Tratamento de
Efluentes


Americanos com japoneses – Já válidas no Brasil, essas fusões entre gigantes provocaram outro importante acordo local. Para atuar da mesma forma que os concorrentes no Mercosul, o recém-chegado grupo americano Azurix aproximou-se da japonesa Kurita, um dos líderes mundiais em tratamento de água e há mais de 20 anos no País. Fundada em 1998 pelo megagrupo de energia Enron, que resolveu complementar sua oferta de utilidades adquirindo várias empresas de água mundo afora, a Azurix consegue na Kurita um parceiro fixo para fornecer sistemas e formulações químicas sobretudo em seus pacotes de BOT e BOOM.

Formalizada a aliança no País, a filial brasileira da Kurita se adiantou a uma tendência a ser seguida pela corporação. Conforme explica seu superintendente de operações, José Aguiar Jr., o grupo (com faturamento global de US$ 2 bilhões) está se recompondo para fazer frente ao movimento dos concorrentes. Depois de trocar o seu board, deve partir para compras de empresas fora da Ásia ou então fundir-se com outros competidores de peso, para tornar-se mais global. Até então o grupo é muito concentrado no mercado asiático, tanto que no Brasil possui sua maior participação fora do mundo oriental (market share de 20%).

Na opinião de Aguiar, por possuir também tecnologia em equipamentos no Japão (e eventualmente no Brasil, onde já teve departamento específico) a integração com a Azurix é facilitada. Vários de seus serviços já contemplaram obras completas, como na Rhodia Poliamida, de Jacareí-SP, na qual uma estação de efluentes foi construída sob a coordenação da Kurita. E também em outros projetos de médio porte (com limite máximo de US$ 2 milhões), como em recente na Bridgestone-Firestone, em Santo André-SP, no qual uma solução mecânica, com filtros e abrandadores, permitiu à fabricante de pneus reaproveitar 15 m3/h de seus efluentes nas torres de resfriamento.

Cuca Jorge
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Aguiar: Kurita vai operar com Azurix

A intenção, porém, é não recorrer ao know-how mecânico japonês. “Mas também não deixaremos de propor soluções sob o nosso ponto-de-vista”, diz Aguiar. Outra cooperação consiste na ampliação de seu portfólio de polieletrólitos no Brasil, hoje disponíveis em 30 diferentes pesos moleculares e ionicidades. Bom ressaltar que só no Japão há 250 tipos desses polímeros, para as mais específicas aplicações.

Espaço para todos – Com essas três parcerias formadas, concentra-se ainda mais o setor no Brasil, agora sob a batuta dos líderes mundiais de saneamento público e privado: Suez Lyonnaise des Eaux, Vivendi e Azurix, na ordem de faturamento. A princípio, o novo perfil do mercado só não dificulta mais a vida dos demais concorrentes em razão da alta demanda reprimida no País. Isto é: ainda há muito a fazer e, dependendo da agilidade das empresas não-atreladas aos três, haverá obras para todos.

INDÚSTRIA MUNDIAL DA ÁGUA
Mapa comercial (US$ bilhões)

CATEGORIAS

Receitas anuais
América do norte Europa América latina Resto do mundo TOTAL
Impresas de água e tratamento 55 50 9 15 129
Equipamento 16 13 3 11 43
Energia    15 17 2 4 38
Construção (sem equipamento) 11 8 3 6 28
Consultoria,engenharia e serviços 7 5 2 5 19
Produtos químicos 3 4 1 1 9
Instrumentos e serviços analíticos 1 1 0 0 2
TOTAL 108 98 20 42 268
Expectativa de investimentos de capital (até 2008) 200 230 50 230 710

Estimativa da Azurix

 

