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MÉTODOS ANALÍTICOS PARA LUBRIFICANTES E ISOLANTES
Indispensáveis para o bom
funcionamento de qualquer máquina, os óleos, sejam eles lubrificantes, isolantes ou de
corte são submetidos a várias análises físico-químicas, desde sua produção até o
descarte. Este artigo procura mostrar a importância dessas análises para óleos
lubrificantes e isolantes, não só para controle de sua própria qualidade, mas também,
e principalmente, para obtenção de outros benefícios, como o aumento de vida útil dos
equipamentos em que eles são usados.
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M A R I A S I L V I A M A R T I N S D E S O U Z A
Cuca Jorge

M. Silvia é da P&D
Consultoria Química S/C Ltda. |
Toda máquina desgasta-se com o tempo, pelo
funcionamento e pelos inúmeros agentes contaminantes com os quais é posta em contato. A
vida útil de todo equipamento pode, entretanto, ser aumentada, por meio do emprego de
alguma forma de manutenção: corretiva, preventiva, preditiva ou proativa. |
Do mesmo modo que substâncias corpóreas são valiosos
indicadores das condições de saúde dos organismos vivos, os equipamentos têm no
líquido lubrificante uma fonte de preciosas informações acerca do seu estado de
conservação.
Pelas múltiplas funções que exerce (refrigeração, limpeza, vedação, proteção
contra agentes corrosivos, etc.) e pelo acesso aos vários pontos da máquina, o óleo
constitui-se num agente de extrema importância na determinação de elementos de desgaste
e contaminação dos equipamentos.
A chamada manutenção preditiva baseia-se no monitoramento
do óleo lubrificante por vários ensaios de laboratório, a fim de determinar a presença
de contaminantes e, por eles, o estado de conservação do equipamento. Várias empresas,
como a Engeoil Engenharia de Processos e Análises de Óleos, a Hilub Comércio e
Serviços de Lubrificação e a Lubrin Lubrificação Industrial, fazem esse
acompanhamento.
Uma mudança gradual das características do lubrificante em
serviço é normal. Mudanças súbitas apontam para a necessidade de troca do óleo e, na
maioria dos casos, são indícios de falha no equipamento, pois a vida do lubrificante
está diretamente ligada às condições de trabalho e manutenção de cada máquina. Uma
vez preservadas as características químicas e físicas do óleo e mantido em níveis
toleráveis o grau de contaminantes, o lubrificante poderá permanecer em serviço, por um
período maior, com segurança.
Pelos resultados das análises, é possível conhecer, controlar e, normalmente, combater
a origem da contaminação. De posse desses dados, os prestadores fornecem laudos
informativos que orientam o usuário do serviço, possibilitando-lhe promover
intervenções seguras. As técnicas usadas incluem ferrografia, espectrometria e
cromatografia gasosa. Os resultados obtidos determinam o estado de deterioração da
máquina e seus componentes, revelando possíveis falhas e suas causas ainda não
percebidas pela manutenção.
A ferrografia é usada na manutenção preditiva de equipamentos industriais, como grandes
prensas e injetoras etc. Analisam-se o aspecto e o tamanho das partículas presentes no
óleo, permitindo identificar com alta precisão em que nível está ocorrendo o desgaste.
A espectrofotometria é a técnica preferida quando se monitoram veículos, sejam eles de
passeio, tratores, carregadeiras, caminhões, empilhadeiras, guindastes e outros. Nesse
caso, a quantificação de elementos como ferro, cobre, cromo e alumínio, que se originam
das diversas ligas metálicas que compõem os equipamentos, e do sílício, proveniente da
poeira, são as mais usadas.
As determinações metálicas geralmente são feitas por espectrometria de absorção
atômica e/ou ICP (espectrometria de plasma de argônio induzido). Os teores são
detectados em concentrações de partes por milhão, permitindo identificar o desgaste de
qualquer parte do sistema mecânico em seu estado inicial e evitando a diminuição da
vida útil do equipamento. A tabela 1 apresenta as origens do desgastes metálicos.
Uma criteriosa análise microscópica das partículas presentes no óleo, oriundas do
desgaste, a fim de determinar seus aspectos e tamanhos, fornecem valiosas informações
sobre o processo de desgaste. Essa técnica é chamada de ferrografia.
A Lubrin fornece aos clientes o sistema Wear Check, baseado na técnica
ferrográfica, que permite visualizar a deterioração, contaminação e desgaste das
máquinas, permitindo um diagnóstico rápido e eficiente e a realização de medidas
corretivas antes da ocorrência de falhas.
O laudo de uma análise ferrográfica oferece resultados quantitativos e qualitativos. A
análise determina o total de partículas presentes no óleo, dividindo-as entre maiores e
menores de 5 m, classificando-as como L (large) e S (small),
respectivamente. A unidade usada é DR/mL, específica para a técnica ferrográfica.
Esses dados permitem identificar as tendências do agravamento do desgaste. A tabela 2
da Lubrin dá bom exemplo de laudo de análise ferrográfica.
Tabela 1
Metais
|
Origem
do desgaste
|
ferro |
cilindros, engrenagens,
anéis, eixo, virabrequim, rolamentos, bomba de óleo, compressor de ar, eixo de comando
de válvulas, guias e sedes, águas, impurezas |
cromo |
anéis, rolamentos, cubos de
freio, cilindros e partes de sistemas hidráulicos |
cobre |
buchas, rolamentos, discos de
transmissão, aditivos, arruelas de encosto, mancais, casquilhos |
alumínio |
pistões, rolamentos, bombos,
rotores, tuchos de bombas injetoras. |
Fonte: Engeoil Engenharia de Processos e Análises de
Óleos Ltda.
Tabela 2
Data
da
coleta
|
Amostra
|
Viscosidade
a
40°C (cSt)
|
S
|
L
|
L+S
|
PLP (%)
|
12/02/99 |
01 |
124 |
60 |
184 |
244 |
50,82 |
13/07/99 |
02 |
423,3 |
46,5 |
108,3 |
154,8 |
39,9 |
Fonte: Lubrin Lubrificação Industrial
Ltda.
Nela L+S equivale ao total de partículas. É o
melhor e mais utilizado índice de acompanhamento ferrográfico do desgaste. Com ele é
determinado o nível de alerta, calculado estatisticamente, somando-se duas vezes o desvio
padrão à média dos valores anteriormente obtidos de várias amostras. O limite assim
calculado, se superado, indica que provavelmente há um problema, não necessariamente um
defeito grave. Para determinar a causa e as providências a serem tomadas, deve ser feita
a ferrografia analítica. O fator PLP, calculado pela expressão PLP = [(L-S)/(L+S)].100,
indica o percentual de partículas grandes em relação ao total de partículas e,
conseqüentemente, o modo de desgaste.
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