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programa da Atuação Responsável quer sair das fábricas e mostrar ao público leigo que
a indústria química não é nenhum bicho papão.
Marcelo Furtado
Fotos: Cuca Jorge
A recente decisão foi motivada depois de
várias pesquisas na Europa e América do Norte mostrarem a ineficiência na adoção
desse abrangente sistema de gestão de saúde, segurança e meio ambiente como forma de
melhorar a credibilidade do setor. Mesmo depois de 15 anos de esforços na aplicação de
suas práticas gerenciais em 45 países, e apesar dos bons indicadores conquistados, o
programa não conseguiu melhorar a reputação das empresas químicas. Segundo as
enquetes, sua imagem só não é pior se comparada à da indústria do cigarro.
Embora no Brasil uma pesquisa similar sobre a imagem da indústria química só será
divulgada no próximo congresso do Atuação Responsável (de 29 a 31 de agosto, em São
Paulo), a percepção da coordenadora local do programa, a Associação Brasileira da
Indústria Química (Abiquim), é a mesma dos demais países. Isso significa que as 134
indústrias locais signatárias, ou seja, as associadas da Abiquim que juntas representam
75% da produção do País, e também as 9 empresas parceiras (distribuidoras e
transportadoras), deverão intensificar a interação com a comunidade. Não por menos, o
tema do próximo congresso será Descobrindo o Atuação Responsável, com o
propósito principal de discutir alternativas para aumentar a sua transparência externa.
Entenda-se aumento de divulgação externa não apenas marketing (que por sinal os
envolvidos sempre se esforçaram em não associar à imagem do programa), mas uma série
de atitudes práticas para fortalecer a credibilidade em torno dessa iniciativa
voluntária da indústria química. Apesar de o Brasil ser hoje o oitavo país mais
adiantado na implantação dos códigos, no mesmo nível da Bélgica, a idéia é
imitar ações dos centros mais desenvolvidos, sobretudo o Canadá, criador do
programa no início da década de 80, os Estados Unidos e a Inglaterra.
Verificação externa
Em primeiro lugar, a partir do próximo ano deverão começar no País as
chamadas avaliações externas, nos moldes do ocorrido nos Estados Unidos e Canadá desde
meados de 1996. Trata-se aí de ponto crucial para melhorar a confiança da comunidade nos
dados e metas divulgados pelos signatários. Até o momento, há no Brasil e na maioria
dos países apenas o sistema de auto-avaliação, ou seja, as próprias empresas julgam o
grau de implantação dos códigos e levantam os principais indicadores de desempenho em
segurança e meio ambiente, repassando-os à associação de classe para a geração de
uma média nacional.
Com o sistema de verificação externa, terceiros checam todos os dados na empresa, para
dar ou não autenticidade às informações divulgadas. Nos Estados Unidos, já foram
feitas por comitês formados por vizinhos, sindicalistas, ambientalistas, advogados e
acadêmicos mais de 80 verificações em 70 empresas. Do mesmo modo, no Canadá,
determina-se a verificação nas indústrias logo após a implantação completa dos
códigos e, depois disso, de três em três anos para verificar se o sistema continua a
corresponder à expectativa da sociedade.

Kós: público avaliará resultados
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De acordo com Marcelo Kós, gerente técnico da
Abiquim, coordenador geral do programa desde a sua instalação no Brasil em 1992, até o
congresso de agosto estará pronto o protocolo de verificação das empresas, um
questionário para embasar a avaliação externa. Um grupo de trabalho formado pela
Abiquim nacionaliza o procedimento e em 2001 haverá verificações piloto. A forma
deverá ser similar às americanas e canadenses. E não como a adotada a partir de 2001
pelos ingleses.
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A associação da indústria química da
Inglaterra (CIA) definiu recentemente que fará o Responsible Care (nome original do
programa) ser auditável pelas empresas especializadas British Standards Institute (BSI),
Det Norsk Veritas (DNV) e Lloyds Register. Para tanto, serão criadas normas para
averiguar se a empresa pode ser considerada fiel aos códigos. E o título será
questionado também a cada três anos. A decisão da CIA surgiu após uma pesquisa em que
81% dos entrevistados se mostraram favoráveis a essa atitude.
Marcelo Kós não vê com bons olhos a
verificação adotada pelos ingleses. Esse procedimento, aparentemente mais
rigoroso, na verdade pode ser muito limitado, diz. A razão disso, para ele, é
porque nas auditorias profissionalizadas a certificadora apenas verifica se a empresa
tomou as atitudes necessárias para atingir certas metas. Nos sistemas americano e
canadense, ao contrário, o comitê pluripartidário de verificação pode
sugerir também novos objetivos. Além de mais democrático, se expor às
avaliações e críticas de membros da sociedade vem de encontro ao objetivo do Atuação
Responsável de melhoria contínua, afirma Kós.
OS DOZE MANDAMENTOS DO ATUAÇÃO RESPONSÁVEL*
Assumir o gerenciamento ambiental como
expressão de alta prioridade empresarial, através de um processo de melhoria contínua
em busca da excelência
Promover, em todos os níveis hierárquicos, o
senso de prevenção de todas as fontes potenciais de risco associadas às suas
operações, produtos e locais de trabalho.
Ouvir e responder às preocupações da
comunidade sobre os seus produtos e as suas operações.
Colaborar com órgãos governamentais e
não-governamentais na elaboração e aperfeiçoamento de legislação adequada à
salvaguarda da comunidade, locais de trabalho e meio ambiente.
Promover a pesquisa e desenvolvimento de novos
processos e produtos ambientalmente compatíveis.
Avaliar previamente o impacto ambiental de
novas atividades, processos e produtos e monitorar os efeitos ambientais das suas
operações.
Buscar continuamente a redução dos
resíduos, efluentes e emissões para o ambiente oriundos das suas operações.
Cooperar para a solução dos impactos
negativos ao meio ambiente decorrentes da disposição de produtos ocorrida no passado.
Transmitir às autoridades, funcionários,
clientes e comunidade, informações adequadas quanto aos riscos à saúde, à segurança
e ao meio ambiente de seus produtos e operações e recomendar medidas de proteção e de
emergência.
Orientar fornecedores, transportadores,
distribuidores, consumidores e o público para que transportem, armazenem, usem, reciclem
e descartem os seus produtos com segurança.
Exigir que os contratados, trabalhando nas
instalações da empresa, obedeçam aos padrões adotados pela contratante em segurança,
saúde ocupacional e meio ambiente.
Promover os princípios e práticas do
Atuação Responsável, compartilhando experiências e oferecendo assistência a outras
empresas para produção, manuseio, transporte, uso e disposição de produtos.
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Princípios diretivos do programa |
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