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Embora existissem desde a década de 60, só há cerca de cinco anos foram desenvolvidas comercialmente. O segredo da válvula está no seu eixo excêntrico, que descreve uma trajetória elíptica da abertura plena ao fechamento, apresentando encaixe profundo na sede, com contato metal/metal, oferecendo vedação perfeita sem anéis de elastômeros. Dessa forma, a válvula torna-se indicada para aplicações de estanqueidade total, atendendo às normas ANSI classe 5 e classe 6 (vazamento zero). Por não possuir componentes de borracha, também é tipo ideal para altas temperaturas (até 900ºC) ou para operações criogênicas (até -270ºC).

De acordo com Von Dreifus, a triexcêntrica traz um novo mercado para as válvulas borboleta: as altas pressões. Até então, diz, tratava-se de nicho especial para as válvulas gaveta, as quais já perdem espaço nos Estados Unidos para os novos modelos. Isso ocorre porque as triexcêntricas proporcionam igual vedação com apenas um terço do peso. Em termos de preço, só a partir de 14" a gaveta tem custo menor. Por esses motivos, diz Dreifus, já há dois de seus modelos Tricentric, da Atwood & Morril, de 4" na Rhodiaster, em Poços de Caldas-MG, atendendo norma classe 6, fire-safe e média pressão, onde as válvulas substituem antigos modelos de vedação e controle.

Também em segmento de cone, a Durcon-Vice está produzindo no País, sob licença de teconologia da austríaca Gunric, triexcêntricas para controle e on-off. Responsável pela comercialização desses modelos para todas as Américas, a empresa nacionalizou a válvula e apenas importa os anéis cônicos da Áustria, pois na opinião de Alejandro Hube não se justificaria produção local dessas peças. Até agora, já foram vendidos 40 modelos.

Para Hube, porém, sua característica de vazamento zero, mesmo sendo determinante, não é o grande diferencial da válvula triexcêntrica. "As válvulas gaveta, globo e retenção também são classe 6, mas o mais importante é agregar a isso a possibilidade de se operar com temperaturas e pressões elevadas, com alta abrasão e ocupando menos espaço", diz. Além dos mercados siderúrgico, de óleo e gás, químico e petroquímico, Hube acredita no uso dessas válvulas em centrais termoelétricas para isolamento e retenção de água e vapor, para água de refrigeração e em extração de vapor.

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valvula09.jpg (15179 bytes) A borboleta triexcêntrica da Hiter, baseada em segmento de esfera, encontrou aplicação na petroquímica e em polidutos de combustíveis e gás. Conforme explica o gerente comercial Isidoro Cerny, a válvula foi aprovada em testes de estanqueidade pela entidade ABS, no Brasil, e pela Petrobrás em testes de fire-safe. Embora considere as borboletas mais indicadas para aplicações de bloqueio, com função on-off, seu modelo também pode agregar acionamento modulante e voltar-se para controle. Especializada em controle, porém, para os casos de altas pressões a Hiter pretende focar mais seu marketing em torno das válvulas esfera de grandes dimensões. 
Serviços em alta _ Mais do que novos tipos de válvulas, porém, uma tendência em alta é a recuperação das antigas. Muitas empresas já possuem central de serviços, divisões especiais e equipamentos portáteis para recuperar as válvulas como novas ou prolongar seus intervalos de manutenção. As justificativas principais passam desde a intenção geral de economizar material até pela tentativa de oficializar a atividade, tirando-a de mãos "criminosas" para passá-la a profissionais capacitados, ou seja, os próprios fabricantes (ver pág. 30).
O Sindival tem consciência disso e incluiu na revisão das normas ABNT para fabricação de válvulas itens específicos para recuperação e sucateamento. Segundo seu presidente, a revisão está na fase final. Outra atitude da entidade é criar um órgão certificador para os recuperadores, cuja função seria Cuca Jorge
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Dreifus: importando as engenheiradas
conceder um atestado de responsabilidade técnica à empresa que provar estar dentro das normas a serem criadas pela ABNT. (Aliás, para atingir esse último objetivo, José Roberto Vanordem pede a usuários de válvulas que enviem cartas ao Sindival demonstrando apoio à iniciativa, a fim de facilitar pedido de financiamento à Finep).