ESTIMATIVA DO MERCADO NACIONAL DE EQUIPAMENTOS PARA EFLUENTES (em US$ milhões)*

 
SEGMENTOS 1999 2000 2001 2002 2003
Cias. Estaduais 11,5 12,8 13,5 14,2 14,9
Serviços Autônomos 1,3 1,6 2 2,3 2,3
Concessionárias 11,5 12,2 13,5 15,2 18,6
Indústria 3 4 4,4 5 6,1
Total 27,3 30,6 33,4 36,7 41,9

Fonte: Aquamec                                                                              *Dólar a R$ 1,80

 

Não por menos, o consórcio formado pelas nacionais Aquamec e Enfil, de São Paulo, está ganhando concorrências importantes, e contra os grandes, tendo faturado em apenas um ano de existência cerca de R$ 20 milhões. Bom exemplo é a primeira etapa da ETE Arrudas, de Belo Horizonte-MG, uma obra de R$ 11,5 milhões para tratar 2,7 m3/s de esgoto da capital mineira. De acordo com o diretor da Aquamec, Sergio Ceccato, a obra hidroeletromecânica do tratamento primário e a operação, durante seis meses depois de concluída, estará a cargo do consórcio.

Cuca Jorge
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Ceccato conseguiu obra pública em BH

Nessa primeira etapa, a ser concluída até o final do ano, serão reduzidos 60% dos sólidos dos efluentes e 40% da demanda bioquímica de oxigênio (DBO). A região de Belo Horizonte possui índice zero de tratamento de esgoto, mas quando sair a segunda etapa do projeto, nos próximos meses, até 2002 pretende atingir 90% de redução de DBO e sólidos dos efluentes domésticos. E a chance de a Aquamec ganhar também a concorrência na segunda etapa, diz Ceccato, é grande.

Obras de menor porte, em lugares algumas vezes esquecidos pelos grandes, também podem ocupar as empresas nacionais. A própria Aquamec-Enfil constrói em São Luís-MA a estação de tratamento de efluentes da companhia estadual Caema que contemplará tratamento primário e desinfecção por ozônio. Um outro exemplo provém da paulistana Enasa, com obras para a companhia de saneamento cearense Cagece, onde instalou sistema de aeração flutuante por ar difuso tubular no distrito industrial de Maracanaú.

De acordo com o diretor da Enasa, Antonio Carlos Taranto, além de procurar negócios fora dos grandes eixos, a saída para os nacionais é trabalhar como “desbravadores” de tecnologias, procurando soluções específicas para simplificar a vida dos clientes. Ele, por exemplo, mandou um engenheiro da empresa passar um mês na Áustria em busca de processos para reciclar efluentes. O resultado foi a introdução no País de sistema combinado de membranas e resinas de troca iônica, em breve a ser instalado em empresa de logística de Santos para recuperar água de lavagem de contêineres usados no porto. Sistemas semelhantes serão empregados para reciclagem de efluentes galvânicos.

Cuca Jorge
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Taranto: pequenos devem "desbravar" tecnologias

 

 

Também como a Enasa, a Aquamec-Enfil possui exemplos recentes de “desbravamento” tecnológico. Para simplificar o tratamento primário de aeração e decantação, nacionalizou o sistema Unitank, da belga Seghers. Trata-se de reator retangular que executa as duas operações de uma só vez e de forma contínua. Essa versatilidade, aliada ao baixo custo e à facilidade de instalação, atraiu o interesse da Sabesp como alternativa para as suas estações no litoral paulista com obras paradas pela metade. “Essa é uma tecnologia ideal para substituir investimentos demorados, de forma ágil e simples”, afirma o diretor comercial da Aquamec, Gilson Afonso. O mesmo sistema também já foi instalado na cervejaria Brahma.

Com a mesma intenção, a Aquamec absorveu o sistema de lodo ativado fluidizado da norueguesa Kaldnes. Segundo Afonso, trata-se de tecnologia em que pequenas células plásticas dentro dos tanques de aeração “captam” colônias de bactérias, diminuindo a necessidade de oxigênio para reduzir o DBO, de modo a economizar energia para aeração.

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