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CADEIA DE PRODUÇÃO
QUÍMICA ENTRA NO
e-commerce

INDÚSTRIA QUÍMICA ESBOÇA METAS AMBICIOSAS NO USO DE MEIOS ELETRÔNICOS DE VENDAS E INDICA AOS DISTRIBUIDORES A NECESSIDADE DE REVER RELACIONAMENTOS, COM ÊNFASE NAS OPERAÇÕES LOGÍSTICAS E REDUÇÃO DE CUSTOS OPERACIONAIS

 

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M A R C E L O    F A I R B A N K S
Fotos: C U C A   J O R G E

Desponta no Brasil o uso da Internet no comércio de produtos químicos. Para alguns, a nova onda vai varrer as estruturas e formas de relacionamento existentes, tanto com fabricantes, quanto com clientes. Para outros, ela só vai fazer espuma, antes de ser absorvida como uma nova ferramenta de vendas e troca de informações no setor. Por enquanto, o retumbante e-commerce responde por volume insignificante de negócios no setor e desperta longa lista de questões, fato previsível para a introdução de novo conceito.

A reticência dos comerciantes deve perdurar até meados do próximo ano, quando a maior parte das indústrias locais de médio e grande porte já estiverem usando a nova ferramenta, segundo informação da Abiquim. Por enquanto, a palavra de ordem é esperar pela definição das estratégias das distribuídas e dos compradores.

Representantes dos portais eletrônicos de negócios consideram essa postura arriscada. Para eles, é melhor aderir logo às vendas eletrônicas, enquanto o mercado todo está em fase de aprendizado, a correr o risco de perder posições estratégicas ou de deixar insatisfeitos os clientes no futuro, quando os erros serão imperdoáveis. Cabe, no entanto, alertar para a diferença de mentalidade entre as empresas reais (de tijolos e cimento) e as "ponto-com" virtuais. À guisa de exemplo, basta mencionar que, no universo da Internet, obter lucros nos primeiros anos de operação é fato preocupante. Nesse tipo de negócio, o lucro rápido é tido como falta de iniciativa para investir em novas áreas, capazes de multiplicar o valor de todo o empreendimento. "Além disso, é comum falar em prazos de retorno do capital de três meses, enquanto na petroquímica se fala em dez anos", comentou José Carlos Grubisich, vice-presidente da Rhodia mundial, líder no desenvolvimento de negócios pela Internet da multinacional. Grubisich deixou a presidência da Rhodia no Brasil, cargo que acumulava, para se dedicar exclusivamente a essa tarefa e ao planejamento estratégico da empresa, tendo sido substituído pelo executivo Walter Cirillo, atual presidente da RhodiaSter. (Ver seção de Atualidades no final desta edição)

Outro ponto a considerar diz respeito ao atual clima de desconfiança entre os investidores institucionais das bolsas de valores americanas e européias quanto às empresas "ponto-com". Depois de abocanhar largas fatias de recursos antes voltados para nomes tradicionais da produção física, como fabricantes de automóveis e indústrias químicas, as companhias virtuais sofreram fortes abalos refletidos na queda do índice Nasdaq (que acompanha as empresas de alta tecnologia nos EUA) e pela divulgação de informes sobre a má saúde financeira de ícones, como a Amazon Books.

Tanto os fabricantes de produtos químicos, como as empresas de comércio e as virtuais concordam quanto à grande contribuição da Internet para facilitar a transmissão de informações técnicas e comerciais a qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, a custo muito baixo. Por usar um protocolo padrão de comunicação, o TCP/IP, simples e aberto, a rede mundial merece a melhor das acolhidas por toda a cadeia de produtos. Ela permite acesso, por exemplo, às fichas de manuseio e segurança, ajudando a prevenir acidentes. Ao mesmo tempo, também pode apresentar possíveis substitutos para algum item escasso e caro. Além disso, coloca todos em pé de igualdade quanto à avaliação da oferta e da demanda mundial por determinado artigo, reduzindo as vantagens dos grandes traders. Mas, daí a conquistar uma fatia considerável da venda de produtos químicos há uma distância razoável.

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Barilá: 40 anos de atividade comprovam eficiência do setor

"Cada negociação de produtos químicos exige contato pessoal, mesmo nas commodities, porque sempre há diferentes necessidades", comentou o empresário Mário Barilá, diretor-presidente da Fenilquímica (www.fenil.com.br). "A Internet não elimina o cérebro do negociante, nem o computador entrega os pedidos." Apesar da ironia, as frases revelam pontos críticos das operações de e-commerce: o crédito, a garantia de segurança e de qualidade, e a entrega pontual das mercadorias.

