Química

14 de novembro de 2008

Resíduos – Destruição de passivos e entrada de informais sustentam crescimento

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Blendas de resíduos preparadas para queima em forno de cimento

    O

    s principais obstáculos para a modernização do mercado de gerenciamento de resíduos industriais começam a ser lentamente ultrapassados. É o que faz crer a análise dos últimos dados constantes do acompanhamento conjuntural do setor feito anualmente pela Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre). Recém-fechados, os números revelam que em 2007 o volume de resíduos industriais tratados (5,9 milhões de t) continuou a crescer a uma média anual superior a 30%, com promessa de a façanha se repetir em 2008 e demonstrando uma leve, mas importante, mudança de perfi l nos serviços prestados pelas 149 unidades privadas receptoras de resíduos que foram abrangidas pela pesquisa.

    De acordo com o presidente da Abetre, Diógenes Del Bel, o aumento, que vem desde 2006 (quando cresceu 40%) e pode significar em 2009 um mercado duplicado, demonstra primeiramente a entrada de novos clientes no mercado formal de tratamento, que antes estavam na ilegalidade e agora deixaram de jogar seus detritos no terreno baldio ou pararam de armazená-los de forma arriscada. Mas o cenário de crescimento revela também que muitos passivos ambientais do país começaram a ser resolvidos. Isso porque hoje 25% do total das destinações, em soluções como a incineração, o co-processamento e demais tecnologias térmicas ou aterros, são provenientes de solos contaminados e resíduos oriundos de projetos de remediação.

    Química e Derivados, Diógenes Del Bel, presidente da Abetre,  Resíduos - Destruição de passivos e entrada de informais sustentam crescimento

    Diógenes Del Bel: grandes geram menos, mas pequenos tratam mais

    A análise dos dados estatísticos, para Del Bel, confirma ainda de forma paralela um terceiro aspecto positivo do mercado industrial. O surgimento dos novos clientes, antigos infratores, compensou o nítido menor volume de resíduos de indústrias mais tradicionais e avançadas na gestão ambiental, que ano após ano investem para reduzir a geração no processo produtivo. Nesse caso, vale como exemplo a indústria química, que segundo o mais recente relatório do Atuação Responsável (sistema de gestão obrigatório para integrantes da Associação Brasileira da Indústria Química, a Abiquim) tem mantido estável a geração de resíduos perigosos nos últimos anos. Esse dado por si só ajuda a demonstrar que não foram as grandes indústrias, ou pelo menos as mais envolvidas com as boas práticas ambientais (caso do setor químico), as responsáveis pelo grande aumento no volume de resíduos tratados dos últimos dois anos, reforçando a opinião do presidente da Abetre.

    “Esse crescimento revela muito mais do que apenas negócios para o setor, mas sim uma evolução na gestão ambiental da indústria brasileira que anima as empresas de tratamento de resíduos”, afirmou Del Bel. Com receita total de 1,6 bilhão de reais em 2007, sendo 81% dela originária de clientes industriais, o setor expressa seu contentamento com muitos planos de investimentos. E isso tanto quando se pensa nos competidores tradicionais como em novos interessados em explorar o grande potencial descortinado por essa tendência modernizadora. Aí estariam embutidos tanto projetos de associados da Abetre, grandes grupos com ofertas integradas e planos nacionais de expansão, como exemplos mais simples de investidores de olho em nichos de negócios esquecidos pelos competidores mais “peso pesados”.

    Para os pequenos – Vale a pena começar pelo item mais inédito, este que revela a exploração do potencial de nichos específicos, negócios voltados principalmente para os pequenos geradores de resíduos industriais. Seriam aí novas ofertas e medidas que estimulariam esse tipo de indústria – que tanto pode ser pequena como uma grande empresa com pouca geração de resíduos perigosos (classe 1) – a deixar de lado as soluções ilegais de destinação. Aliás, trata-se, para muitos especialistas da área, do principal desafi o do setor: fazer com que a falta de escala dos pequenos geradores e a conseqüente falta de interesse dos grandes tratadores em negociar com eles não sejam impeditivos para que as boas práticas de gerenciamento se estendam a todo o setor produtivo nacional.

    No aspecto institucional, ganham importância medidas como a da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), o órgão ambiental paulista, que reduziu para as micro e pequenas empresas o valor para a emissão do Certificado de Aprovação para Destinação de Resíduos Industriais (Cadri), documento obrigatório para o início de um processo de destinação correta. Com a medida, anunciada em maio de 2008, as beneficiadas passaram a pagar pelo Cadri apenas 7 Ufesps (R$ 104,00), em vez das 70 Ufesps (R$ 1.041,00) ainda cobradas das empresas maiores.

    Com o incentivo, o órgão ambiental pretende favorecer um universo muito grande de empresas que até o momento apenas eram estimuladas a permanecer na ilegalidade ou a estocar seu lixo industrial. Em São Paulo, há uma estimativa de que sejam geradas cerca de 500 mil toneladas por ano de resíduos perigosos. Como aproximadamente 85% das indústrias paulistas possuem até 50 empregados, dá para se ter uma idéia da importância de facilitar para os micro e pequenos o acesso às boas práticas ambientais.


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