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Contra
terceiros As apólices de riscos nomeados, risco operacional, multirriscos
e outras dizem respeito ao patrimônio do segurado, ou seja, tudo o que está dentro dos
limites da área de suas instalações. Para o empresário garantir-se quanto à
indenização a terceiros, sejam eles vizinhos, clientes ou mesmo para indenização
ambiental, é preciso contratar seguros de responsabilidade civil. Por tradição,
indenizações contra terceiros sempre foram baixas, por isso os clientes em geral optam
por coberturas de baixo valor, afirmou Nunes. No entanto, depois do acidente com o
oleoduto da Petrobrás que poluiu a Baía da Guanabara, com a aplicação de vultosas
multas e ressarcimento de danos ambientais e econômicos às populações da região,
alguns clientes pediram reforço nos valores contratados.
Antes da contratação é feita vistoria pelo corpo técnico da seguradora para levantar o
potencial de danos a terceiros. São avaliadas as condições de transporte, armazenagem e
manipulação de produtos, proximidade de rios e de áreas urbanas, entre outros aspectos.
A partir daí, é possível estimar um valor para indenização. O cliente pode
estipular esse valor ou limitá-lo, mas arcará sozinho pela quantia excedente,
explicou.
No caso das grandes petroquímicas há uma preocupação adicional: o valor de
indenização contratado não pode ultrapassar a capacidade de retenção do IRB, que
garante as operações das seguradoras. Também as seguradoras devem observar seus
próprios limites de retenção de riscos, estabelecidos para evitar o não pagamento de
indenizações, que agravaria a situação das empresas sinistradas.
A metodologia para avaliar seguro de responsabilidade civil contra terceiros foi
copiada do sistema alemão e está um pouco defasada em relação às necessidades dos
clientes, comentou Cavalcante, da Qualitas. Além disso, como há poucos registros
de casos desse tipo de indenização, não há base para as áreas operacionais das
seguradoras mudarem as características dessa modalidade. Dessa forma, o custo dos seguros
de responsabilidade civil no Brasil ainda se revelam superiores aos do exterior, até pelo
baixo volume de recursos em carteira. À medida que aumente a procura e comecem a
aparecer os sinistros, vai ser possível rever a situação, comentou. O consultor
aconselha a contratar essa proteção.
O seguro contra lucros cessantes protege o próprio empreendimento, mas também pode
garantir a terceiros, por extensão. Isso é muito comum na petroquímica,
afirmou Nunes. No caso de uma parada imprevista em central de matérias-primas, todas as
empresas a jusante na cadeia produtiva (a segunda geração) param as atividades.
Nesses casos, cada dia parado representa uma fortuna, aduziu.
Avaliação de risco A concorrência
na área de seguros passou a exigir que as seguradoras investissem para avaliar melhor os
riscos referentes à atividade de seus clientes para aprimorar as coberturas e o cálculo
dos prêmios. Cada tipo de empresa tem um risco diferente, disse Nunes.
E, na mesma atividade, os riscos variam de uma empresa para outra. A Itaú
Seguros investiu na formação de equipe qualificada, com técnicos de larga experiência
no setor químico e petroquímico.
Segundo Nunes, antigamente, as seguradoras e o IRB impunham
aos clientes uma série de necessidades como condição para aceitar a proposta de seguro.
Com o tempo, descobriu-se que não éramos os mais habilitados para exigir tanta
coisa assim, comentou Nunes, citando excessos, como alteração no controle de
processos e outras. Hoje as companhias fazem recomendações de atitudes e de equipamentos
para minimizar riscos e até para atualizar tecnologia, mas não impõe a adoção.
Se o cliente acata a recomendação, o prêmio pode até ser reduzido, disse.
No caso de empresas com várias unidades de produção, em locais distintos, pode ser
feita uma única apólice, aplicando-se uma taxa de risco média ponderada para todo o
grupo.
Na visão das seguradoras, não existe risco ruim ou bom. Tudo depende de como é
feita a apólice, comentou. A análise de risco verifica o montante possível do
prejuízo e a probabilidade de ocorrência. Pode haver casos nos quais o prejuízo seja
quase certo, como nas instalações na beira de rios sujeitos a freqüentes
transbordamentos. A seguradora precisa admitir o risco, explicou Nunes.
Ou pede obras de contenção contra enchente ou simplesmente recusa essa
cobertura.
Alguns clientes solicitam que a vistoria prévia para contratação de seguros seja mais
abrangente, assumindo caráter de auditoria de segurança. Para Nunes, esse é um serviço
que diferencia as companhias de seguro, especialmente na área química. Em geral, a
análise da seguradora se restringe ao controle e prevenção de perdas, pois é destinada
mais à seguradora que ao cliente, mas a receptividade aos laudos é sempre elevada.
Durante a duração do contrato são efetuadas várias visitas de inspeção, a fim de
verificar se as condições de operação e segurança foram mantidas. Essas visitas
são obrigatórias. Consta dos contratos que os clientes não podem impedi-las, sob pena
de rescisão, afirmou Nunes.
Uma vantagem que as seguradoras têm sobre seus clientes é o registro de acidentes no
Brasil e no exterior, com indicação de causas prováveis, permitindo visão apurada dos
riscos. Esse é um dos motivos pelos quais os clientes costumam aceitar as
recomendações.
Um problema do setor consiste na fato de alguns empresários aceitarem
classificação inadequada para seus empreendimentos, afirmou Sigrist, da Qualitas.
Segundo ele, por medida de economia, alguns clientes pedem que a apólice cubra apenas
parte da área ocupada ou do estoque de produtos. Em caso de acidente, essas
empresas ficam a descoberto. Segundo ele, cada seguradora tem sua abordagem quanto
à avaliação de riscos, sendo algumas mais cuidadosas que outras.
Algumas empresas fazem a análise financeira do seguro, comparando quanto custou ano
a ano, mas não avaliam o risco da atividade, disse Nunes. Além dos prejuízos
materiais diretos, o executivo da seguradora aponta o dano à imagem da companhia
sinistrada, cuja recuperação é muito difícil.
Franquias
Compartilhar risco é uma alternativa para baixar a
despesa com prêmios de seguros. Em geral, a franquia guarda relação direta com as
perdas normais esperadas do empreendimento. Mas também há relação direta com o
custo do seguro, até por revelar a confiança do cliente na segurança da
atividade, comentou Nunes. Segundo ele, à medida que as taxas de seguros subam,
deve haver transferência de risco para o cliente, por meio da franquia mais elevada.
A franquia concorre para a desburocratização do seguro, comentou Cavalcante.
Acidentes de pequena monta, inferiores ao valor da franquia, são bancados diretamente
pelo cliente. Cada pedido de indenização dispara um processo ágil, porém custoso para
as seguradoras. Há muito papel a processar, laudos periciais e despesas diversas.
Isso torna indesejável para a companhia ser acionada para indenizar um vidro de
janela de fábrica de R$ 30, por exemplo, explicou Sigrist.
Os consultores recomendam adotar valores baixos de franquia, próximos ao valor mínimo
exigido pelas seguradoras. Até agora assumir franquia mais alta não reduz
proporcionalmente o prêmio do seguro e aumenta o prejuízo eventual dos clientes,
comentou Sigrist. Ele salientou que alguns tipos de seguro, como o de incêndio, não
admitem franquia.
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