Mesmo em âmbito mundial, o uso do e-commerce ainda é incipiente para as empresas distribuidoras. Presente ao encontro mundial de distribuidores de produtos químicos, realizado durante o mês de junho em Barcelona (Espanha), o diretor de marketing da Ipiranga Comercial Química Fernando Rafael Abrantes verificou que a maioria das empresas opera páginas eletrônicas (sites) para informação e troca de dados com clientes e fornecedores, mas raros são os que negociam por essa via. "É uma equação que não fecha: o pedido é feito em velocidade virtual, o crédito é aprovado com velocidade medieval, enquanto a entrega é feita em velocidade real", disse. Para ele, as vendas via Internet serão complementares a outras formas de atendimento aos clientes, como as visitas pessoais e o telemarketing. "Cada operação tem um custo que precisa ser justificado na conclusão do negócio", afirmou.

A Ipiranga concluiu um estudo interno para avaliar o esforço de vendas e o desempenho de cada canal de negociação. Segundo Abrantes, o estudo apontou que a venda por vendedores externos apresenta custo operacional quase 20 vezes superior à feita pelo telemarketing. Ao mesmo tempo, a concorrência puxa para baixo o preço dos produtos, encurtando margens.

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Abrantes: cada canal de negócios tem um custo a justificar

 "Precisamos ser mais eficientes para agregar valor ao negócio e expandi-lo", comentou, ao anunciar a nova proposta interna de trabalho da empresa, intitulada "refocando o futuro". A política anterior, iniciada em 1996, visava recompor margens de lucro, além da criação de mecanismos para avaliação de custos por negociação e por vendedor.

Com base na experiência da empresa, o diretor prevê que parte dos negócios conduzidos hoje por vendedores externos seja transferida para o telemarketing que, por sua vez, deverá perder uma fatia de suas vendas para o e-commerce.

De efetivo, por enquanto, a Ipiranga vendeu apenas uma tonelada de resina termoplástica por meio do portal eletrônico Webb. "Foi uma espécie de teste, e funcionou bem", comentou Abrantes.

A política da empresa sobre Internet reconhece a importância do sistema e ressalta a intenção de aprender a usá-lo, participando de portais especializados (já atua com o Webb, Chematch e Todoplastico) e remodelando a página própria, reforçando o aspecto operacional, além de permitir acesso ao sistema de telemarketing por meio de ferramenta do tipo call me. "O usuário registra o interesse em determinado produto e é contatado o mais rapidamente possível pelos operadores de telemarketing para a conclusão do negócio", explicou. Essa forma de atuação, por enquanto, é considerada a mais realista para a situação do mercado local.

Superando turbulências
– A situação econômica do comércio de produtos químicos no Brasil melhorou neste ano, depois de absorvido o impacto da desvalorização cambial do início de 1999. Com previsão de crescimento do PIB por volta de 3,5% neste ano, espera-se elevação do PIB industrial em quase 10%, que representaria bom ritmo de negócios. Presidente da Associação Nacional e Sindicato Estadual do Comércio Atacadista de Produtos Químicos, Rubens Torres Medrano pondera que o desempenho industrial é mais pujante nas exportações. Predominam as vendas externas de produtos feitos em poucas etapas, constituindo cadeias curtas, como a produção de termoplásticos, que oferecem poucos reflexos junto às empresas de comércio químico.

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Medrano: e-commerce deve ser visto como forma de elevar a produtividade

Apesar da ressalva, o desempenho de 2000 traz alento aos empresários do ramo. "Em 1999, todo o primeiro semestre foi perdido com o problema do câmbio; já em 2000 teremos forte recuperação", informou Medrano. Levantamento de vendas setoriais realizado pela Associquim/Sincoquim registrou crescimento de 20,3% de vendas no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao do ano anterior. A previsão para todo o ano é de manutenção do percentual, ou ainda elevá-lo, já que os negócios do terceiro e quarto trimestres costumam ser superiores aos dos demais.

Medrano aponta turbulências no caminho do setor comercial, representadas pela perda de poder aquisitivo da população, que reduz o consumo de itens com forte efeito multiplicador, como tintas e eletrodomésticos, além da atualização do preço dos derivados de petróleo (solventes, principalmente), de etileno e acéticos. "Esses produtos já tiveram aumento, mas ainda devem subir mais, acompanhando preços internacionais e variações de câmbio", avaliou. Ele salienta que o repasse de custos está sendo lento entre os elos da cadeia produtiva. "Em alguns casos, fomos obrigados a absorver a elevação de custos, comprometendo a rentabilidade", informou.

