoamento da manipulação dos produtos e o
aumento da capacidade de queima de sólidos e líquidos. |
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Rodrigues:
investimentos de 10 milhões |
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OS INCINERADORES DE
RESÍDUOS PERIGOSOS DO BRASIL

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| Fonte: Pesquisa QD |
* Capacidade total
está sendo ampliada para 7000 t/ano |
O projeto é da alemã InterUhde e segue praticamente a mesma estrutura de
quase todos os existentes no Brasil: forno rotativo para sólidos, forno fixo para
líquidos, câmaras de pós-combustão, separação do material particulado, lavagem e
inertização de gases. No caso da Teris, o incinerador está para ser licenciado pela
Cetesb para poder queimar as polifenilas bicloradas (PCBs), o famoso ascarel, óleo
isolante para transformadores elétricos. Até o momento, apenas a Cetrel, a Cinal e a
Bayer podem fazer o mesmo.
Mercado precisa dobrar Para fincar o pé no País, a Teris opera
com a expectativa de expansão da demanda do mercado de resíduos industriais tratados de
160 mil t/ano (1999) para 500 mil t em 2003. Dentro desse universo, os destinados à
incineração, normalmente os perigosos (com exceção de boa parte dos metais pesados),
devem passar das 50 mil t para 90 mil t em 2003. Ao se levar em conta a estimativa da
empresa, pode-se afirmar que há espaço para quase uma duplicação total da capacidade
de queima no Brasil, atualmente estacionada nesses 50 mil t/ano.
alguns dos demais proprietários de incineradores admitem estar estudando ampliações. A
Companhia Alagoas Industrial (Cinal), de Marechal Deodoro-AL, responsável pelo tratamento
das utilidades da Trikem, CPC e outras empresas da região, pretende em cerca de dois anos
passar a incinerar também resíduos sólidos. A Bayer, de Belford Roxo-RJ, segundo seu
gerente corporativo de meio ambiente e saúde ocupacional, Miguel Spohr, também avalia
alguns projetos de ampliação. As demais, se não admitem a intenção, pelo menos
confirmam estar operando sob carga total. Qualquer novo anúncio em breve não soará nada
estranho.
Um único possível freio para inibir planos de investimentos nessa área é a questão do
custo de operação dos incineradores, considerado muito alto pelos proprietários.
Cobrando preço médio oscilante de R$ 1,50 a R$ 3,00 por kg de resíduo incinerado, os
incendiários nacionais queixam-se das margens de lucro. Exigências em
demasia por parte dos órgãos ambientais e gastos naturais com manutenção são os
principais fatores para encarecer o processo.
Bert Neumeier, por exemplo, gerente responsável pela operação do incinerador da Basf,
em Guaratinguetá-SP, afirma que o preço cobrado pela empresa para queimar mais de 200
resíduos de 120 clientes, em 1999, apenas cobriu o custo fixo da instalação. No caso da
Basf, trata-se de um forno rotativo de US$ 6,5 milhões, com projeto da matriz Basf AG e
da alemã Babcock e com capacidade de queima de 2.700 t/ano de sólidos e líquidos.
O custo se eleva não só por causa das exigências dos órgãos ambientais, mas muitas
vezes em razão do próprio excesso de zelo dos donos, em sua quase maioria grandes grupos
internacionais. A Basf, segundo explica Neumeier, é um bom exemplo. Para controlar o
processo, há câmeras de vídeo, instaladas fora do forno, que acompanham a queima por
dentro. Para atender exigências da Cetesb, há ainda analisadores contínuos de chaminé
e controladores de pressão, oxigênio e temperatura.
Também a Teris do Brasil revela gastos elevados com segurança. Possui dois prédios de
armazenagem de produtos, dos quais um para resíduos classe 1, com sistema à prova de
explosão, sistema de contenção externa e interna e proteção com splinkers nos tetos e
prateleiras. Além disso, segundo ressalta o diretor Elson Rodrigues, todo esse pavilhão
possui controle por circuito interno de TV e acesso eletrônico de funcionários.
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