Antes das medidas do Sindival passarem a valer, alguns fabricantes já tomam iniciativas há algum tempo. A Ciwal há cinco anos possui sua divisão Ciwal Service, que realiza reforma e recuperação em unidade móvel, um caminhão-oficina, ou na própria fábrica em São Paulo. São reformados quaisquer tipos de válvulas e todo serviço recebe garantia de três meses e certificado de rastreabilidade.

Ainda a Dresser mantém um centro de serviços em Jacareí-SP. Criado como condição da matriz para poder comercializar no Brasil as válvulas de segurança Consolidated, hoje o centro recupera qualquer tipo de válvula e, segundo Carlos Augusto Alessandri, "está sempre lotado". Serviços móveis de inspeção de válvulas de segurança são realizados pelo equipamento EVT (Eletronic Valve Test), uma maleta de teste que avalia a condição em campo, sem precisar parar a produção.

O EVT funciona por meio da aplicação, com uma bomba portátil, de uma pressão suficiente na haste para descarregar levemente a válvula. Essa força é medida por um painel de leitura e um computador calcula a força da mola e determina a pressão. Sabe-se então se a válvula está com dimensão correta e se abre no momento certo. Alessandri aponta vantagem do EVT nas constantes inspeções de caldeira, já que evita a retirada da válvula para testes.

Neles sem fábrica _ Outra empresa agora concentrada em serviços é a Neles, de São José dos Campos-SP, empresa de origem finlandesa especializada em válvulas de controle para a indústria de papel e celulose. Em razão do novo sócio majoritário da empresa, a também finlandesa Valmet, ter decidido parar a produção da fábrica brasileira (e de outra nos Estados Unidos), a filial local será apenas um centro de serviços e de importação de válvulas de unidades finlandesa e mexicana do grupo. valvula11.jpg (22375 bytes)

Alocado em novo prédio em São José dos Campos, o centro de serviços prestará assistência técnica, serviços de recuperação e reforma das válvulas esfera, borboleta e de segmento de esfera. De acordo com o gerente nacional de vendas, Douglas Renato de Campos Moraes, entre os funcionários restantes da dissolução da fábrica (60 foram demitidos) estão justamente os especializados em recuperação. Há ainda um centro de serviços da Neles em Aracruz-ES para atender a indústria de papel e celulose.


Sob a nova estrutura, diz Douglas, a Neles também descontinua válvulas obsoletas, sobretudo modelos de esferas, e integra sistemas de instrumentação analítica de campo e de processo da Valmet, ficando a área de válvulas agora subordinada à divisão Field Controls. Douglas afirma que a Neles consegue entregar as válvulas sob o mesmo prazo anterior, quando fabricava no País, ou seja, 30 dias. E com preço competitivo, o que pode ser decisivo para as previstas tomadas de preço e licitações dos próximos anos.

O fechamento da fábrica da Neles em 23 de novembro, aliás, reflete uma triste coincidência: ocorreu na mesma época em que o preço da celulose começou a se recuperar (chegou no começo de 1999 a US$ 350/t e hoje está a US$ 650/t) e durante a qual vários projetos engavetados no Brasil eram retomados. Para os próximos anos, esperam-se duplicações na Aracruz, Cenibra, investimentos na VCP, Klabin e Veracell.

A perspectiva é tão boa que há empresas nacionais interessadas em aproveitar esse filão. A mais atenta à essa demanda é a IVC, de São Paulo. Não por menos, a empresa comprou boa parte do maquinário da Neles, arregimentou vários de seus ex-colaboradores, sobretudo os valvula12.jpg (19973 bytes)
especializados em usinagem e montagem, e monta fábrica na mesma São José dos Campos-SP para fabricar válvulas esfera simétricas pendulares especialmente voltadas para controle e operação on-off em papel e celulose.
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