Petroquímica

16 de junho de 2009

Petroquímica – Resultados voltam ao azul e podem indicar a superação da crise

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Petróleo e Energia

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    s primeiros números do segundo trimestre de 2009 trouxeram alento ao setor petroquímico. As vendas de abril e maio (parciais) indicam uma recuperação de volumes e preços e fazem sonhar com uma reprise de resultados em relação a 2008. Falta ainda comprovar a robustez da demanda global e seus efeitos sobre as cotações do petróleo e influências cambiais.

    “No ano passado, tivemos um trimestre muito ruim, o quarto, enquanto neste ano é factível que tenhamos apenas um trimestre ruim, o primeiro”, comentou Vitor Mallmann, presidente da Quattor. “No fim das contas, os dois anos podem ter resultados muito parecidos, se tudo correr bem.” Quando fala em trimestre ruim, ele aponta as quedas de vendas em janeiro (-29%), fevereiro (-16%) e março (-10%) em relação aos mesmos meses do ano anterior. A explicação para o fraco desempenho dos negócios com as principais resinas termoplásticas entre outubro e março se apóia na redução dos estoques da cadeia aos níveis normais. Na fase de euforia pré-crise, todos os elos da cadeia produtiva acumularam matérias-primas e acabados com o duplo intento de atender aos pedidos imprevistos e de absorver melhor a alta – até então contínua – de preços de insumos. A eclosão da crise mundial tornou esses estoques um estorvo. Construídos a preços altos, foram desovados na baixa.

    Luiz de Mendonça, vice-presidente-executivo de polímeros da Braskem

    Luiz de Mendonça: nova precificação da nafta melhora competitividade

    “Está muito difícil planejar a operação petroquímica”, comentou Luiz de Mendonça, vice-presidente-executivo de polímeros da Braskem. Ele confirma a recuperação das vendas de resinas plásticas no segundo trimestre de 2009. “Mas não sabemos ainda se isso foi uma bolha ou se é uma tendência firme para o ano.” Ele prefere acompanhar o desempenho do terceiro trimestre para consolidar um prognóstico.

    Mendonça salienta que a situação do mercado interno é muito mais sólida que em outros países. “Vários setores estão bem ou em recuperação, como o de automóveis, a agricultura, a ráfia e a linha branca”, demonstrou. Em 2008, as vendas de PVC cresceram 17%, e estavam com incremento da ordem de 22% antes da crise. Os polietilenos e o polipropileno tiveram aumento de apenas 1% no ano, porque as vendas são mais concentradas no último trimestre, exatamente o que encolheu.

    A crise provocou a redução de carga nos crackers para acompanhar o comportamento da demanda. Em 2009, a ocupação das petroquímicas brasileiras se recuperou e voltou a ficar acima de 90%. Isso foi conseguido com a exportação de resinas. De janeiro a abril de 2009, foram exportadas 548 mil t de termoplásticos, um incremento de 84,8% em relação ao igual período de 2008, como apontam os dados da Abiquim. Porém, em valor, essas exportações somaram pouco mais de US$ 484 milhões, com redução de 0,7% contra o resultado dos mesmos meses do ano passado. Os números comprovam a dramática queda de preços no setor.

    Uma conjunção de fatores como o corte das cotações da nafta para menos da metade dos valores praticados em agosto de 2008 e a desvalorização do real incentivou a exportar mais. Ainda que o preço final remunere apenas os custos variáveis, a ampliação das vendas ao exterior permite rodar as fábricas cheias, com baixa ociosidade. Além disso, há razões de ordem estratégica para essa opção.

    “A Braskem é uma empresa globalizada e as exportações têm um papel fundamental nos nossos negócios”, comentou Mendonça. A simples vantagem cambial não justificaria a intensificação dessa atividade. Como explicou, quando o custo da nafta em reais despenca pelo efeito cambial, o ganho com a venda das resinas na mesma moeda cai, praticamente anulando o benefício.

    Química e Derivados, Vitor Mallmann, Presidente da Quattor, Petroquímica

    Vitor Mallmann: com um trimestre ruim, 2009 pode ficar igual a 2008

    Os tempos de nafta abaixo de US$ 400 por tonelada também ficaram para trás. “A relação entre o preço da nafta e o do petróleo Brent voltou a se equilibrar em 8,5, um índice tradicional do setor”, comentou Mallmann. Isso significa que não há excesso nem escassez de nafta no mundo. Para o executivo, isso dá alguma tranquilidade ao setor.


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