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Marmelsztejn: entusiasmo com as compras pela Internet

"Verificamos queda nas vendas quando avaliadas em dólares, embora tenham crescido em reais", confirmou o diretor-presidente da Cosmoquímica, Jayme Marmelsztejn. Com faturamento anual por volta de US$ 20 milhões, a empresa registra melhora na rentabilidade desde o início do ano, acompanhando a recomposição de preços promovida pela indústria química local e internacional.

 "Alguns produtos nacionais ainda não subiram o suficiente para compensar a variação cambial desde o ano passado", afirmou. Seu mix de produtos alinha commodities e especialidades, com origem local e importados, estes respondendo por menor volume de negócios, embora tenham maior número de itens

"As dificuldades enfrentadas no ano passado ainda não foram totalmente superadas", aponta Mário Barilá, da Fenilquímica. Completando 40 anos de vida, a empresa atua na distribuição de produtos nacionais, apostando na qualidade dos produtos e serviços. Na sua opinião, a estabilidade monetária é apenas relativa frente ao dólar. "Em janeiro o dólar estava a R$ 1,90; em julho a R$ 1,80. Que estabilidade é essa?"


Castro obtém bons resultados como operador logístico para indústria

No Norte e Nordeste do País o quadro é mais animador. "Até o final de junho já registramos faturamento de R$ 8,8 milhões, contra R$ 15,5 milhões de todo o ano de 1999", informou Eduardo Castro, diretor da Morais de Castro, empresa sediada em Salvador-BA com os seus 40 anos completados em julho. Segundo o diretor, as margens e os volumes negociados estão crescendo, impulsionados pela maior atividade industrial na região, além do desenvolvimento de mercado no Rio de Janeiro, onde abriu a segunda filial, que já responde por 8% das vendas totais. A primeira, pernambucana de Jaboatão dos Guararapes, chega a 20% do faturamento. "Estamos estudando a possibilidade de abrir filial em Minas Gerais", comentou.

O grande problema setorial continua sendo a tributação excessiva da atividade e a competição desleal com sonegadores. "As entidades comerciais apóiam a campanha da Abrafati (Associação Brasileira da Indústria de Tintas) contra a sonegação, mas entendemos que a guerra verdadeira deve ser travada a favor de uma reforma tributária completa, que amplie a base de contribuintes, reduza o número de tributos, simplifique a operação de cobrança e desonere o setor produtivo", afirmou Medrano. Na sua opinião, felizmente o projeto de reforma empacou no Congresso Nacional, dadas as falhas da proposta governamental, caracterizada pela redução lenta e gradual de impostos cumulativos, como PIS e Cofins. "Só com PIS e Cofins perdemos 3,65% do faturamento, fora os 0,3% da CPMF", comentou. "Isso é muito acima da nossa margem de lucro e, ainda por cima, onera o consumo." O imposto mais pesado para o comércio de produtos químicos continua sendo o ICMS, cuja reforma depende do apoio de todos os governadores dos estados brasileiros.

O fenômeno do e-commerce encontra o setor comercial com bom relacionamento com distribuídas, tendo sido consolidada a situação de parceria. "O distribuidor não é mais visto como apenas um cliente, mas é uma extensão de negócios do fabricante, com importante posição estratégica", segundo Medrano. Apesar disso, a participação do comércio na venda de produtos químicos não passa de 6% da produção nacional, excluindo resinas plásticas.

O comércio e a rede – A Internet representa um desafio e também oportunidade para os comerciantes de produtos químicos. Tanto a rede poderá absorver grande parte dos pedidos, como poderá alavancar novas investidas comerciais, além de oferecer apoio amplo aos serviços de divulgação de aplicações, informações de segurança e assistência técnica. É preciso salientar que a rede serve aos comerciantes tanto para vender quanto para comprar produtos.

Aliás, a compra de itens (procurement) responde por mais negócios no setor comercial. "Já estamos realizando compras há alguns meses pela rede, de alguns itens isolados, mas estamos tendo bons resultados", comentou Jayme Marmelsztejn, que pretende iniciar em breve vendas pela rede mundial. "A redução de custos é significativa", informou. Segundo o empresário, os problemas envolvidos na transação estão sendo rapidamente resolvidos e as operações facilitadas. Como exemplo, ele citou o caso de produtos franceses, cuja negociação é garantida pela Cofas, seguradora governamental. Na Alemanha, isso é feito por meio do Hermes. "O e-commerce ainda é muito novo em todo o mundo, mas está crescendo com rapidez, em especial nos EUA onde há mais usuários interligados", informou.

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