Tecnologia Ambiental

15 de fevereiro de 2012

Reúso de Água – Recuperação de esgoto mantém indústria nas regiões metropolitanas

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    ada de um novo estado de consciência ecológica, por meio do qual a indústria de uma hora para outra foi acometida por um espírito altruísta de preservação da natureza. A impossibilidade de garantir o abastecimento de água necessário para seus projetos, ou até mesmo para manter fábricas existentes, é a grande mola propulsora do reúso nas principais obras do gênero no país. Praticamente não há exceção à regra: ou as empresas partem para soluções de reaproveitamento de efluentes ou esgotos públicos ou não contam mais com a mesma facilidade do passado para conseguir outorgas de exploração de água de rios ou poços ou para simplesmente se tornarem clientes de companhias de saneamento.

    É uma constatação técnica que felizmente começa a ser comum entre os dirigentes empresariais e autoridades públicas. A dificuldade de abastecer os grandes centros urbanos com água potável (basta ressaltar que a cidade de São Paulo chega a “importar” água do sul de Minas Gerais), em virtude da alta carga de poluição de seus rios e do comprometimento de seus poços subterrâneos, torna o fato de dividir o parco manancial com indústrias no mínimo um contrassenso. Isso ou leva a indústria a encontrar uma saída técnica ou então a obriga a sair das regiões metropolitanas, deixando o rastro de desemprego no local, para se estabelecer talvez às margens de um belo ribeirão numa cidade interiorana, onde as cobranças por sua conduta ambiental também começam a ficar cada vez mais fortes.

    O principal projeto de reúso de água industrial em andamento no país, o Aquapolo, que em breve começa a fornecer água recuperada de esgoto público da ETE ABC da Sabesp, em São Paulo, para o polo petroquímico paulista em Mauá-SP, reflete na medida esse panorama. É o que explica Marcos Asseburg, o diretor da sociedade de propósito específico criada para fazer a obra e gerir o empreendimento, a Aquapolo Ambiental, empresa com 49% das ações nas mãos da Sabesp e 51% da Foz do Brasil, do grupo Odebrecht. “O polo estava ameaçado pela cidade em volta, havia necessidade de água para a população e não seria compreensível priorizar a indústria, mesmo com a sua importância para a economia da região”, disse Asseburg.

    Nesse sentido, na opinião do diretor, o pioneirismo maior do projeto, mesmo ao se considerar o aspecto tecnológico inovador, avançado para o padrão brasileiro, foi apontar um caminho para o convívio entre indústria e população de grandes centros urbanos. “Com o Aquapolo, as indústrias continuam lá, mantendo e gerando empregos na região, sem precisar sair por falta de água”, completou. Não custa recordar que muitas empresas na região de Mauá e do ABC paulista se mudaram para outras cidades nos últimos anos por conta do alto custo da escassa água disponível no local.

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    Ribeiro: fornecimento integrado de membranas

    Tecnologia avançada – Já na fase de comissionamento, o projeto foi pioneiro também na sua concepção tecnológica. Seu coração é uma imensa estação de MBR (membrane bio-reactor), um biorreator a membranas, que combina um tanque biológico, tipo carrossel e oval, com câmara anóxica e uma aeróbica, com tanques de membranas de ultrafiltração tipo fibra oca da marca Puron, da Koch Membrane Systems. As membranas são dispostas em nove trens, cada um com sete módulos, dando um total de 63 módulos de membranas. Isso dará o total de vazão inicial de tratamento da estação de 650 litros por segundo de água de reúso. “Mas cada trem deste tem capacidade para dez módulos, o que chega ao total de 90 módulos, perfazendo a capacidade máxima da estação de 1.000 litros por segundo”, explicou o diretor comercial da Koch para a América do Sul, Sergio Ribeiro.

    O MBR, totalmente automatizado, recebe o esgoto secundário da ETE ABC, que até a estação começar a operar continuará sendo descartado dentro dos padrões da legislação no Córrego dos Meninos (com cerca de 80% da carga removida). Trata-se aí até de uma aparente subutilização do biorreator a membranas, visto a tecnologia de MBR ter sido concebida originalmente para receber esgotos in natura apenas com prévia filtragem. Mas, no entendimento de Sheila de Oliveira, engenheira química do Aquapolo, para prepará-lo ao reúso o residual do esgoto secundário é até mais difícil de ser tratado biologicamente.

    “No final do processo biológico, na fase terciária do MBR, embora o volume seja menor, a carga é lentamente biodegradada”, disse. Mesmo assim, depois da fase terciária e a sequente passagem para os trens da ultrafiltração, o esgoto saiu com remoção quase total de vírus e de bactérias e atingiu outros índices que superaram a expectativa da engenheira durante a fase de unidade piloto, que durou quase um ano. “A especificação do polo para DQO, por exemplo, é de 20 mg/l; e com o MBR ficou na faixa de 14 mg/l. A amônia, um sério problema hoje na região, também superou a especificação, que era de 1 mg/l e ficou em 0,5 mg/l com a ultrafiltração”, disse.


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