Petróleo & Energia

20 de dezembro de 2016

Renováveis: Os baixos preços do petróleo e gás natural afetam a competitividade dos renováveis

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Texto: Luiz Fernando Leite, Escola de Química da UFRJ

    A maior disponibilidade e redução dos preços das matérias-primas fósseis, petróleo e gás natural, impactam significativamente o movimento que nos últimos anos havia se estabelecido de busca por rotas renováveis e de maior sustentabilidade dos processos produtivos. São discutidos os casos de dois produtos, eteno e ácido acético, que são comercialmente produzidos por rota renovável, embora dominantemente sua produção utilize a rota fóssil. É clara a perda de competitividade da rota verde, em ambos os casos, pois o custo da matéria-prima não é ressarcido pelo atual preço de mercado dos produtos.

    Nos últimos anos ocorreram dois fenômenos que impactaram significantemente, em escala mundial, o mercado de produtos químicos renováveis. Desde meados de 2008, os preços do gás natural no mercado americano (Henry Hub), devido a grande oferta de shale gas, tiveram uma relevante queda, que se propagou para o mercado de gás natural liquefeito, causando a seguir a redução de preços em outros mercados, a partir do segundo trimestre de 2014, como é apresentado na Figura 1.

    Figura 1: Preços internacionais do Gás Natural (em US$/MMBTU)

    Química e Derivados,

    Posteriormente houve também a maior disponibilização de shale oil, tornando os EUA menos dependentes de petróleo do Oriente Médio. Diferentemente da reação tradicional, não foram colocadas em prática, pelos países membros da Opep, políticas de congelamento ou corte de produção, resultando em forte queda do peço do petróleo a partir de junho de 2014, quando a cotação mensal média do WTI era de US$ 105 por barril. Nesta acentuada queda chegou a atingir valores próximos de US$ 30 por barril, no início de 2015, estando atualmente oscilando perto dos US$ 50 por barril.

    Este segundo movimento impactou positivamente os produtores baseados em nafta petroquímica, reduzindo significativamente a vantagem obtida pelas empresas processadoras de cargas gasosas. Quando o petróleo atingiu valores próximos de US$ 30/barril, a Platts (2016) comentou que a queda do preço do petróleo havia, consequentemente, derrubado o preço global da nafta, permitindo aos produtores baseados nessa matéria-prima serem mais competitivos, aproximando significativamente os custos de produção de etileno, a despeito da matéria-prima.

    A queda do preço do petróleo fez com que os produtores de shale, nos EUA, procurassem reduzir significantemente seus custos de produção, por meio de inovações no processo de fraturamento hidráulico, com vistas a manter sua competitividade. Os fundamentos do mercado de óleo & gás parecem ter sofrido uma mudança de cunho estrutural, devido aos fenômenos citados, de modo a estabelecer um tampão relativamente efetivo a futuros aumentos elevados do preço de petróleo.

    Quanto às matérias-primas renováveis, desde o início de 2014, houve variações, mas não tão drásticas como no mercado de óleo & gás. Por exemplo, como se vê na Figura 2, para a cotação do açúcar na Bolsa de Nova York, a relação entre o menor e maior preço, no período em questão, foi de 0,57, enquanto que para o petróleo foi de 0,28. Além disso, os preços atuais desta commodity retornaram ao mesmo patamar do início desta série. Quanto ao preço do etanol hidratado, no mercado de São Paulo, a relação entre o menor e maior preço foi de 0,54 e o preço atual corresponde a 73 % do valor do início do período. Entretanto, neste caso vale lembrar que também houve uma desvalorização do real de 41%, o que contribui para que o preço atual em dólar seja menor. Pelo exposto fica claro que a competitividade dos substitutos renováveis aos produtos petroquímicos ficou sensivelmente prejudicada, pois estes sofreram redução de seus custos produtivos devido à acentuada queda do preço das matérias-primas fósseis.

    A busca por produtos renováveis – Atualmente há maior consciência da necessidade de preservação ambiental e dos benefícios que as fontes de energia e matérias-primas renováveis trazem para o desenvolvimento sustentável. Dentre as principais vantagens, têm-se:

    – redução dos gases de efeito estufa;

    – diversificação das matérias-primas, reduzindo a dependência do petróleo;

    – aumento da segurança energética;

    – aumento de renda para a sociedade agrícola;

    – a biomassa é uma fonte de energia abundante. O consumo anual mundial de energia é aproximadamente 7% da energia estimada da produção primária de biomassa, que é de 6,9 x1017 kcal/ano (Narayan, 2011). É valido lembrar que esta abundância requer que se preserve o planeta, de modo que se mantenha a capacidade atual de realização de fotossíntese.

    Figura 2: Preços do Açúcar e do Etanol

    Química e Derivados,

    A COP-21, Conferência do Clima, realizada em dezembro de 2015 em Paris, é um testemunho típico deste aumento de consciência. Pela primeira vez neste tipo de encontro foram aprovadas políticas e ações, pelos 195 países signatários, para restringir o aumento da temperatura do planeta bem abaixo de 2⁰C até 2100, em comparação à média do planeta antes da Revolução Industrial, com os respectivos recursos necessários para a sua consecução, US$ 100 bilhões por ano a serem aportados pelos países ricos.


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