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Admitindo-se que não
ocorram alterações no desgaste da máquina, a taxa de produção de partículas grandes
e pequenas deverá ser mantida e, portanto, a relação entre estas partículas também se
manterá constante. Conclui-se que, mesmo havendo uma troca recente de óleo com
conseqüente redução na concentração total de partículas (L+S), os resultados do PLP
deverão se manter praticamente constantes.
Figura 1

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Divulgação
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Ferrugem (esq.) e liga de AI
(dir.) em análise por "Wear check"
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Para determinar causas e severidade dos
desgastes, utiliza-se a ferrografia analítica. O exame microscópico da forma das
partículas permite inferências quanto à causa, enquanto que a medição do tamanho e
avaliação da incidência levam à conclusão sobre a severidade. Fotos das partículas
observadas também fazem parte do relatório de análise, como, por exemplo, a apresentada
na figura 1. As avaliações sempre levam em conta o tipo de máquina monitorada.

Cada tipo de partícula possui um procedimento de análise e determinação de
incidência próprios e independentes. Para facilitar a representação de todas as
partículas pode ser elaborado um gráfico de barras. Um exemplo do gráfico analítico de
um compressor de parafusos (ar comprimido) numa condição perigosa pode ser visto na figura
2 cedida pela Tribolab Comércio de Aparelhos Científicos Ltda.
A avaliação dos dados permitiu aos técnicos da referida empresa concluir que:
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- Há baixa esfoliação, gerada por atrito normal em aço de
baixa liga, sem quebra de filme lubrificante;
- Partículas de desgaste severo com arrastamento em aço de
baixo teor de liga (< 3% de liga) atingem 60 mm;
- Os contaminantes são poucos, mas com dimensões (80 mm)
suficientes para provocar a leve abrasão encontrada;
- Pitting inicial em rolamentos indicado pelos nacos
(partículas espessas) com até 40 mm e laminares de até 80 mm em aço de alta e baixa
liga. Podem advir de roçamento dos parafusos e depois laminadas sob rolamentos;
- Grande quantidade de bronze, com até 100 microns,
provavelmente provenientes de gaiolas de rolamento ou trocador de calor;
Presença pequena de gel e borra, indicando degradação
inicial do óleo.
No caso apresentado as recomendações, segundo técnicos da Tribolab, seriam a troca do
óleo e nova coleta para avaliação da evolução após 1.000 horas de operação. Os
maiores problemas estão sendo gerados pelas partículas de maior tamanho, embora estejam
presentes em pequenas quantidades.
Nos óleos lubrificantes usados em motores, além da já citada análise metálica, há
outras análises importantes, a saber:
1.TBN: o total basicity number ou número de basicidade (ou
alcalinidade) total é realizado principalmente em óleos lubrificantes usados em motores
diesel. Estes óleos têm uma reserva alcalina, destinada à neutralização dos ácidos
formados pela combustão do diesel. Em geral essa contaminação é de enxofre e a
neutralização ocorre por aditivação alcalina, verificada pelo TBN, expressão que
indica quanto desta reserva ainda resta no óleo. Quanto maior for esse valor, maior será
a vida útil do óleo. Para a Engeoil, o número mínimo aceitável para TBN é de 2 mg
KOH/g de amostra, para que ele possa continuar sendo usado sem que haja risco de uma
corrosão ácida no motor.
Outros
serviços na área de lubrificação
As empresas que fazem análises
em óleo para orientação e manutenção preditiva prestam, em geral, também outros
serviços, do tipo plano de lubrificação; fornecimento e mão-de-obra para
lubrificação e abastecimentos; filtragem e recuperação de óleo; além de darem
treinamentos e cursos.
A Hilub, por exemplo, possui unidade
móvel para filtração e purificação de lubrificantes usados. Usa filtragem absoluta
por termovácuo. Pela eliminação da água, gases e partículas sólidas do óleo usado,
aumenta-se a vida útil do equipamento e do lubrificante, diminuindo os custos de
reposição. Outra vantagem é a contribuição para a preservação do meio ambiente por
retirada de substâncias de díficil descarte. A empresa possui certificado ambiental para
eliminação desses resíduos, obedecendo às normas ISO 14000. Podem ser filtrados
lubrificantes usados em sistemas hidráulicos, tratamento térmico, transformadores,
caixas de engrenagem, sistemas térmicos e turbinas. |
2.TAN e pH inicial: o número de acidez total ou total
acidity number, juntamente com o pH permitem a avaliação da presença de
contaminantes ácidos no óleo.
3.Viscosidade: é uma das características mais importantes de um óleo lubrificante e
deve ser mantida dentro de limites pré-estabelecidos, com um valor ideal para cada óleo
em particular. Indica o grau de atrito, isto é, a resistência que o líquido oferece ao
fluir. Nos lubrificantes, costuma-se determinar a viscosidade cinemática, ou seja, a
medida do tempo que um fluido leva para escoar em um capilar, a uma temperatura
específica. É expressa em Stoke (centímetro quadrado por segundo). A viscosidade se
modifica com a temperatura. No caso de óleos, as determinações de viscosidade são
efetuadas em temperaturas controladas ou corrigidas por tabelas.

Viscosímetros cinemáticos para testes a 40°C e
100°C |
A diminuição no valor de viscosidade pode
ser devida à reposição feita com óleo de menor viscosidade ou contaminação por
combustível, solventes ou óleo de lavagem. Já o aumento da viscosidade geralmente
indica reposição feita com óleo de maior viscosidade, presença de contaminantes
insolúveis, oxidação pronunciada, contaminação com água, inadequação ou
ineficiência dos sistemas de filtração ou quantidade de óleo insuficiente em
circulação, favorecendo o processo de oxidação.
4.Insolúveis: com este ensaio mede-se a quantidade de produtos de oxidação do óleo,
tais como borras, lacas, resinas, fuligem (material carbonizado), etc.
5.Índice de viscosidade: é o valor da variação da viscosidade do óleo com a
temperatura, sendo comparado com um óleo referência de índice de viscosidade zero a
índice de viscosidade 100. Para efeito de comparação é preciso saber pelo menos o
valor de duas viscosidades do mesmo óleo em temperaturas diferentes, em geral 40°C e
100oC.
6.Ponto de fulgor ou inflamação: é a temperatura mínima em que um óleo aquecido
libera vapores suficientes para se inflamar em presença de chama livre, não sendo
capazes de manter a chama acesa. Este ensaio permite avaliar se o óleo em uso está ou
não contaminado por combustível, seja diesel, gasolina ou álcool.
7.Ponto de combustão: é a temperatura em que os vapores são liberados de modo
acelerado, permitindo a combustão.
8.Água: a presença de água no óleo é indesejável, por isso deve ser analiticamente
avaliada. As técnicas usadas são Karl Fisher ou destilação.
9.Densidade: relação entre o peso de um determinado volume de matéria e o peso de igual
volume de água, na mesma temperatura.
10.Cinzas sulfatadas: são resíduos sulfatados oriundos de uma quantidade de óleo
calcinada sob ação de ácido sulfúrico. É um ensaio quantitativo expresso por
percentagem em peso, cujo resíduo final é uma mistura de óxidos metálicos e sulfatos.
É feito como em análise de cinzas usual, isto é, em mufla a 780°C - 1000oC. Os óleos
naftênicos costumam apresentar maior teor de cinzas sulfatadas.
11.Ponto de fluidez: é a menor temperatura na qual um óleo ainda consegue fluir. O
declínio de temperatura é feito em condições determinadas e com o óleo em repouso.
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